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Seguro de proteção ao crédito: não vale a pena contratar

29 janeiro 2015

29 janeiro 2015

A proteção no desemprego e a amortização de dívidas são promessas dos seguros de proteção ao crédito, muitas vezes, por cumprir.

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Um seguro de proteção ao crédito cobre os encargos com créditos em caso de quebra de rendimentos provocada por baixa médica ou hospitalização, desemprego ou atraso no pagamento dos salários. Ou seja, a seguradora substitui-se ao segurado no pagamento de prestações para amortizar as dívidas contraídas. 

À partida, parece um seguro interessante, mas, depois de analisarmos algumas apólices no mercado, concluímos que contam com demasiadas restrições à ativação das coberturas. Além disso, os limites de indemnização são tão reduzidos que, na maior parte dos casos, as apólices revelam-se inúteis. Pior, acabam por sobrecarregar a prestação e aumentar as dificuldades financeiras dos consumidores.

Os preços praticados variam muito. Um seguro que cubra desemprego, hospitalização ou baixa médica para garantir um crédito pessoal de 10 mil euros, a amortizar em cinco anos, tanto pode custar menos de 400 euros, como ultrapassar os mil. Na maioria dos casos, o prémio é único, pago no início do contrato e pode ser financiado, o que aumenta o valor da dívida. Neste caso, o consumidor acaba a pagar juros sobre o próprio seguro.  

Apólices excluem justa causa invocada pelo trabalhador
Quando se verifica uma situação de desemprego involuntário por um período superior a 30 dias, e desde que o segurado esteja inscrito no Centro de Emprego e Segurança Social, a seguradora paga as prestações à entidade credora, até ao limite de seis meses por sinistro e no máximo de 12 a 36 meses por contrato, consoante as apólices. 

Nestes seguros, a cobertura de desemprego involuntário é exclusiva para trabalhadores por conta de outrem e inclui as situações de despedimento coletivo e extinção do posto de trabalho. Incompreensivelmente, o despedimento promovido pelo trabalhador com invocação de justa causa está excluído das apólices da Cofidis (ACM Vie) e do RCI Banque (Metlife). 

A incapacidade temporária absoluta para o trabalho por um período superior a 30 dias está presente em todas as apólices. Mas algumas, como a da Cofidis, impõem uma franquia absoluta de 60 dias e só pagam a indemnização a partir do 61.º dia de baixa médica.

Desistir é difícil 
Se o seguro foi uma imposição da entidade credora, esta não permitirá que desista, sob pena de alterar as condições do crédito. Lembre-se ainda de que, em caso de sinistro coberto pela apólice, e prevendo que o período de franquia será ultrapassado, deve avisar de imediato a entidade credora e a seguradora e preencher uma participação de sinistro. Enquanto esta analisa o processo, o segurado deverá continuar a pagar a prestação do crédito.



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