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O impacto dos suplementos alimentares na dieta dos atletas

12 setembro 2016
66% dos atletas portugueses de alto nível toma suplementos nutricionais.

12 setembro 2016
Cerca de 66% dos atletas de alta competição toma suplementos alimentares, 15% dos quais podem conter substâncias que acusam positivo no teste de “doping”. Não consuma sem esclarecer com um nutricionista se as combinações de alimentos que faz são suficientes.
A descoberta é de um projeto realizado por duas faculdades da Universidade do Porto, que teve por base a aplicação de dois questionários a 304 desportistas de várias federações. Os suplementos mais usados são os multivitamínicos/multiminerais, as bebidas desportivas, o magnésio e a proteína.

Cerca de 15% destes suplementos estão potencialmente contaminados com substâncias passíveis de acusar “positivo” no teste de “doping”, algo que pode levar à exclusão dos atletas das competições oficiais. O preço e sabor destes produtos são outros dois aspetos que não os beneficiam.

O aceleramento da recuperação muscular é o principal motivo para a toma destes suplementos. Os atletas que os utilizam seguem, na maioria, uma boa alimentação e por isso têm menor propensão para sofrer de carência de nutrientes.

Um segundo estudo, complementar ao projeto, debruçou-se sobre o efeito da substituição dos suplementos por uma alimentação combinada na recuperação. Para isso, comparou o consumo de um suplemento e o de um batido (uma mistura de alimentos) com composições nutricionais idênticas. Após a medição de variáveis como o dano e o desconforto muscular, a recuperação funcional, o stress oxidativo e os parâmetros metabólicos, concluiu-se que o padrão de recuperação é igual.

O uso inapropriado destes produtos pode ter consequências para a saúde, sem qualquer benefício. O consumo excessivo de proteína, por exemplo, pode agravar problemas renais já existentes e aumentar o risco de osteoporose.

Uma dieta saudável e equilibrada, adequada à prática desportiva e que inclua todos os grupos de alimentos, é na maior parte dos casos suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais. É também mais segura e menos dispendiosa.

Os suplementos alimentares multivitamínicos, multiminerais ou que contenham micronutrientes individualmente só beneficiarão o rendimento desportivo se corrigirem alguma carência nutricional ou desequilíbrio alimentar. Por outro lado, há também que ter em conta que os suplementos não são controlados de forma tão rigorosa quanto os medicamentos.

Não avance para a suplementação sem consultar um profissional de saúde, como um nutricionista. Deverá recorrer a estes profissionais também para saber quais as combinações de alimentos que mais se adequam às suas necessidades.

O projeto "Suplementos nutricionais e alimentação no desporto" foi desenvolvido pelas faculdades de Desporto (FADEUP) e de Ciências da Nutrição e Alimentação (FCNAUP) da Universidade do Porto.

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