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Nutri-score: as cores no rótulo que classificam os alimentos

Através de um código de cores e de letras, o Nutri-score dá uma nota global a cada alimento. Em Portugal, já encontra produtos com esta sinalética.

  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
24 setembro 2019
  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
nutriscore

João Ribeiro

Algumas embalagens alimentares já têm um logótipo retangular dividido em cinco cores (verde, verde-claro, amarelo, laranja e vermelho), ligadas, por sua vez, às letras A a E. Com esta escala, pretende-se mostrar a qualidade nutricional dos alimentos e, ao mesmo tempo, apostar numa interpretação fácil e rápida. Um A sobre verde ou um E em cima de vermelho possui, na zona que os medeia, uma escala progressiva que distingue um alimento nutricionalmente mais interessante de outro no polo oposto.  

Atrás das letras está uma nota determinada pelo teor em fibras, proteínas, fruta, legumes e frutos secos, ácidos gordos saturados, açúcares, sal e calorias.

Para bebidas, óleos, gorduras e queijos, o cálculo é diferente. O algoritmo de base considera tanto os pontos favoráveis, como os desfavoráveis. A percentagem de fruta, legumes e frutos secos, fibras e proteínas são consideradas pontos positivos. Já os pontos a merecerem reprovação referem-se às calorias, à gordura saturada, aos açúcares e ao sódio (vulgo sal). O resultado é uma classificação correspondente à qualidade nutricional global do alimento. 



 
Nos supermercados portugueses encontram-se já, por exemplo, bolachas, chips à base de milho, leite, bebidas de soja, ervilhas enlatadas e refrigerantes com o logótipo Nutri-score. Do A ao E, encontrámos classificações distintas.
 

Petição defende obrigatoriedade do Nutri-score

Proposta por uma equipa francesa de pesquisa em nutrição, liderada por Serge Hercberg, médico com especialização em epidemiologia e nutrição, o Nutri-score é, desde 2016, a escolha das autoridades de saúde francesas, aplicável aos alimentos transformados e pré-embalados, incluindo bebidas não-alcoólicas, para colocar na frente dos rótulos. Portugal convive com vários tipos de sinalética para comunicar os valores nutricionais dos géneros alimentícios, o que pode gerar alguma confusão. A harmonização seria vantajosa. De acordo com um estudo de 2017, encomendado pela Direção-Geral da Saúde, 40% dos inquiridos em Portugal não compreendem a informação nutricional nos rótulos. O Nutri-score é precisamente uma tentativa de ajudar o consumidor a compreender a mensagem, ajudando-o a tomar as melhores decisões.

Membros da Organização Europeia dos Consumidores (BEUC), sete associações de defesa dos consumidores (a francesa UFC–Que Choisir, a belga Test-Achats, a alemã VZBV, a holandesa Consumentenbond, a espanhola OCU, a polaca Federacja Konsumentów e a grega EKPIZO) lançaram uma petição pelo Nutri-score, para que se torne obrigatório no espaço dos 28 países da União Europeia. Caso o patamar de um milhão de assinaturas seja alcançado (a data-limite é 8 de maio de 2020), a Comissão Europeia terá de analisar a petição. Com caráter opcional, o Nutri-score foi adotado em França, Bélgica e Espanha. Na Alemanha, alguns produtores também já o perfilharam voluntariamente, bem como na Áustria, na Suíça e na Eslovénia.

 

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