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Regresso à escola em tempos de pandemia difícil para um terço dos alunos

Metade dos pais não considera seguro o regresso à escola em tempos de pandemia. Se pudessem escolher, o modelo de aulas misto (presencial e à distância) é o que reuniria mais adeptos.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Alda Mota
21 outubro 2020
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Alda Mota
aluna de máscara na sala de aulas da escola com a professora e outros alunos em plano de fundo

iStock

Reorganização do espaço escolar e reforço das medidas de higiene e distanciamento social foram algumas das alterações mais visíveis no regresso às aulas em setembro passado. Para perceber de que forma se sentiram seguros ao deixar as suas crianças e jovens voltar à escola em período de pandemia, entre 25 e 29 de setembro realizámos um inquérito junto de pais e encarregados de educação com crianças e jovens da primária ao secundário.

Regresso às aulas seguro? Pais estão divididos

As orientações para o regresso às aulas eram conhecidas e foram bastante debatidas nas semanas que antecederam a abertura das escolas: iria haver uma nova organização das salas de aula, com as secretárias afastadas – sempre que possível com mais de um metro de distância –, e ordem para ventilar ao máximo, ou seja, portas e janelas abertas (sempre que tal fosse viável). Depois, seria reforçada a limpeza e desinfeção dos espaços, nomeadamente das secretárias e das casas de banho, havendo a disponibilização de água e sabão e dispensadores de álcool-gel para os alunos poderem lavar as mãos convenientemente ou higienizá-las, sempre que necessário. Além disso, correram pelas televisões imagens de professores e auxiliares a preparar corredores e circuitos de circulação nas escolas, marcando o chão com setas e sinais de sentido proibido. Sabia-se que os alunos iriam ser desincentivados de estar em grupo. E eram conhecidas as recomendações para o uso de máscara por professores, educadores, auxiliares, alunos a partir do 5.º ano, encarregados de educação e fornecedores e outros elementos externos à escola. Mas terá sido isto suficiente para os pais se terem sentido seguros?

O nosso inquérito revela que as opiniões se dividem. Quando considerado o potencial risco de contaminação por covid-19, metade dos encarregados de educação considerou o regresso às aulas inseguro. De acordo com a análise dos dados recolhidos pelo nosso inquérito, um sentimento de completa insegurança foi revelado por 13% dos pais e houve 36% que consideraram que o regresso foi "algo inseguro". Por outro lado, 43% dos inquiridos consideraram que foi "algo seguro" voltar à escola e 8% viram inclusivamente o regresso como "muito seguro". 

Tendo em conta o perigo de contágio, considera o regresso à escola...?

   

A percentagem de pais que disseram sentir-se seguros quanto ao eventual risco de contaminação é superior quando as crianças estudam em escolas privadas (66%). Nas escolas públicas, o grau de segurança sentido pelos encarregados de educação diminui à medida que o grau de escolaridade dos alunos vai avançando. Também no ensino público, a percentagem de pais que sentiram maior segurança é ligeiramente mais alta no Centro do País (55%).

Adaptação mais fácil às novas regras no privado

Recomendações para não abraçar os amigos; necessidade de usar máscara, durante as aulas e os intervalos, para os alunos a partir do 5.º ano; recomendações para higienizar as mãos com frequência; necessidade de seguir o percurso definido para o circuito dentro do espaço escolar... Foram tantas as medidas impostas aos alunos no regresso às aulas, que a pergunta se impôs: como se adaptaram? Em 65% dos casos, os pais inquiridos consideraram que a adaptação dos seus filhos ao novo ambiente da escola foi fácil: 48% responderam que foi "algo fácil" e 17%, "muito fácil".

Como foi a adaptação ao novo ambiente escolar?

 
  
Neste aspeto, o nosso inquérito revela algumas diferenças entre ensino público e privado. É de 78% a percentagem dos encarregados de educação de alunos em escolas privadas cuja adaptação ao novo ambiente escolar foi fácil. Houve até 43% que responderam que os seus filhos se adaptaram de uma forma “muito fácil”. À medida que o grau de escolaridade vai avançando, a percentagem de casos em que os pais consideraram a adaptação como "muito fácil" vai diminuindo.

Para as escolas públicas, a percentagem de pais que consideram que o processo de adaptação foi "muito fácil" é ligeiramente mais elevada no Norte e no Centro do País (16% e 15%, respetivamente) do que em Lisboa e Vale do Tejo (8%).

Ensino presencial ou à distância?

De acordo com o nosso inquérito, se lhes tivesse sido dada a hipótese de escolher, metade dos encarregados de educação teria optado por um modelo misto para o regresso às aulas (com uma parte de ensino presencial, nas instalações da escola, e uma parte em casa). Uma percentagem de 41% teria optado sempre por aulas presenciais para os seus filhos e apenas 9% sempre por aulas à distância.

Se pudesse optar, que modelo de ensino escolheria? 

 

A opção pelo modelo misto de ensino é de 56% para pais com crianças que estudam em escolas públicas. Apenas 22% dos encarregados de educação com alunos no setor privado têm esta preferência. No ensino secundário, 66% dos pais teriam escolhido o modelo de ensino misto.

Nas escolas públicas, a maioria dos pais (51%) escolheria um modelo misto de ensino na primária, no segundo ciclo (5.º e 6.º anos – 52%) e no ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º anos – 73%). No terceiro ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos), a escolha recairia pelo modelo de aulas presenciais, na escola, o tempo todo: 54% das respostas apontaram neste sentido.

Como foi feito este estudo

Entre 25 e 29 de setembro, foi enviado um questionário via e-mail a uma amostra da população portuguesa adulta entre os 25 e os 74 anos. Os inquiridos, com crianças a frequentar do 1.º ao 12.º ano, puderam responder referindo-se a um máximo de três crianças. No total, recebemos 358 respostas válidas, que refletem a experiência dos encarregados de educação com um total de 509 crianças. As respostas foram ponderadas de acordo com a região do País e as habilitações literárias dos inquiridos, por forma a refletirem a realidade nacional.

A maioria dos alunos dos agregados familiares inquiridos estudam em escolas públicas (80%), sendo que 37% frequentam a primária, 16% o segundo ciclo (5.º e 6.º anos) e 20% o terceiro ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade). No secundário (10.º, 11.º e 12.º anos) estão 27% dos estudantes mencionados neste estudo.

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