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Alimentar pombos pode dar multa

15 agosto 2016
Dar comida a pombos é proibido e punível com coima em muitos municípios portugueses, como Lisboa e Porto.

15 agosto 2016
Dar comida a pombos é proibido e punível com coima em muitos municípios portugueses. Também pode ter alguns riscos para a sua saúde.
Lisboa, Porto, Cascais e Sintra são alguns dos municípios que proíbem a população de alimentar os pombos da cidade e aplicam coimas aos infratores. Na capital, o valor destas sanções é de um vigésimo a um quinto do salário mínimo nacional – ou seja, entre € 26,5 e 106 euros.

O fornecimento de alimentos que não os da dieta tradicional, e em grande quantidade, leva à reprodução descontrolada dos pombos e favorece a convivência entre espécimes saudáveis e doentes, o que enfraquece a espécie. A situação contribui também para a multiplicação dos dejetos destes animais, os quais estão na origem da maior parte dos problemas a eles associados.

O principal risco para a saúde pública é o perigo de transmissão de doenças, como a criptococose e a histoplasmose, através das fezes secas destas aves. Em ambas, o risco de contágio é maior nas camadas mais vulneráveis da população: crianças, idosos e pessoas com sistemas imunitários enfraquecidos, como os doentes de cancro ou VIH/SIDA.

A histoplasmose é provocada por um fungo que se desenvolve nas fezes dos pombos. Pode também ser encontrado em fezes de morcegos ou no solo e é transportado pelo vento. A inalação deste fungo pode acontecer durante a limpeza dos dejetos, sendo que a exposição prolongada causa infeção.

Os sintomas da histoplasmose surgem cerca de 10 dias após a infeção e podem incluir fadiga, febre e dores no peito, mas a maioria dos casos é assintomática. Assim, a maior parte das situações de infeção com histoplasmose assemelha-se a uma infeção respiratória moderada. Esta doença não é transmissível através do contacto humano.

A criptococose é outra doença fúngica presente nas fezes dos pombos e desenvolve-se no solo. Uma pessoa saudável raramente desenvolve esta doença, mesmo com níveis de exposição elevados. As pessoas com um sistema imunitário comprometido são as que correm maior risco de infeção. O contacto com fezes secas, ectoparasitas e penas pode ainda causar problemas alérgicos e respiratórios, entre outros.

A Câmara Municipal de Lisboa, que desenvolve várias ações para controlar a população de pombos da cidade, aponta ainda os problemas de urbanismo e estética que a reprodução descontrolada pode originar. A par do mau aspeto que dão a estátuas e edifícios, as fezes do animal têm efeito corrosivo sobre bronzes e cantarias. Outro risco potencial é o de inundações, provocadas pelo entupimento de sarjetas e algerozes com restos de ninhos, dejetos e animais mortos.

Na capital, os pombos são alimentados diariamente com milho ao qual é acrescentado um contracetivo oral em algumas alturas do ano. Segundo a autarquia, o contracetivo não prejudica as aves e serve apenas para reduzir o número de ovos que põem, mas só é eficaz se cada pombo ingerir 30 gramas de grão por dia, o que não acontece se já tiver comido. Também por essa razão é tão importante não alimentar estas aves.

 


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