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Mitos sobre o novo coronavírus

As alturas de maior receio são propícias ao aparecimento de informações falsas. Comer alho, lavar as mãos com vinagre e tomar banhos quentes não evita o contágio por covid-19. Conheça os mitos à volta do coronavírus.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos e Alda Mota
25 janeiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos e Alda Mota
Mitos sobre o Coronavírus

iStock

Um dos grandes mitos sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) é o de ter sido criado em laboratório, com várias versões que envolviam a China e os Estados Unidos a circularem pela internet. A comunidade científica descartou estes rumores e ainda tenta descobrir a origem exata do vírus. Mas existem muitos outros.

Os suplementos e produtos contra o novo coronavírus não são eficazes

Vários são os produtos, suplementos ou dispositivos enganosos, anunciados com a promessa de eliminar o coronavírus, cuja eficácia é desprovida de qualquer base científica.

Os secadores de mãos não são eficazes para matar o vírus. Para se proteger contra o novo coronavírus deve tomar as medidas recomendadas pelas autoridades, nomeadamente lavar frequentemente as mãos com água e sabão, manter o afastamento social e adotar as medidas de etiqueta respiratória.

As lâmpadas ultravioleta, além de não eliminarem o vírus, não devem ser usadas para esterilizar as mãos ou outras áreas da pele porque a radiação UV pode causar irritações cutâneas.

Os scanners térmicos são eficazes para detetar pessoas que desenvolveram febre e, portanto, podem estar infetadas, mas não conseguem detetar pessoas que estão infetadas e ainda não têm febre devido ao período de incubação do vírus.

Pulverizar soluções à base de álcool ou cloro no corpo inteiro não mata os vírus que já entraram no corpo. A pulverização de tais substâncias pode, inclusive, ser perigosa se atingir os olhos ou a boca. Tanto o álcool como o cloro podem ser úteis na desinfeção de superfícies, mas têm de ser usados apropriadamente.

As vacinas contra a pneumonia também não oferecem qualquer proteção contra o novo coronavírus. Por ser tão novo e diferente, o vírus precisa de uma vacina própria. Até ao momento, não há nenhum medicamento específico com eficácia e segurança devidamente testadas para prevenir ou tratar o novo coronavírus. As pessoas infetadas devem receber os cuidados adequados nos hospitais referenciados para o efeito.

Os antibióticos não funcionam contra os vírus, apenas contra bactérias. Logo, os antibióticos não devem ser usados como meio de prevenção ou tratamento da covid-19.

O alho é um alimento saudável que pode ter algumas propriedades antimicrobianas. Comer alho para se proteger do novo coronavírus é outro dos mitos propagados, assim como o uso de óleo de sésamo.

Lavar o nariz regularmente com soro fisiológico é outro dos mitos, pois não há evidência que conclua que esta prática protege da infeção pelo novo coronavírus.

Lavar as mãos com vinagre ou gargarejar com água e vinagre ou limão não são soluções para prevenir ou combater a covid-19, já que não há provas científicas da sua eficácia.

Desinfetante manual caseiro não é solução. Inúmeras receitas milagrosas invadiram os sites e as redes sociais nos últimos dias, mas não recomendamos. Os consumidores desconhecem as proporções corretas, e a internet não tem a resposta certa. Apenas dá uma falsa sensação de segurança. Siga as boas práticas para limpar e desinfetar a casa.

A vodca e outras bebidas alcoólicas não destroem o vírus. Estas bebidas não contêm álcool etílico suficiente (40%, face aos 70% necessários) para matar o coronavírus.

O clima frio e a neve não matam o novo coronavírus

Não há nenhuma razão para acreditar que o frio ou a neve consigam eliminar o SARS-CoV-2 ou qualquer outro microrganismo causador de doenças. A temperatura normal do corpo humano ronda os 36,5ºC a 37ºC, independentemente da temperatura exterior ou do clima. Também é falso que o coronavírus não se transmite em zonas quentes e húmidas. A evidência mostra que a propagação pode ocorrer em todas as áreas geográficas.

Tomar banhos quentes não previne a covid-19

Além de não eliminar o vírus, o banho com água muito quente pode provocar queimaduras. Já ao lavar as mãos de forma adequada, durante 20 segundos, elimina o vírus e evita uma eventual contaminação, se tocar na cara, no nariz ou nos olhos.

O mosquito não transmite o novo coronavírus

Até à data, não há nenhuma informação ou evidência que sugira a transmissão do novo coronavírus por mosquitos. Este é um vírus respiratório que se propaga, sobretudo, através de gotículas respiratórias, provenientes da boca e do nariz, quando a pessoa infetada tosse, espirra ou, mesmo, quando fala. Estas gotículas podem contagiar diretamente outras pessoas ou depositar-se em superfícies e passar para quem lhes tocar.

A alimentação alcalina, com um pH mais elevado, não evita o contágio

Circula nas redes sociais uma lista de alimentos ditos alcalinos divulgada como útil para combater o SARS-CoV-2, com base na indicação de que se trata de um vírus cujo pH varia entre 5.5 e 8.5. Contudo, os valores que aparecem nessa lista estão errados, pois não só atribuem um valor específico para o pH dos alimentos (quando deveria ser atribuído um intervalo), quando há alimentos, como o abacate, que aparecem indicados como tendo um pH de 15.6, o que nem sequer é possível na escala de pH – que determina a acidez ou alcalinidade de uma solução –, que varia de 0 a 14. Além disso, mesmo que essa lista de alimentos e valores de pH fosse credível, ainda não existe qualquer informação cientificamente comprovada sobre qual é o pH do vírus da covid-19.

As encomendas da China podem trazer vírus?

É pouco provável que as encomendas da China transmitam o vírus. O Centro de Controlo e Prevenção de Doença norte-americano e a OMS consideram-nas seguras. Apesar de não se conhecer com rigor a origem e a forma de transmissão do vírus, há informação de que seja geneticamente relacionado com outros membros da família coronavírus, nomeadamente o MERS e o SARS.

Os dados sobre estes dois vírus indicam que sobrevivem pouco tempo "em superfícies" e que se transmitem, sobretudo, através de gotículas de saliva. Assim, é pouco provável haver contágio através de encomendas provenientes da China, em trânsito durante vários dias ou semanas, à temperatura ambiente.

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