última atualização: 20/09/2016

Casa em construção: qual a opção de aquecimento mais económica?

Boa tarde,

Encontramo-nos em fase de planeamento para construção de uma moradia e gostaríamos de saber qual a melhor forma de decidir a opção de aquecimento que mais de se adequa à nossa moradia e que seja mais económica a médio prazo, mesmo que isso implique um investimento inicial superior. Fundamentalmente queremos ter a casa confortável no inverno sem precisar de gastar um balúrdio, uma que vez infelizmente vivemos num pais em que ter a casa devidamente aquecida é praticamente um luxo...

A moradia terá 2 pisos e a área total de entre 150 a 170m2. O piso de baixo será em open space (tem uma sala/cozinha rectangular) com área total de 60m2 e com pé direito duplo que ocupará uma área de 13m2 da sala. No andar de cima será a zona dos quartos. A casa terá janelas grandes apenas a sul e poente e bom isolamento no sentido de minimizar a necessidade de aquecimento no inverno. Temos algumas questões que nos surgem:

1) Aquecer a casa toda com piso radiante ou com aquecimento central? E qual a melhor forma de fornecer calor a estes equipamentos? Gás, bombas de calor, salamandras, paneis solares? Também percebi que existe piso radiante electrico, é uma opção? (No apartamento em que vivemos agora temos uma salamandra de pellets e, ou somos nós que não temos sorte nenhuma, ou aquilo dá-nos algumas dores de cabeça... è preciso estar sempre a limpá-la, fica meia empancada e sem sabermos porquê não liga... Já foi não sei quantas vezes arranjar... Não estamos nada contentes...)

2) Independentemente da opção que tormarmos para aquecer a casa toda, fará sentido mesmo assim ter uma salamandra ou recuperador de calor na sala para ligar nos dias mais frios?

3) E relativamente à agua para os banhos? Estavamos a ponderar recorrer à energia solar. Costuma ser suficiente?

Para terminar gostava de saber se voces fazem consultadoria energética para pessoas que estão a construir casa ou se recomendam quem faça. Já que vamos construir de raiz queríamos mesmo tomar a melhor opção.

Muito obrigada pela disponibilidade

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  Comentários

User name Moderator
Bruno Miguel | Moderador
19/02/2018

Olá Vanessa,

Coloca questões pertinentes na qual tentaremos responder da maneira mais assertiva possível.

O seu foco, tal como diz, está e muito bem, na melhor forma de decidir. Para a obtenção da melhor decisão possível terá que ter atenção a diversos fatores: Agregado familiar, tipo e horário de uso, estética, zona técnica de instalação, orçamento, zona geográfica, entre outros.

É muito importante perceber a tecnologia de cada opção, suas vantagens e desvantagens.

Assim um open space poderá ser a zona mais “critica” de aquecimento na qual exigirá um projecto adequado. No open space, de volume grande, as necessidades termicas poderão ser elevadas e haver perdas pelos envidraçados, pelo que o seu dimensionamento deve ser bem pensado.

Neste sentido comecemos por perceber a diferença entre piso radiante ou aquecimento central por radiadores ou ventiloconvectores.

Pode optar por piso radiante a água que é muito versátil no tipo de energia primária que pode utilizar. Neste tipo de solução, pode usar biomassa (ex. pellets) ou então caldeira a gás ou ainda uma boa alternativa é a opção por uma bomba de calor que funciona com rendimentos muito interessantes nas gamas de temperatura do piso radiante. O pavimento radiante, ao trabalhar com temperaturas de água baixas (30ºC), permite obter um COP elevado na bomba de calor, mas quer a bomba de calor quer a caldeira a pellets têm custos energéticos mais baixos quando comparados com alternativas a gás, mas com investimento inicial superior, daí ter que haver uma avaliação do custo inicial vs utilização.

Um piso radiante elétrico pode ser mais económico na fase da instalação, mas não deixa de ser uma resistência elétrica embutida no pavimento e assim de muito menor eficiência energética em comparação com outras soluções.

Lembre-se que o pavimento radiante, visto ser “lento” até atingir a temperatura máxima, tem uma utilização contínua não devendo ser desligado, mas sim reduzido ao seu consumo mínimo, sem correntes de ar e sem que existam correntes de conveção fortes que transportem poluentes atmosféricos, faz com que não se conheçam patologias associadas a estes sistemas.

Os radiadores ou ventiloconvetores apresentam como vantagem a resposta mais rápida a solicitações eventuais. No caso dos radiadores as temperaturas de funcionamento atingirão os 80ºC precisando como fonte de calor, uma Bomba de calor de Alta temperatura, com mais custos agregados ao investimento, caldeira a pellets ou mesmo caldeira (modelo condensados) a gás natural.

Se tiver tarifa bi-horária e puder transferir parte do serviço de aquecimento para este horário, então o custo de energia para a bomba de calor será ainda mais interessante.

Com sistemas de conveção forçada como o ar condicionado tradicional ou ventiloconvetores, a existência de filtros nos aparelhos deveria melhorar a qualidade do ar interior. Se não houver uma manutenção adequada e regular dos filtros de ar, os poluentes aí acumulados pelo efeito da filtragem poderão soltar-se e contaminar o ar em utilizações posteriores, tal aspecto se utilizado de maneira correta e feita manutenções periódica não influenciara a possível opção por um A/C tendo como possível vantagem um custo inicial inferior se comparados com pavimento radiante, radiadores ou ventiloconvetores.

A opção de uma caldeira a gás natural é também ela uma solução com custos de utilização competitivos, simples de utilização e custos de investimento mais económico em comparação com a bomba de calor.

Se o projeto de aquecimento for bem feito na sua fase inicial e tendo como foco o isolamento térmico correto da habitação, não vejo vantagens ou mesmo necessidade na colocação de uma salamandra ou recuperador de calor como sistema de apoio ao sistema de aquecimento da casa.

Alguns dos sistemas expostos para aquecimento da casa poderá ser utilizado para aquecimento das águas quentes sanitárias. Pese o alto investimento anterior já feito num possível sistema já por sí bastante eficiente, poderá sempre instalar um sistema solar térmico como fonte principal de AQS, principalmente para os meses mais quentes. Nos meses de inverno a fonte principal será a BC ou caldeira biomassa ou gás natural. Será sempre mais vantajoso e compensador quanto maior for o seu agregado familiar e se a opção recair sobre a caldeira a gás natural. Como estamos a falar de uma casa em construção, deve verificar de acordo com a legislação a obrigatoriedade de do solar térmico ou bomba de calor.

Saliento tambem que algumas soluções apresentadas são de investimento muito alto e que provavelmente não compensarão se estivermos inseridos numa zona geográfica como por exemplo o Algarve. Existem situações em que os agregados familiares tem poucas necessidades de produção de calor numa habitação muito bem isolada.

Com os melhores cumprimentos

equipa CLEAR Portugal

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