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Portugueses estão cada vez mais digitais

A maior utilização do computador e do smartphone durante a pandemia acabou por continuar a fazer parte da rotina dos cidadãos. Também o teletrabalho parece ter vindo para ficar.

30 junho 2022 Exclusivo
Senhora dentro de um círculo de vidro transparente com um computador portátil

iStock

Em março de 2020, a pandemia veio mudar o dia-a-dia dos portugueses. Fechados em casa, adultos, crianças e jovens voltaram-se para as tecnologias com ligação à internet, para conseguirem comunicar, aprender, trabalhar, comprar produtos e divertir-se. Mas mantêm esses hábitos? E até que ponto a evolução digital forçada teve implicações na saúde e no tempo em família?

Para obtermos resposta a estas e outras questões, enviámos, em março de 2022, um questionário a uma amostra proporcional da população nacional entre os 18 e os 74 anos. Obtivemos 1019 respostas, que refletem as experiências e as opiniões dos participantes. Constatámos que várias aplicações e plataformas online começaram a ser usadas pela primeira vez devido à pandemia. Também as compras e as videochamadas pela internet passaram a ser mais usadas, e muitos inquiridos têm mantido o recurso a estas soluções.

Quanto ao teletrabalho, em regime híbrido ou total, parece ter vindo para ficar em muitas empresas, dado o impacto, em geral, positivo que tem em vários aspetos da vida dos trabalhadores.

Forçados a comprar equipamentos

Sem dúvida que, para muitos portugueses, a pandemia ficou marcada por um salto tecnológico. A obrigação de ficar em casa levou a uma maior utilização de equipamentos que permitissem manter o contacto ou que facilitassem a vida. Quem não estava preparado viu-se forçado a investir em equipamentos, essenciais para trabalhar ou acompanhar as aulas à distância, por exemplo.

Verificámos que 32% dos inquiridos compraram, pelo menos, um equipamento devido à pandemia. Na faixa etária dos 18 aos 39 anos, a percentagem foi de 37 por cento. Já nos lares com crianças, 43% compraram aparelhos e, entre os estudantes, foram 46% os que tiveram de investir nalgum tipo de equipamento.

Experiência online aumentou

O confinamento trouxe, a par dos aparelhos tecnológicos, o recurso a plataformas ou aplicações que, através da internet, têm as mais variadas finalidades: fazer compras no supermercado, encomendar comida, ver filmes ou estabelecer chamadas de vídeo, entre outras.

Quase metade dos inquiridos começaram a usar determinadas plataformas ou aplicações devido à pandemia (46 por cento). As que reuniram mais novos utilizadores foram as de entregas ao domicílio (comida e produtos), streaming de vídeo e exercício físico.

O fecho do atendimento presencial de muitas empresas ou serviços públicos e/ou o receio de frequentar locais com aglomerações de pessoas levaram os portugueses a terem também de recorrer à internet para tratarem dos mais variados assuntos. Alguns foram usados pela primeira vez durante o confinamento, como a renovação de documentos, as compras do supermercado e os serviços da Segurança Social. A maioria destes inquiridos considerou a utilização dos serviços fácil ou muito fácil, não tendo detetado problemas de maior.

Mais tempo ligados à net

Cerca de um quarto dos portugueses que nos responderam, hoje usam a internet mais do que antes do confinamento. As compras online, as chamadas de vídeo, o streaming de vídeo (para ver séries e filmes), a navegação na internet, bem como as chamadas de áudio e as mensagens online, estão entre as opções que são mais usadas atualmente.

Em média, os inquiridos passam cerca de 20 horas por semana online, para fins pessoais ou de lazer, sendo que 41% indicaram que o tempo na internet aumentou face ao que passavam antes da pandemia. Foi entre os inquiridos mais novos (dos 18 aos 34 anos) que este aumento se mostrou mais significativo, com 51% a relatarem estar agora mais tempo online.

Mais ligados e menos descansados

Estará o tempo mais longo passado na internet a afetar, de algum modo, a saúde ou as relações familiares ou de amizade? Uma parte considerável de inquiridos refere que o tempo gasto online afeta de forma negativa o sono e o descanso (45%), o tempo com os filhos (42%) e a saúde (40 por cento).

Procurámos ainda saber se os portugueses sentem que existe um uso excessivo de aparelhos ligados à internet no respetivo agregado familiar. De uma forma geral, consideram que, por vezes, há algum abuso por sua parte ou de familiares. Contudo, apontam que o uso excessivo é particularmente frequente entre os adolescentes (apontado por 63%) e as crianças entre os 6 e os 12 anos (referido por 44 por cento).

A chave contra filas

Dada a necessidade de usar serviços à distância durante a pandemia, procurámos saber se os portugueses recorreram à chave móvel digital para, por exemplo, marcar uma consulta no centro de saúde, revalidar a carta de condução ou renovar o cartão de cidadão. Verificámos que 62% dos inquiridos já tinham o serviço de autenticação digital do Governo. Foi entre os portugueses com menos de 30 anos ou mais de 63 anos, que registámos a maior proporção dos que não aderiram ao serviço.

Mas será a adesão complicada? Para o sabermos, incluímos a questão no inquérito, e 68% responderam que era fácil ou muito fácil. Mesmo assim, não significa que o processo tenha sido isento de falhas, dado que 66% referiram ter sentido, pelo menos, uma dificuldade ao executá-lo. Entre quem apenas aderiu à chave como forma de autenticação digital, cerca de metade indicou ter sentido dificuldades por não ter o equipamento – leitor do cartão de cidadão – ou a aplicação (52 por cento). Mas, na verdade, estes não são necessários para aderir.

Ativação terminada, resta usar a chave sempre que for pedida. No momento de usar, também foram registados problemas: 54% indicaram ter tido, pelo menos, uma dificuldade.

A chave móvel digital existe desde 2014, e já muita gente a tem. Contudo, a pandemia levou mais consumidores a ativar este meio de identificação, para facilitar a utilização de muitos serviços. O que foi mais usado pela primeira vez, referido por quase um terço dos inquiridos, foi a emissão e renovação de documentos.

Procurámos ainda saber até que ponto os portugueses consideram que a sua privacidade fica protegida ao usarem a autenticação digital. Constatámos que a maioria confia no sistema, dado que apenas 7% revelaram baixa confiança.

Teletrabalho veio para ficar

Uma experiência nova que a pandemia trouxe a muitos portugueses foi o teletrabalho. Nos confinamentos, embora houvesse a obrigação de ficar em casa, o País não podia parar, e os serviços tinham de funcionar de alguma forma. O trabalho remoto via internet foi a solução para muitos serviços do Estado e empresas.

Para conhecermos um pouco melhor a experiência dos portugueses, perguntámos se a respetiva atividade profissional podia ser desempenhada a partir de casa e, em caso afirmativo, qual o regime de teletrabalho que tinham antes e passaram a ter depois da pandemia. É curioso verificar as mudanças que ocorreram a este nível: a proporção de inquiridos que podem trabalhar remotamente passou de 27%, antes da pandemia, para 75%, atualmente. Os dias de trabalho em casa variam, sendo que 28% dos que nos responderam indicaram fazê-lo mais de cinco dias por semana, o que significa que, nestes casos, o teletrabalho é a regra.

Também o impacto é, de forma geral, positivo. A produtividade, o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, a vida profissional em geral e o stresse associado ao trabalho são os aspetos em que mais de metade dos inquiridos revelaram estar melhor. Claro que, ao trabalhar remotamente, o relacionamento com os colegas e as chefias é menor, e é o fator de que os inquiridos mais se ressentem devido à distância. A solução talvez passe por as empresas e os funcionários encontrarem outras formas de contacto, como atividades por videoconferência ou presenciais. Almoços ou jantares em conjunto, ou outro tipo de ações mais descontraídas, decerto irão aproximar as equipas. A verdade é que o teletrabalho parece ter vindo para ficar, o que permite maior e melhor organização da vida pessoal e familiar.

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