Notícias

Os juros do crédito à habitação vão subir?

A Euribor já está positiva e a prestação mensal do crédito à habitação deve começar a subir ainda este ano. Traçamos cenários e explicamos as principais consequências.

13 abril 2022
mão a empilhar blocos de madeira com símbolos de percentagem e setas

iStock

As taxas de juro têm estado negativas nos últimos anos, permitindo aos consumidores aceder a crédito com menos custos e manter em alta a procura. No entanto, a recente subida da inflação no espaço europeu reacendeu os receios de inflexão da taxa de juro, que iniciou uma trajetória de subida nos últimos meses e acentuou-se com a eclosão do conflito militar no leste da Europa. Cinco anos depois, a Euribor chegou a índices positivos a 12 de abril. Há muito que os economistas previam que tal viesse a acontecer. Só faltava saber quando.

Saiba o que está em causa e como este cenário de subida dos juros pode afetar a prestação do crédito à habitação.

Quem decide se a taxa de juro sobe ou desce?

Em cada reunião mensal do Banco Central Europeu, pode decidir-se pela manutenção ou alteração da chamada taxa diretora, que o BCE cobra aos bancos para lhes emprestar dinheiro. Uma eventual revisão desta taxa influencia todos os contratos de crédito praticados entre as instituições bancárias, que definem a Euribor. A última revisão aconteceu em setembro de 2019, quando a taxa de depósito desceu para -0,5 por cento. Já a taxa diretora estacionou nos 0% em março de 2016 e tem permanecido inalterada desde então. Contudo, as dinâmicas do mercado e as expectativas em relação à evolução dos indicadores económicos também influenciam as taxas Euribor definidas pelos bancos europeus, procurando antecipar os próximos passos da política monetária. No final, são estas as taxas que influenciam diretamente os contratos de crédito de taxa variável.

Porque tem subido a inflação?

Vários fatores têm concorrido para este cenário. Um deles passa pelo aumento do preço do petróleo e da energia em geral. O conflito militar na Ucrânia veio dar um forte contributo nesta matéria. Por outro lado, as políticas monetárias expansionistas dos últimos anos provocaram um excesso de liquidez no mercado, que não contava com o aparecimento de uma pandemia, em 2020, e com o seu impacto imenso nas cadeias de produção e distribuição mundial. A inflação tem, de facto, vindo a subir. A inflação média da zona euro atingiu, em março, 7,5 por cento. Em Portugal, a taxa de inflação foi de 5,3 por cento.

É inevitável corrigir a subida da inflação com a subida da taxa de juro?

Essa é a resposta clássica a cenários de inflação, mas uma variação muito significativa poderia ter consequências nefastas no atual contexto económico. O endividamento dos países, assim como das famílias, está em níveis muito elevados e a recuperação económica das empresas é ainda muito débil, até porque a pandemia provocou sérios constrangimentos na atividade de muitas instituições nos últimos dois anos. Por outro lado, a subida da inflação, que tem provocado um aumento generalizado dos preços, não está a ser acompanhada pelos salários, reduzindo o poder de compra dos consumidores. É admissível uma correção da taxa de juro, mas espera-se que seja muito ligeira e em pequenas doses progressivas. Este movimento está já a ser antecipado nos mercados financeiros, influenciando a Euribor.

A Euribor vai subir?

As taxas de juro estão a reforçar a sua trajetória ascendente, iniciada nos últimos meses. Admitimos que um aumento das taxas de referência do BCE possa acontecer nos próximos meses. Atualmente, a Euribor a 12 meses já atingiu valores positivos, enquanto a Euribor a 6 meses ronda os -0,3% e consideramos plausível uma subida de 0,5 ou 1 ponto percentual, até ao final do ano.

As prestações do crédito à habitação vão subir?

Sim, parece-nos inevitável que tal aconteça nos próximos meses. Eis alguns cenários que simulámos para consumidores com contratos de crédito à habitação com spread de 1% e Euribor a 6 meses.

100 mil euros a 30 anos

Prestação média atual com Euribor a -0,3%: 308,05 €

Prestação média com Euribor a 0%: 321,64 €

Prestação média com Euribor a 1%: 369,62 €

150 mil euros a 30 anos

Prestação média atual com Euribor a -0,3%: 462,07 €

Prestação média com Euribor a 0%: 482,46 €

Prestação média com Euribor a 1%: 554,43 €

200 mil euros a 30 anos

Prestação média atual com Euribor a -0,3%: 616,09 €

Prestação média com Euribor a 0%: 643,28 €

Prestação média com Euribor a 1%: 739,24 €

Como posso acautelar uma subida das taxas de juro?

  1. Com base nos cenários apresentados em cima, faça simulações para o seu caso e perspetive o impacto de uma eventual subida dos juros no seu orçamento familiar. Lembre-se de que as prestações de créditos não devem superar 35% do rendimento mensal disponível. Se ultrapassa essa referência, é hora de ponderar renegociar as condições do crédito.

  2. Se o seu contrato de crédito prevê um spread superior a 2%, renegoceie, pois com facilidade encontrará propostas melhores. Compare as propostas através da TAEG, optando pela menor. Caso o banco onde tem o crédito não queira acompanhar a melhor proposta da concorrência, pondere transferir o crédito para outro banco.

  3. Em alternativa à redução do spread, pondere aumentar o prazo do empréstimo ou estabelecer um período de carência. Ambas as opções permitem um alívio no encargo mensal, mas podem representar um custo adicional no final do contrato.

  4. Para ficar imune às oscilações das taxas de juro, pode optar por contratar uma taxa fixa. Contudo, atualmente, esta opção ainda implica pagar mais do que nos empréstimos com taxa variável. Mas no caso de o orçamento familiar já não resistir a grandes variações com a prestação, pode ser uma alternativa a ter em conta, nestes tempos de incerteza. Já se optar por manter a taxa variável, é recomendável que acompanhe a evolução do mercado e vá ajustando o orçamento familiar às novidades.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós