Consolas: as preferidas e a experiência de quase dois mil jogadores
Apesar de satisfeitos, um terço dos utilizadores consideram que as consolas têm algum ou um grande impacto negativo no sono e no descanso.
Se pondera comprar uma consola de jogos e não sabe qual escolher, fique a conhecer a opinião de quem usa estes equipamentos nos tempos livres. Mas, se o pedido de determinado produto vem diretamente de uma criança ou jovem, o melhor é respeitar, sob pena de alguém ficar muito desapontado.
O inquérito para obter os dados deste artigo foi realizado em janeiro e fevereiro de 2023, a utilizadores de consolas de jogos. Foi feito em simultâneo em mais três países, além de Portugal: Bélgica, Espanha e Itália. No total dos quatro países, obtiveram-se 1840 respostas, sendo que 453 foram de Portugal. Para aspetos que poderiam ser mais específicos de cada país, como o modelo mais vendido ou o tempo de utilização, as respostas foram analisadas em separado. Já os dados sobre as razões que levam à compra, a satisfação ou a fiabilidade dos aparelhos foram tratados em conjunto nos quatro países.
PlayStation: a consola preferida
Segundo os inquiridos, 18 anos foi a idade média para obter a primeira consola. Contudo, os mais novos (entre 18 e 34 anos) receberam-na, em média, aos 14 anos.
A PlayStation foi a mais referida em Portugal. Dos vários modelos, o 4 Pro (33%) e o 5 Standard (27%) foram os mais mencionados, com o 5 Digital Edition a ser apontado por apenas 10 por cento. Das Nintendo Switch, a V2 foi a indicada por mais jogadores (14%), seguindo-se a Lite (7%) e, por fim, o modelo OLED (2 por cento). Entre as Xbox, a One S e a Series X foram referidas por 3% dos utilizadores, cada uma, e a Series S por apenas 2 por cento. A maioria das consolas (64%) foi comprada nova em 2021, ou mais tarde, e os proprietários contam conseguir divertir-se com o equipamento durante quatro ou cinco anos.
Quase metade dos jogadores (46%) subscreve um plano online que permite aceder a vários jogos gratuitamente.
Jogam uma média de oito horas por semana
Na grande maioria das situações, a pessoa que respondeu ao questionário é quem mais usa a consola: nove em cada 10 inquiridos. Contudo, quase metade partilha a utilização daquela com crianças ou outros adultos do lar. Quanto ao tempo em frente ao ecrã, em média, é de oito horas semanais.
Os jogadores podem usar as consolas sozinhos ou com outras pessoas e podem fazê-lo ligados ou não à internet. A maioria (62%) prefere jogar com alguém, sobretudo online e com pessoas que conhece. Entre quem joga pela internet, 71% comunicam por voz, quando conhecem quem está do outro lado e, por vezes, também por texto, embora menos. Já quando não conhecem as pessoas com quem partilham jogadas, a comunicação escrita é mais usada do que a oral, apesar de quase metade dos inquiridos (46%) referir que prefere nem conversar com estranhos.
Conheça em detalhe os resultados para as consolas Playstation, Nintendo Switch e Xbox analisadas.
Satisfação em alta
Mais de metade dos que optaram pela PlayStation indicaram tê-lo feito por a considerarem a melhor consola no mercado. A mesma razão foi apresentada por 48% dos utilizadores da Xbox e 20% dos detentores de uma Nintendo Switch. De facto, dos que escolheram esta última, a maioria fê-lo devido à portabilidade da consola (67%), algo difícil nas restantes marcas, ou porque certos jogos – como Super Mario, Pokémon ou Zelda – só existem para a mesma (66 por cento). A especificidade dos jogos também foi razão para quem optou pela PlayStation e pela Xbox, mas em menor medida. A Nintendo Switch foi a mais pedida por filhos ou familiares. Por fim, verificou-se que 41% dos detentores de uma PlayStation e 32% de quem possui uma Xbox são leais às marcas, ou seja, tendem a comprar a nova geração, quando trocam de aparelho.
Dada a percentagem de jogadores fiéis, não é de estranhar que a satisfação com as consolas seja elevada e muito idêntica. Quanto aos vários aspetos analisados, verificou-se que a retrocompatibilidade dos acessórios, como a possibilidade de usar comandos de consolas mais antigas, é o fator com as apreciações mais baixas. Na mesma linha, a capacidade de se correr os jogos de consolas mais antigas também foi algo que desagradou na Nintendo Switch (6,4 pontos em dez), um pouco menos na PlayStation (7,1) e que agradou na Xbox (7,6). Trocar de consola e não poder continuar a usufruir dos jogos que tem deveria ser um aspeto mais tido em conta pelas marcas. Já o desempenho, a conetividade e o catálogo de jogos são os pontos que deixam os utilizadores mais satisfeitos. A memória interna, apesar de não obter uma apreciação baixa (entre 7 e 7,4), é algo que os jogadores gostariam certamente que fosse um pouco maior.
Vários utilizadores referiram problemas com as consolas, mas, em regra, estes foram ligeiros e não afetaram o funcionamento do aparelho. Apenas uma minoria revelou ter sofrido problemas moderados ou graves. A única exceção verificou-se com os comandos originais que equipavam a consola aquando da compra: 15% dos inquiridos afirmaram ter enfrentado problemas moderados ou graves com os mesmos.
Jogos afetam sono
Há vários estudos e teorias sobre o impacto dos jogos de vídeo na vida das pessoas. Para conhecer a opinião de quem joga, foi incluída, no questionário, uma pergunta sobre até que ponto os inquiridos consideram que os jogos de vídeo têm um impacto negativo em vários aspetos da vida. Para a análise das respostas a esta questão, usámos apenas os dados de Portugal.
Cerca de um terço, dos 453 inquiridos, indicou que os jogos de vídeo têm algum ou mesmo um grande impacto negativo no sono e no descanso. A vida social e a familiar também são afetadas, mas só 13% dos jogadores que responderam consideraram tratar-se de algum ou um grande impacto negativo. A saúde mental foi a área menos apontada.
|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
