Venho por este meio apresentar uma denúncia relativa a graves falhas de acompanhamento, vigilância e transparência por parte do Lar Adolfo Coelho, que culminaram na morte de uma jovem de 18 anos, residente.
A jovem em causa apresentava sinais claros e reiterados de sofrimento psicológico, incluindo antecedentes de tentativas de suicídio e comportamentos de automutilação, factos que eram do conhecimento da instituição. Apesar disso, segundo vários relatos, não lhe foi prestada a devida atenção nem acompanhamento adequado.
Existem mensagens escritas pela própria jovem onde refere ter pedido ajuda e solicitado ser levada ao hospital, tendo-lhe sido respondido que “já era tarde” e que não a poderiam levar. Há igualmente testemunhos de que algumas educadoras adotavam atitudes desrespeitosas, chegando a gozar com a situação da jovem, em vez de agir com empatia e responsabilidade.
A jovem era mãe de uma bebé ainda muito pequena, que acabou por ficar privada da mãe. Segundo relatos de outras residentes, existia falta de vigilância, situação que colocava em risco as jovens acolhidas.
A jovem acabou por atentar contra a própria vida dentro das instalações da casa de acolhimento, sem que nenhum educador se apercebesse da sua ausência ou do seu estado durante um período crítico. Quando foi encontrada, já se encontrava em estado grave, tendo sido transportada para o hospital, onde infelizmente veio a falecer.
Após o sucedido, os familiares e pessoas próximas não receberam informações claras nem verdadeiras. Foram ocultados factos relevantes, fornecidas informações contraditórias, incluindo horários incorretos relativos ao funeral/cremação, e, quando se procuravam esclarecimentos, era afirmado que “estava tudo bem”, mesmo quando já não havia notícias da jovem.
Consideramos que houve negligência grave no dever de cuidado, vigilância, acompanhamento psicológico e comunicação, bem como ocultação de informação após a morte da utente. Esta denúncia pretende não só apurar responsabilidades, mas também alertar para a segurança de outros jovens atualmente acolhidos, uma vez que existem relatos adicionais de outras tentativas de suicídio que também terão sido negligenciadas.
Esta situação não pode ser tratada como um caso isolado, mas como um falhanço sério de uma instituição que tinha o dever legal e moral de proteger uma jovem vulnerável.
Solicita-se a devida averiguação dos factos e a tomada de medidas para que situações desta gravidade não se repitam.