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Onde fazer e quanto custa um curso de mergulho

Respirar pelo regulador, partilhar ar e tirar a máscara debaixo de água: descemos aos 18 metros e sobrevivemos. O preço dos cursos arranca nos 360 euros.

  • Dossiê técnico
  • Miguel Lage
  • Texto
  • Ana Catarina André e Nuno César
16 julho 2019
  • Dossiê técnico
  • Miguel Lage
  • Texto
  • Ana Catarina André e Nuno César
curso de mergulho provas piscina

Rodrigo Cabrita

Do Porto ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira, investigámos 32 escolas de mergulho. O curso custa entre 360 e 450 euros. O preço inclui instrutor, seguro e material.

Estamos num barco semirrígido, na costa de Sesimbra, prestes a iniciar a etapa decisiva do curso de mergulho: entrar no mar. Depois de um período intenso de preparação em grupo (estudo, exame escrito e dez horas de treino na piscina), estamos equipados e prontos a saltar. Somos três: sabemos nadar, mas nunca fizemos mergulho. Até obter o certificado que nos habilitará a praticar a modalidade em todo o mundo (a 18 metros de profundidade), faremos duas sessões em ambiente aquático natural. Cada uma inclui dois mergulhos.

Antes de sair de terra, é preciso montar o material e arrumá-lo. Um dos desafios da estreia foi a inquietação dos sete metros de distância até ao fundo. O instrutor Miguel Miranda, do Centro Português de Atividades Subaquáticas, está na dianteira e nunca nos perde de vista. Uma das regras básicas é nunca praticar a modalidade individualmente. Saltamos de costas. Tiramos o ar da asa (equipamento que transportamos às costas para controlar a flutuabilidade) e deixamos que os pesos que carregamos à cintura (cinto de lastro) nos ajudem a descer. A água do mar não está completamente translúcida, mas permite observar alguma flora e fauna, caso dos sargos, peixes comuns na costa portuguesa. De seguida, fazemos alguns exercícios: tiramos e pomos a máscara, partilhamos ar com o parceiro.

Do estudo às garrafas de ar para mergulhar

O curso começou em casa numa plataforma de estudo online. Ficamos a conhecer as regras e a evolução da modalidade. Na verdade, o mais importante é perceber os efeitos da pressão debaixo da água e as lesões, se não forem cumpridas as regras básicas de segurança. É obrigatório, insistiu o instrutor, usar a chamada técnica de Valsava para compensar a diferença de pressão na água, que é superior à da atmosfera. Quem não o fizer pode sofrer danos graves nos ouvidos, nos pulmões e nos seios perinasais, alguns irreversíveis. Para minimizar os riscos, basta apertar as fossas nasais, soprando com suavidade até que entre ar no ouvido médio (ouve-se um pequeno estalo), enquanto se desce lentamente. Não se deve chegar ao fundo do mar de forma brusca, e muito menos voltar de lá dessa forma. Por razões de segurança, nunca se deve mergulhar constipado ou com o nariz entupido. 

Tudo se torna mais claro nas primeiras horas na piscina. Utilizámos a piscina do Centro Português de Atividades Subaquáticas, que é uma das mais profundas do País. Aconselhamos os friorentos a fazer o curso no verão. O mais difícil parece ser gerir a ansiedade que o ambiente aquático pode provocar. “Ajudar os alunos a ultrapassar esses receios é um dos principais desafios de um instrutor”, explica Miguel Miranda. O material é exigente no manuseamento e pesado. O fato cola-se ao corpo e, nos primeiros minutos, parece demasiado apertado. A garrafa de ar pesa 18 quilos. Quanto melhor for a forma física, mais fácil se torna a prática. A partir dos 12 anos, é possível fazer o curso. “Convém ter algumas noções de natação, ainda que básicas”, alerta Miguel Miranda. Sim, chegámos cansados ao fim de cada treino. Mas estamos ansiosos por voltar ao mar.

Treino na piscina e mergulho no mar

Destacamos as fases do curso. A primeira experiência no mar ocorreu após um exame escrito e dez horas de treino na piscina. É preciso obter uma classificação mínima de 80% no teste.

Equipamento e cuidados abordados na plataforma online com exame. 
Equipamento e cuidados em estudo na plataforma online com exame.

Na piscina: depois de aprender a montar o equipamento, utiliza pela primeira vez o regulador para respirar debaixo de água. 
Na piscina: depois de aprender a montar o equipamento, o aluno utiliza pela primeira vez o regulador para respirar debaixo de água.
Dentro de água, um dos maiores desafios é tirar a máscara e voltar a colocá-la.
Treino mais exigente, com cenários de emergência, como assistência ao companheiro e subidas repentinas. 
Treino mais exigente, com cenários de emergência, como assistência ao companheiro e subidas repentinas.
Mar: a uma profundidade reduzida (10 a 12 metros) repetem-se exercícios feitos na piscina. 
Mar: a uma profundidade reduzida (10 a 12 metros) repetem-se exercícios feitos na piscina.
De novo no mar: o mergulho pode chegar aos 18 metros. 
De novo no mar: o mergulho pode chegar aos 18 metros.
Na costa portuguesa, pode observar espécies como sargos e polvos. Terminado o curso, os alunos recebem o certificado e ficam aptos a mergulhar em qualquer sítio do mundo, até 18 metros de profundidade.

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