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Cartões de crédito e de débito contactless são seguros?

10 julho 2017
pagar com cartões contactless

10 julho 2017

Conheça as medidas de segurança que tem de tomar se aderir. Exigimos mais informação aos bancos, e a possibilidade de o consumidor optar entre ter esta tecnologia inserida no cartão ou não. 

Basta aproximar um cartão de débito e de crédito com tecnologia contactless a uns centímetros de um terminal de pagamento adaptado para efetuar uma transação. O código pessoal é desnecessário. Se a distância for superior, é praticamente impossível fazer o pagamento. Mas é muito provável que já tenha nas mãos um cartão destes sem o saber. Em geral, ele é identificável por ter, do lado direito, um desenho com várias ondas em sequência, como um sinal de radar.

Em Portugal, muitos consumidores recebem esta funcionalidade e desconhecem-na. Seja por distração, seja porque o gestor de conta não os avisa de que lhes estão a dar um cartão com esta tecnologia, a verdade é que podem ter nas mãos um produto que não escolheram.

O Banco de Portugal (BdP) quer que os bancos informem os clientes sobre as condições de utilização dos cartões de crédito e débito contactless, nomeadamente acerca dos limites dos pagamentos sem utilização do PIN. Os clientes devem ser informados, quer já tenham um cartão com estas características, quer recebam um novo por substituição do antigo. Estes alertas devem ser enviados em papel ou noutro suporte duradouro. Mas instituições como o Banco Popular, o BBVA, o Best Bank e o Banco CTT não lhe garantem opção, ou seja, se não quiser ter um cartão com tecnologia contactless nas mãos, ou o aceita... ou o aceita.

O Abanca, o Banco BiG, o Deutsche Bank, o Atlântico Europa e o Bankinter não oferecem cartões com esta tecnologia.

Como funciona

Cada transação sem PIN tem o limite de 20 euros. Além disso, há um valor máximo de transações sem PIN. Em regra, são € 60 (o BBVA permite ir até aos 100 euros), independentemente do período decorrido entre as mesmas. Ultrapassado este limite, o cliente só pode voltar a efetuar pagamentos contactless depois de realizar uma operação num terminal de pagamento ou numa caixa automática com o código PIN. Por segurança, o sistema pode solicitar o PIN mesmo que não tenha ultrapassado o limite.

Com um cartão contactless consegue na mesma fazer pagamentos superiores a € 20, mas terá sempre de introduzir o PIN. Se preferir, pode usá-lo como um cartão normal, introduzindo-o no terminal de pagamento e digitando o código. Pode até utilizá-lo em terminais de pagamento que não têm esta tecnologia. Novamente, terá de introduzir o PIN para validar a operação.

Atenção aos riscos

Algumas apps de telemóvel, gratuitas e simples de descarregar, permitem ler os dados do cartão contactless, exibindo o nome do portador, e o número e os movimentos efetuados nesse dia.

Se estiver num transporte público cheio, não é impossível que alguém com um telemóvel que tenha esta app instalada lhe consiga, se estiver muito próximo, sacar os dados do cartão. Recomenda-se prudência, alguma distância — embora seja necessária uma grande proximidade do telemóvel com uma destas apps instaladas — e talvez transportar o cartão numa carteira de alumínio, para melhor o isolar.

Outras associações de consumidores europeias alertaram para os riscos de roubo de dados dos cartões contactless através destas apps. Seja como for, os nossos serviços ainda não receberam qualquer reclamação. Contactámos, ainda, o Gabinete de Cibercrime da Procuradoria-Geral da República sobre eventuais denúncias a propósito do uso destes cartões. Mas esta unidade também não tem, até ao momento, exemplos de fraudes relacionadas com a tecnologia contactless.

O nosso parecer

As instituições bancárias defendem que a tecnologia contactless é mais cómoda e evita a entrega do cartão ao comerciante. Nestas situações, tal como nas restantes, a lei obriga as instituições a garantirem a segurança dos cartões e dos terminais. Qualquer situação que considere anómala deve ser comunicada de imediato ao emissor do cartão, pois, a partir desse momento, o consumidor deixa de ter responsabilidades sobre eventuais utilizações abusivas.

Antes da comunicação, a responsabilidade do cliente fica limitada a 150 euros. Alguns cartões de crédito incluem também um seguro contra utilizações fraudulentas. Verifique se é o caso do seu. Se, mesmo assim, não ficar convencido, pode sempre recusar o cartão novo e optar por uma versão que recorra à tecnologia antiga. Verifique no nosso simulador de cartões de crédito qual é a melhor oferta.

Exigimos, de qualquer modo, mais informação aos bancos, e a possibilidade de o consumidor optar entre ter esta funcionalidade inserida no cartão ou não. A maioria dos bancos permite a escolha. Mas, atendendo também aos riscos desta tecnologia, vamos pedir ao BdP que imponha aos bancos a liberdade de opção dos consumidores.

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