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No último ano, 41% dos portugueses consumiram suplementos alimentares

Cerca de quatro em cada dez portugueses consumiram suplementos nos últimos 12 meses. O nosso inquérito revela como a pandemia alterou o comportamento dos consumidores.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
28 setembro 2021 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
Uma mão com suplementos alimentares e outra com um bróculo

iStock

Nos últimos 12 meses, 41% dos portugueses tomaram suplementos alimentares. Estes são dados de um inquérito online que realizámos, em maio de 2021, em parceria com os nossos congéneres belgas, italianos e espanhóis. O objetivo era obter informações sobre o consumo de suplementos alimentares, a forma como são adquiridos e as crenças que ainda persistem.

No nosso inquérito, participaram duas amostras da população entre os 18 e os 74 anos: uma proporcional à população em geral, tendo em conta o género, a idade e a distribuição geográfica, e outra de consumidores de suplementos alimentares. As respostas publicadas, que refletem a opinião dos inquiridos, referem-se aos participantes portugueses.

A maioria toma suplementos para fortalecer o sistema imunológico

O inquérito foi respondido por 1001 cidadãos nacionais, dos quais 659 tomam suplementação. Destes, 59% são mulheres, com uma média de 39 anos. No panorama dos consumidores de suplementos, à medida que o nível de escolaridade aumenta, o consumo também tende a aumentar: mais de metade dos consumidores (57%) têm um nível de escolaridade elevado.

No que ao local de compra diz respeito, 42% compram online, correspondendo a faixa etária entre os 18 e os 34 anos aos que mais optam por este método (48%). Porém, o local que mais vende é a tradicional farmácia, com 63% das compras de suplementos alimentares. Por sua vez, os supermercados são a escolha de 13% dos inquiridos que consomem suplementação.

A principal razão apontada pelos portugueses para consumirem suplementos alimentares é o fortalecimento do sistema imunológico (61%). Ter mais energia (60%) e restabelecer os níveis de vitaminas e minerais no organismo (52%) são as razões que se seguem.

Os consumidores portugueses que já pararam de tomar suplementos afirmam tê-lo feito durante um período de um a três meses. E a principal justificação para essa paragem é o facto de o tempo recomendado de toma ter terminado (53%). Terem alcançado os objetivos pretendidos é a segunda razão mais referida (40%).

Apenas quatro em cada dez portugueses que usam suplementos dizem-se muito satisfeitos com a duração do tratamento, e 27% com o preço. No que aos efeitos colaterais diz respeito, os níveis de satisfação aumentam: 74% afirmam estar muito satisfeitos com a ausência de efeitos secundários.

Mais consumo de suplementos em tempos de covid-19

Mais de 40% dos portugueses inquiridos acreditam que alguns suplementos alimentares podem ser úteis para combater a covid-19. No entanto, não há evidência científica que comprove a afirmação e, como tal, é, por enquanto, um mito. A verdade é que três em cada dez pessoas que já tomavam suplementos antes da pandemia aumentaram o consumo destes aquando do aparecimento do vírus SARS-CoV-2. A maioria destes (71%) acreditam que os suplementos irão reforçar o sistema imunológico e prevenir a infeção.

Tomar com supervisão médica

A maioria dos portugueses (76%) defende que os suplementos alimentares devem ser tomados sob a supervisão de um profissional de saúde. Este "jogar pelo seguro" reflete-se nos números: 35% pediram informações sobre a toma de suplementação a um médico, 27% a um farmacêutico e 14% a um nutricionista.

Consulte sempre um profissional de saúde, visto que os suplementos alimentares podem ter efeitos colaterais graves quando consumidos, em simultâneo, com outros suplementos, com alimentos específicos ou com medicamentos. Por exemplo, algumas algas marinhas usadas na sua composição tendem a provocar distúrbios de tiroide em grávidas e crianças, e agravar o estado de saúde de quem já sofre desse problema. Os dados revelam que 14% dos portugueses que consomem suplementos alimentares de algas têm, também, problemas de tiroide. Apesar de não serem resultados conclusivos, não é recomendado que pessoas com estes distúrbios o façam. Os níveis de iodo que as algas dão podem ser obtidos com uma ingestão suficiente de peixe.

Não tome suplementos por conta própria, e prefira sempre a alimentação equilibrada e variada.

Na União Europeia, os suplementos alimentares são regulados como alimentos e destinam-se a corrigir deficiências nutricionais, manter a ingestão suficiente de alguns nutrientes e, ainda, coadjuvar em certas funções fisiológicas. Não são medicamentos e, como tal, não podem ser utilizados para fins medicinais. Devem ser tomados apenas na dose diária recomendada no rótulo do produto. Os suplementos alimentares não substituem uma alimentação equilibrada e variada e nem sempre são necessários.

Seis mitos sobre suplementos alimentares

O conhecimento sobre suplementos alimentares ainda é escasso. Ajudamos a esclarecer alguns mitos.

As crianças precisam de tomar suplementos (por exemplo, vitaminas).

Falso. Uma dieta variada, rica em frutas e vegetais, pode fornecer todos os nutrientes (vitaminas e minerais) necessários.

26% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

As grávidas precisam de tomar suplementos.

Verdadeiro. Durante a gravidez, as exigências nutricionais aumentam e, como tal, a alimentação diária pode não fornecer todos os micronutrientes necessários. É crucial tomar suplementos, como ácido fólico, com a supervisão de um médico.

62% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

Suplementos alimentares são menos prejudiciais do que medicamentos.

Falso. A mesma substância pode ser utilizada para o fabrico de suplementos alimentares e para o de medicamentos. Por isso, ambos podem ter potenciais efeitos adversos.

9% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

Suplementos naturais (por exemplo, de plantas medicinais) são mais saudáveis do que suplementos sintéticos.

Falso. Não existe relação entre o facto de ser natural e a sua segurança. Estudos demonstram que a absorção de nutrientes naturais e sintéticos é diferente, dependendo do nutriente. A escolha terá de ser sempre do profissional de saúde.

6% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

Alguns suplementos podem ser úteis para combater a covid-19.

Falso. Não há orientação sobre suplementação que previna a covid-19 em indivíduos saudáveis, ou mesmo que trate a doença. A ingestão de micronutrientes, que permitem o bom funcionamento do sistema imunológico, deve ser feita através de frutas, legumes e alimentos de origem animal.

18% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

Os suplementos alimentares devem ser tomados sob a supervisão de um profissional de saúde (por exemplo, farmacêutico, médico, etc.).

Verdadeiro. É crucial consultar um profissional de saúde antes de tomar suplementação. Nem sempre precisamos de extras; só de uma alimentação equilibrada e variada.

76% dos portugueses inquiridos acertaram na resposta.

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