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Covid-19 prejudica 60% dos trabalhadores

Desde do início da crise do novo coronavírus em Portugal, 9% dos trabalhadores perderam o emprego, 30% estão parados e 19% viram o seu horário de trabalho diminuir. Mas nem tudo são más notícias.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Fátima Ramos
27 abril 2020
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Fátima Ramos
mulheres a trabalhar em escritório com máscaras

iStock

Que a pandemia covid-19 alterou o estilo de vida dos portugueses está à vista de todos e ninguém consegue fugir-lhe. O nosso inquérito a uma amostra representativa da população adulta nacional revela múltiplas facetas deste novo mundo. A mais negra, depois das vidas perdidas, claro, será a diminuição de rendimentos das famílias, associada à perda de emprego e à falta ou redução do trabalho, que afeta quase 60% da população ativa. Num inquérito que realizámos em meados de março, o prejuízo total das famílias já rondava 1,4 mil milhões de euros.

Esta vaga de desemprego tem atingido três vezes mais mulheres do que homens (13% versus 4%). Uma em cada 10 famílias viu, pelo menos, um dos elementos perder o trabalho. Até ao momento, 4% dos agregados têm os dois membros do casal sem atividade profissional.

Dos que continuam a trabalhar, três em cada 10 fazem-no sempre a partir de casa e cerca de um quinto labora parcialmente nestas condições – por exemplo, algumas empresas têm equipas rotativas em teletrabalho. A maioria dos teletrabalhadores diz que a nova forma de trabalhar não altera, ou até melhora, os níveis de atividade, bem como o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Contudo, uma percentagem ainda considerável indica que a concentração (38%) e eficiência (37%) diminuíram. Como seria de esperar, a situação agrava-se quando há crianças e jovens em casa.

Bom ambiente em casa

A trabalhar ou não, muitos receavam que o confinamento pudesse criar mais tensão familiar e gerar conflitos. Na verdade, seis em cada 10 inquiridos que coabitam com outras pessoas confirmam ter passado por algumas situações de fricção, sobretudo, devido à partilha de tarefas domésticas ou por estarem no mesmo espaço durante todo o dia. As diferenças de opinião sobre as medidas de prevenção da covid-19 a adotar são outros rastilhos incendiários. Nos agregados com crianças, o acompanhamento escolar é também é foco de conflito, segundo 28% dos inquiridos.

Apesar das naturais tensões, 45% dos portugueses que coabitam com outros revelam que as restrições à mobilidade tiveram um impacto positivo no relacionamento familiar, sobretudo, em agregados que incluem casais com filhos menores.

Saúde sob pressão

O bom ambiente familiar é útil, mas não elimina as mazelas na saúde provocadas pelo confinamento. Seis em cada 10 inquiridos, com destaque para as mulheres, assinalaram que as restrições à mobilidade prejudicam o seu bem-estar psicológico. Para os especialistas em saúde mental, este sentimento é perfeitamente normal e não é causado apenas pelo confinamento. A situação de incerteza em que vivemos, muitas vezes, associada à redução dos rendimentos também contribui, e muito, para o aparecimento de emoções negativas, como raiva, tristeza e medo, que podem condicionar comportamentos e ter consequências sérias. Por exemplo, foi o medo de contrair covid-19 que impediu um quarto dos inquiridos que tiveram um problema grave de saúde de se deslocarem ao hospital, arriscando-se a que a situação evoluísse sem retorno. 

Também a condição física se ressente do confinamento. Neste aspeto, os mais queixosos têm entre 30 e 60 anos. A falta de atividade física e a ingestão de maior quantidade de comida (referida por 39% dos portugueses), incluindo snacks doces e salgados, são caminho andado, por exemplo, para o aumento de peso.

Mudança de hábitos na alimentação

A recomendação para permanecer o mais possível em casa para prevenir o contágio pelo novo coronavírus levou muitos portugueses a abastecer a despensa para períodos mais longos, incluindo maior quantidade de alimentos com prazo de validade mais longo, como é o caso dos congelados e dos enlatados. Em geral, produtos como o peixe, carne, legumes e leguminosas congelados ou em conserva têm uma qualidade nutricional idêntica ao dos produtos frescos. No caso das conservas, há que ter em conta que o teor em sal, no geral, é mais elevado: valores entre 0,3 e 1,5 g por 100 g são considerados como moderados. Verifique os rótulos. O ideal é intercalar o consumo de produtos em conserva com os frescos e os congelados, de modo a manter uma alimentação mais saudável.

Seis em cada 10 inquiridos afirmam ir menos vezes ao supermercado pessoalmente, sendo que uma boa parte também frequenta menos os mercados tradicionais (49%) e o comércio local (44 por cento). Por isso, não é de estranhar que 35% tenham adquirido o bom hábito de planear as refeições para um período alargado, antes de ir às compras, seja ao estabelecimento físico ou à loja online.

Por terem maior disponibilidade ou já fruto da redução dos rendimentos, cerca de um quinto dos inquiridos presta, agora, mais atenção aos preços dos produtos, e um terço afirma aproveitar sobras de refeições anteriores. Oito em cada 10 revelam não desperdiçar comida, quase o triplo dos que o faziam no início deste ano. Além da poupança que fazem, este consumidores contribuem para a sustentabilidade do planeta.

Jovens fogem ao confinamento

A alteração de hábitos quererá dizer que estamos a cumprir à risca as regras do confinamento? Nem sempre. Apenas 6% dos inquiridos afirmam não ter saído de casa uma única vez na última semana. A grande maioria saiu para comprar alimentos, medicamentos ou outros produtos, sendo que quatro em cada 10 o fez mais do que uma vez por semana. Quase metade foi passear ou correr nas redondezas da habitação, conforme previsto nas medidas do estado de emergência, mas 10% saiu da sua área de residência.

Os prevaricadores são, sobretudo, os mais jovens, entre os 18 e os 30 anos. Estes são também os que mais contrariam a regra de evitar os contactos sociais: cerca de um quarto confessou ter saído para se encontrar com familiares ou amigos – 12% da população geral teve o mesmo comportamento. Quem vive sozinho também é mais propenso a quebrar o isolamento, arriscando o contágio.

Estes números exigem alguma reflexão numa altura em que se fala em levantar as restrições impostas pelo estado de emergência. Por muito que nos custe, enquanto não houver uma vacina, não podemos voltar as velhos (e bons) hábitos de convívio social despreocupado. Como têm vindo a insistir as autoridades de saúde, para que não recuemos no terreno já conquistado, é preciso continuar a respeitar as medidas aconselhadas pelos especialistas.

Resultados do estudo

Como estão os portugueses a adaptar o seu estilo de vida face à crise do novo coranavírus.

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 Como fizemos o estudo

Para este estudo, entre 17 e 20 de abril, enviámos um questionário online a uma amostra da população adulta portuguesa. No total, recebemos 1008 respostas, que foram ponderadas pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, por forma a refletirem a realidade nacional.

 

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