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Certificados energéticos com muitas falhas

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Dos 16 certificados que analisámos, oito incluem erros ou revelam uma classe energética que não corresponde à realidade. Compare preços e condições: há grandes diferenças nos honorários cobrados pelos peritos.

21 dezembro 2017
certificado

Thinkstock

Encontrámos falhas importantes na certificação de oito das 16 habitações que visitámos e só quatro processos mereceram uma boa apreciação global. Seis anos após o último estudo sobre certificação energética de habitações existentes, e já com nova regulamentação em vigor, o panorama pouco mudou. O certificado energético é importante para reduzir o consumo de energia e melhorar o conforto dos edifícios. No entanto, deve existir um circuito de controlo desta atividade, através da análise aleatória de certificados concretos e da avaliação da sua correção e pertinência. Este trabalho deve ser feito pela ADENE (Agência para a Energia). Por sua vez, os operadores devem ser sensibilizados periodicamente para as regras que tem de cumprir.

Para avaliar a qualidade do serviço, contámos com a colaboração dos proprietários de 16 habitações nos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra, que contrataram a certificação energética a entidades que selecionámos. Recebidos os certificados, foram analisados por uma entidade independente, após fazer uma auditoria prévia às casas. Os indicadores globais de desempenho de 11 certificados acusam divergências significativas, com frequência, resultantes de erros de cálculo. Registam-se grandes diferenças ao nível do rácio de classe energética em quatro casos. Dois certificados apresentam problemas consideráveis na descrição da fração. Todos os certificados indicam medidas para melhorar o desempenho energético da fração, mas que nem sempre são adequadas.

Contactámos 66 entidades em 29 concelhos do País por telefone, de forma anónima, e referimos a necessidade de certificação energética para um apartamento T3 de 2015 com cerca de 130 m2 de área, com ar condicionado de potência inferior a 25 kW e esquentador a gás natural. Os preços, sem a taxa da ADENE, oscilaram entre € 81,33 (Casa Simples, em Carcavelos, concelho de Cascais) e € 294,58 (P3 Projetos e Engenharia, em Faro), uma diferença de 262 por cento. Em média, os honorários cobrados rondaram os 150 euros. Em nove casos, as empresas referiram que o preço seria mais elevado na falta de apresentação da planta da casa (mais € 14,50 a 43,05 euros).

 

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Para um T3, tanto nos pediram € 81,33 como € 294,58, ou seja, mais do triplo, sem contar com a taxa fixa da ADENE. Por esse motivo, peça vários orçamentos e compare preços.  


Em Portugal, o certificado energético tornou-se obrigatório, desde 2009, para edifícios novos e para os antigos a partir do momento em que são colocados à venda ou para arrendamento. O documento tem de ser apresentado aquando da celebração do contrato de compra e venda, locação ou arrendamento, atestando, entre outros aspetos, a classe energética a que o imóvel pertence. Os proprietários de edifícios que sejam alvo de intervenções superiores a 25% do seu valor também são obrigados a solicitar a emissão do respetivo certificado energético. Desde 2013, passou também a ser obrigatório indicar a classificação energética do edifício em todos os anúncios publicados com vista à venda ou arrendamento.


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