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Ensino à distância deixou pais e alunos pouco satisfeitos

Segundo o nosso inquérito, só um quarto das crianças do 1.º ciclo ficou feliz com o ensino à distância. Dos pais, apenas três em cada dez se revelaram satisfeitos com a experiência.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
26 agosto 2020
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Dois rapazes sentados a uma mesa, em casa, escrevem num caderno e têm um computador aberto à sua frente

iStock

Nem todos os encarregados de educação ficaram satisfeitos com ensino à distância, sobretudo no que diz respeito ao apoio aos alunos com necessidades educativas especiais e às tarefas propostas pelos professores. Quanto às crianças, manifestaram saudades de ir à escola, bem como dos colegas e amigos. Mais: segundo os pais, só cerca de um terço tiveram facilidade em concentrar-se nas aulas em videoconferência e conseguiram trabalhar de forma autónoma com as plataformas digitais.

No fim de junho de 2020, enviámos um questionário online a uma amostra de pais com filhos no 1.º ciclo do ensino básico. Recebemos um total de 537 respostas. Os dados obtidos permitem-nos fazer um retrato do ensino à distância durante o confinamento.

Pais pouco satisfeitos com as aulas à distância

Só três em cada dez inquiridos ficaram satisfeitos com o ensino em casa, o que acabou por se refletir na nota dada: 5,8 em dez. Os vídeos gravados pelo professor titular bem como as aulas por videoconferência foram os aspetos que mais agradaram aos pais. Ficaram ainda satisfeitos com o progresso na aprendizagem (6,1 em dez). As aulas televisivas do Estudo em Casa não tiveram um nível de satisfação muito elevado: 5,8 em dez.

O apoio dado a crianças com necessidades educativas especiais, seguido pelas tarefas propostas pelos professores agradaram menos aos pais, com 2,5 e 3,8 em dez, respetivamente. Aliás, só dois em cada dez inquiridos ficaram satisfeitos com o apoio da educação especial. Além de aulas com o professor titular, muitas crianças do 1.º ciclo também tiveram aulas com outros professores, sobretudo de inglês. Mas estas não agradaram muito aos pais que nos responderam, tendo obtido um nível de satisfação inferior a cinco (4,8).

Ensino à distância

Crianças sentem falta da escola

Só 40% dos pais inquiridos concordaram que a carga de trabalho em casa foi inferior à proposta na escola. E, embora a maioria das crianças tenha feito todas as tarefas propostas (81%), a aprendizagem em casa foi mais difícil para 58% e só cerca de um terço conseguiu concentrar-se nas aulas em videoconferência ou orientar-se e trabalhar de forma autónoma com as plataformas digitais.

A ter muito em consideração é o facto de só um quarto das crianças ter ficado feliz com o ensino à distância. Para esta opinião devem ter contribuído as saudades: da escola, referidas em 84% das situações, mas, sobretudo, de amigos e colegas, mencionados em 91% dos casos.

Ensino à distância

Maioria das crianças assistiram a aulas por videoconferência

Segundo os dados do nosso inquérito, aulas por videoconferência com o professor titular foi a principal ferramenta de ensino usada pelas escolas para ensinar os alunos, em conjunto com exercícios e tarefas que tinham de ser descarregados da plataforma usada ou de um serviço de cloud (serve para armazenar informação). Já as aulas do Estudo em Casa foram aproveitadas por 70% das crianças. Os alunos passaram, em média, 6 horas por semana em aulas com o professor e 7 horas a assistir ao Estudo em Casa.

Ensino à distância

Para se poder usar as plataformas propostas pelas escolas, foi necessário um dispositivo com ligação à internet. O computador foi o mais usado (63% das situações) e o tablet, a solução para 21% das crianças. Já 7% tiveram de recorrer a um smartphone para acompanhar as aulas. Mais de metade dos alunos partilharam o equipamento com outras pessoas em casa. Uma em cada dez crianças aproveitou o empréstimo do computador ou do tablet por parte da escola.

Ensino à distância

Mães ajudaram nas dúvidas

Dos dados do inquérito, concluímos que só em 40% das situações houve apoio suplementar dado pelo professor titular. Daí que, quando perguntámos aos pais se as crianças tinham precisado de ajuda, 72% tenham referido que sim, sendo que quase um terço dos menores precisou de muita ajuda. O esclarecimento de dúvidas durante o estudo autónomo foi referido por 74% dos pais, a que se seguiu a orientação para seguir o plano de aulas diário (66%) e explicações sobre as matérias dadas (60 por cento). Foram sobretudo as mães (52%) a auxiliar as crianças. Num terço das situações, houve intervenção de ambos os pais. Contudo, mais de metade dos pais que nos responderam não ficaram a trabalhar em casa (60 por cento). Por esta razão, nem sempre foi fácil conciliar o ensino em casa com o trabalho.

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