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Combater o plástico descartável

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A batalha para reduzir o plástico que usamos no dia-a-dia já começou. O projeto europeu Circ-Pack, no qual colaboramos, pretende perceber os hábitos dos consumidores.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida, Bruno Carvalho e Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais, Rita Santos Ferreira e Nuno César
17 julho 2020
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida, Bruno Carvalho e Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais, Rita Santos Ferreira e Nuno César
Embalagens inuteis

iStock

Cada cidadão do Velho Continente, estima a Comissão Europeia (CE), gera, sozinho, 58 toneladas de plástico anualmente, e mais de metade são embalagens. O plástico é indispensável para embalar alimentos em segurança, é prático e tomou conta do mundo. Mas há uma contrapartida: a inundação do meio ambiente com resíduos de plástico – muitos terão uma vida útil de meros minutos e séculos para desaparecer – a um nível insuportável. E só 30% é reciclado. No vídeo, veja os exemplos de embalagens inúteis que descobrimos.

 

 

 

Aderimos ao projeto Circ-Pack, que visa perceber melhor a relação dos europeus com o plástico e até que ponto estão disponíveis para aceitar novos tipos deste material. Objetivo: melhorar o contributo para a economia circular no espaço europeu, numa sociedade sem desperdícios, reaproveitando o plástico usado. Testámos a experiência dos consumidores com o plástico em Portugal, Espanha, Bélgica, Itália, Croácia e Kartal, um bairro de Istambul (Turquia).

Os resultados não surpreendem e denotam a preocupação dos cidadãos. Daí que uma das medidas do projeto seja conhecer a recetividade dos europeus ao uso de bioplásticos. Podem ser vulgares sacos de compras (e outros produtos de embalagem) feitos com materiais biodegradáveis (e que têm um tempo de vida muito inferior aos plásticos convencionais), como o milho ou a cana-de-açúcar, ou que, tendo matérias-primas de origem fóssil, podem degradar-se ao fim de uns meros seis meses. Os inquiridos portugueses, tal como os congéneres europeus participantes, afirmam que o plástico de uso doméstico é um perigo para a saúde do planeta (94 por cento).

Preocupação global com plásticos descartáveis

A Comissão Europeia decidiu, em finais de maio, atacar o problema e propor medidas robustas contra os plásticos descartáveis até 2025. A ideia é banir o plástico de diversos objetos de uso quotidiano, com destaque para os cotonetes, talheres, pratos, palhinhas, agitadores de bebidas e paus para balões em plástico, dado que podem já ser produzidos exclusivamente a partir de matérias-primas de fontes renováveis. Além destes produtos, também os recipientes descartáveis para alimentos e bebidas estão na mira da Comissão Europeia.

Os Estados-membros terão de reduzir a utilização de plástico, seja por fixar objetivos nacionais de redução, tornando disponíveis produtos alternativos nos pontos de venda, seja proibindo o fornecimento gratuito de plásticos descartáveis , tal como aconteceu com os sacos de plástico distribuídos nas caixas dos supermercados.

Outra novidade da proposta prende-se com o aumento da recolha das garrafas de plástico descartável para bebidas, esperando que a mesma atinja 90% em 2025. Para alcançar este valor, pode-se recorrer à restituição de depósitos, como taras recuperáveis, como acontecia na generalidade das garrafas de vidro noutros tempos. Esta prática é, aliás, comum em vários países europeus, nos quais se conseguem elevadas taxas de recuperação de embalagens de vidro, metal e mesmo plástico.

A situação nos oceanos preocupa, sobretudo no Pacífico e no Índico: os países asiáticos têm muita dificuldade em gerir os seus resíduos – muitos não fazem, sequer, a recolha e o tratamento – e o destino, na maior parte dos casos, é o mar. Cerca de metade dos resíduos de plástico que acabam nos oceanos são gerados em cinco países: China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietname. Mas os oceanos não têm fronteiras e o plástico, que pode demorar centenas de anos a “desaparecer” do fundo dos mares, vai-se degradando em partículas cada vez mais finas – os chamados microplásticos – e afetar espécies marinhas.

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