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Como as alterações climáticas influenciam a saúde

Cheias, ondas de calor, incêndios, degelo e subida do nível médio das águas do mar são efeitos visíveis e dramáticos das alterações climáticas. As consequências para a vida e a saúde humana são inevitáveis. Saiba como agir.

  • Dossiê técnico
  • João Oliveira
  • Texto
  • Fátima Ramos
19 novembro 2021
  • Dossiê técnico
  • João Oliveira
  • Texto
  • Fátima Ramos
Alterações climáticas

iStock

Com a intensificação das alterações climáticas, aumentam a frequência e a intensidade de fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, vagas de frio, cheias e secas; sobe o nível da água do mar; alteram-se os ecossistemas e os padrões de distribuição de doenças infecciosas no planeta; crescem as migrações, a pressão sobre os recursos naturais e, consequentemente, os conflitos sociais e económicos. As consequências para a vida na Terra e na saúde do Homem não se fazem esperar, podendo estar em causa a própria sobrevivência.

Como contribuir para a sustentabilidade do planeta

Calor extremo provoca cem mil mortes prematuras por ano

Ao nível europeu, estima-se que as ondas de calor causem cem mil mortes prematuras por ano, desde meados da década de 1990. E, de acordo com o relatório The Lancet Countdown on Health and Climate Change, de 2020, a exposição ao calor extremo aumentou drasticamente desde 2010. As zonas urbanas, com elevado número de edifícios e de redes viárias, retêm mais calor do que as rurais. A população mais idosa, as grávidas, os doentes crónicos, os obesos, quem vive sozinho e os que trabalham no exterior, por exemplo, são particularmente vulneráveis a estes fenómenos. Os efeitos na saúde podem variar entre a fadiga e os problemas cardíacos, passando por stresse, cãibras, desidratação, problemas respiratórios e de pele, ansiedade e depressão. No caso das grávidas, o calor extremo pode acelerar o parto e/ou causar problemas congénitos.

Cheias e chuva intensa: ambiente favorável para vírus e bactérias

As mais recentes cheias na Europa ainda estão na memória coletiva. Nestas situações, a maioria das mortes deve-se a afogamentos, mas também podem resultar, por exemplo, de traumatismos, enfartes e eletrocussão. Multiplicam-se os pontos de água parada, ideais para o desenvolvimento de insetos potencialmente transmissores de microrganismos causadores de doenças, como o vírus do Nilo. A humidade, por seu lado, favorece o crescimento de fungos, que podem afetar as vias respiratórias. A contaminação da água de consumo (e de rega) por detritos arrastados pelas cheias é outro risco. Esta pode facilitar a ocorrência de infeções por salmonelas, diarreia ou gastrites.

Incêndios afetam a saúde física e mental

As temperaturas elevadas e a seca contribuem para épocas de fogos mais longas e zonas de risco mais extensas. Em 2017, Portugal reportou mais de 10 mil fogos, sendo, juntamente com Espanha, dos países europeus com mais problemas a este nível. Além de lesões físicas, como queimaduras, os fogos, bem como o fumo e as partículas que produzem, podem causar irritação nos olhos e desencadear ou agravar doenças respiratórias. A probabilidade de impacto no foro mental é elevada, sobretudo quando há perda de meios de subsistência, bens e/ou mortes de pessoas e animais. Os fogos e a seca podem ainda contribuir para a degradação da qualidade da água e o consequente aparecimento de doenças.

Alergénios ambientais estão a aumentar

Cerca de um quarto dos adultos e 30 a 40% das crianças que vivem na Europa sofrem de alergias, muitas desencadeadas por pólenes e esporos produzidos por plantas. Com as alterações climáticas, a vegetação também muda: além de crescerem mais depressa, as plantas florescem mais cedo e durante mais tempo, alargando a época dos pólenes e a respetiva concentração. Algumas zonas ganham novas espécies, pelo que a população é exposta a vários alergénios, com risco de reação cruzada. Existe ainda evidência de que a associação entre poluentes do ar e alguns pólenes aumenta o potencial alergénico. Nestas condições, há perigo de agravamento da asma e aumenta a frequência da rinite ou de outras reações alérgicas, como as cutâneas.

Cinco dicas para se proteger das adversidades do clima

Os consumidores podem e devem tomar algumas medidas para preservarem a sua saúde física e mental face aos riscos impostos por fenómenos climáticos. 

  1. Primeiro, convém acompanhar as notícias sobre a qualidade do ar, por exemplo, no site da Agência Portuguesa do Ambiente. Em dias de muito calor e em alturas de trânsito intenso, de grande concentração de pólenes ou de elevados níveis de radiação, limite as atividades de lazer e o exercício físico ao ar livre.
  2. Areje a casa todos os dias e mantenha os estores e os cortinados fechados ou semicerrados. Em caso de calor intenso, se possível, permaneça num local fresco, use roupa clara e beba água com frequência.
  3. Face a um incêndio, use máscara para se proteger do fumo, siga à risca as indicações das autoridades e não conduza em áreas de fogo. Para fazer limpezas na zona ardida, use máscara, calças, mangas compridas, botas e luvas.
  4. Num cenário de cheias ou inundações, evite levar o carro para locais alagados e, se possível, não fique na água. Perante um alerta para não beber água da torneira, não a usar para cozinhar ou no banho, siga as indicações até as autoridades afirmarem que a mesma é segura. 
  5. Mantenha os mosquitos transmissores de doenças à distância. Dengue, chikungunya, febre do Nilo e malária são as patologias propagadas por mosquitos que mais preocupam a Europa. O responsável pela transmissão da dengue fixou-se na Madeira há quase 20 anos. O da malária e da febre do Nilo já foi identificado no centro e no sul da Europa, incluindo Portugal, e parece estar a espalhar-se pelo restante território. As águas paradas, por exemplo, em poças ou vasos, são o meio ideal para o seu desenvolvimento. Evite-as e use redes mosquiteiras nas janelas, sobretudo em áreas rurais. Se rumar para zonas tropicais, não se esqueça da consulta do viajante. Mais vale prevenir.

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