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ADSE ou seguro saúde: qual a melhor opção?

Entre aderir ou manter‑se fiel à ADSE, ou subscrever um seguro de saúde, há mais em que pensar do que apenas contas e números. Ajudamos a decidir e explicamos que fatores decisivos devem ser considerados.

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17 julho 2025
bata branca

iStock

Escolher entre ADSE ou seguro de saúde, em termos de custo, vai depender da idade do beneficiário, do salário que recebe, do número de pessoas no agregado familiar e do perfil de utilização.

Quanto mais jovem for o beneficiário e mais o salário estiver longe da fasquia mínima, maior a probabilidade de o seguro de saúde ser mais barato do que a ADSE. Mas, havendo filhos – ou querendo tê‑los – e fazendo um consumo mais intensivo de consultas e tratamentos (idas frequentes ao dentista, por exemplo), a balança pende mais para a ADSE, cuja contribuição também abrange os filhos até aos 26 anos (desde que estejam a estudar) e exige copagamentos mais reduzidos.

Com o objetivo de ajudar a decidir entre aderir à ADSE ou subscrever um seguro de saúde, a DECO PROteste comparou várias características do subsistema de saúde com as Escolhas Acertadas dos seguros.

As características da ADSE – como duração da proteção para a vida, capitais ilimitados, não ter preexistências e prever poucas exclusões – tornam difícil a comparação com a generalidade dos seguros de saúde. Mas difícil não significa impossível.

O que distingue os dois regimes
ADSE SEGURO DE SAÚDE
DURAÇÃO A vida toda,
sem limites de idade
Anual, renovável por igual período, com limite de idade
CAPITAL SEGURO Sem limite Com limite, variável por cobertura
PERÍODO DE CARÊNCIA Não Sim
PREEXISTÊNCIAS Não Sim
PREÇO Corresponde ao desconto de 3,5% sobre o salário ilíquido mensal, sempre proporcional ao rendimento Variável em função da idade e do plano escolhido
COPAGAMENTOS Mais baixos no regime convencionado, mais altos no regime livre. Não há franquias Superiores, comparando com o regime convencionado da ADSE, mas mais baixos em comparação com o regime livre. Aplicam-se franquias
REGIME LIVRE Reembolsos, em geral, mais baixos Reembolsos, em geral, mais altos
PARCEIROS Menos parceiros aderentes Mais parceiros aderentes
PESSOAS SEGURAS Inclui os membros do agregado familiar que não estejam enquadrados num regime de Segurança Social de inscrição obrigatória, nem estejam abrangidos por outro subsistema de saúde público. O valor descontado não varia em função do número de beneficiários O prémio pago depende do número de pessoas seguras
EXCLUSÕES Menos. Não exclui, por exemplo, hemodiálise e consultas de
psicologia
Mais

É fundamental também conhecer as diferenças de custos dos tratamentos, das consultas e dos exames. Tanto a ADSE como o seguro de saúde preveem um regime livre, em que o beneficiário paga o total do ato médico e depois pede o reembolso. Receberá uma percentagem do que gastou, que varia entre os dois regimes. O melhor é fazer consultas, tratamentos e exames através do regime convencionado, cujos copagamentos são mais baixos, mas também diferentes entre as duas opções. Estas diferenças ajudam a fazer contas e a chegar ao custo total de optar pela ADSE ou pelo seguro de saúde.

Confirme o que distingue os copagamentos de consultas, tratamentos e exames entre a ADSE e um seguro de saúde e saiba o que ponderar, antes de decidir manter a ADSE.

Diferenças de custos entre ADSE e seguro de saúde

Consultas, exames e tratamentos Copagamentos ADSE no regime convencionado (€) Copagamentos dentro da rede: planos ASISA Plus e ASISA Premium
Consulta ginecologia 7,60 16,5 €
Consulta clínica geral 5 16,5 €
Consulta pediatria 9 16,5 €
Consulta estomatologia 5,25 Sem copagamento
Destartarização 5,25 Sem copagamento
Cesariana 345,59 750 €
Parto eutócico
(parto vaginal, sem recurso a ventosa ou fórceps)
235,87 500 €
Mamografia 6,80 Unidades ASISA: sem copagamento;
rede: 25%
Colonoscopia 55,13 Unidades ASISA: sem copagamento;
rede: 25%

Manter ou não a ADSE: o que ponderar antes de decidir

A ADSE, entre outras condições, oferece uma proteção para a vida (estende‑se ao pós‑reforma, portanto), não tem limites de capital, nem preexistências, e não permite a reentrada no regime a quem sai. Estas características poderiam matar à partida a discussão "ADSE ou seguro de saúde?". Mas a verdade é que o valor da contribuição dos trabalhadores do Estado (3,5% do salário mensal bruto) pode levar os beneficiários do subsistema de saúde a questionarem se não será mais barato subscrever um seguro de saúde.

Há contas a fazer, mas a questão não se esgota na matemática. Mais barato não quer dizer melhor. É (porventura mais) importante que tanto os que já beneficiam da ADSE e têm dúvidas sobre ficar ou sair como os que não sabem se devem aderir ou não façam a si próprios algumas perguntas. A carreira profissional vai ser no Estado? Por quantos anos? Há filhos menores ou vai haver? Quantas pessoas compõem o agregado familiar? O consumo habitual de consultas e tratamentos é intensivo? As respostas a estas questões podem virar ao contrário as contas que dão o seguro de saúde como a opção mais barata. A ADSE não é perfeita, mas não haverá melhor. Não decida só com base em números. Há um mar de diferenças entre estes dois regimes. E isso faz a diferença.

 

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