Dossiês

Como acabar com a humidade em excesso em casa

04 março 2021
Parede com humidade junto à janela no canto superior esquerdo.

Revelamos as melhores soluções para os problemas de humidade mais frequentes. Falta de humidade ou humidade em excesso pode danificar materiais ou causar problemas de saúde. Saiba como manter a humidade no nível certo em sua casa.

Início

Com a chegada do tempo frio e chuvoso, as casas tendem a apresentar, de forma mais visível, os problemas causados pela humidade fora dos níveis ideais. Em excesso, é desconfortável, além de favorecer a corrosão e outros danos nos materiais, sem falar do tão desagradável cheiro a mofo. A somar a tudo isto, a humidade pode ser prejudicial para a saúde, devido ao desenvolvimento de fungos e ácaros, que propiciam infeções respiratórias, alergias e asma em indivíduos sensíveis. Por outro lado, níveis muito baixos de humidade podem conduzir a danos materiais, por exemplo, na madeira, e a um desconforto nas vias respiratórias, mucosas nasais e olhos. 

A humidade nas paredes também pode ter causas externas, muitas das vezes associadas a problemas e situações do edifício. Quando tal se verificar peça a opinião de um profissional validado. Visite o nosso site, DECO PROTESTE SELECT, e encontre empresas de confiança. 

Manter a humidade ideal no interior de casa

As casas de banho e a cozinha são as zonas mais críticas numa casa. O vapor produzido pelos banhos e pelos tachos ao lume é o principal culpado nestas divisões, mas não é o único. Nas outras divisões da casa, a respiração humana, a presença de animais e plantas e o uso de eletrodomésticos, como a máquina de secar roupa e o ferro de engomar, também contribuem para elevar a humidade no ar.

Segundo diversos estudos experimentais, a maioria dos fungos só se desenvolve acima dos 60% de humidade. E, abaixo dos 50%, os ácaros deixam de proliferar. Com um grau de humidade ainda mais baixo os ácaros ficam inativos, o que explica a sua quase inexistência em regiões com um clima seco. Já os vírus e as bactérias têm uma taxa de sobrevivência superior quando a humidade cai abaixo dos 40 por cento. Então, qual a humidade ideal no interior de uma casa?

Para o saber, precisa de calcular a humidade relativa do ar, ou seja, a quantidade máxima de vapor de água que o ar pode reter num dado momento, a uma dada temperatura e pressão atmosférica. Simplificando, a humidade relativa do ar é a relação entre a quantidade de água existente no ar (humidade absoluta) e a quantidade máxima que poderia haver na mesma temperatura (ponto de saturação). Por exemplo, caso o ar retenha apenas metade da sua capacidade máxima, então a humidade relativa do ar é de 50%.

Infografia_desumidificadores

Assim, se a humidade relativa do ar estiver abaixo dos 40%, considera-se que o ar está demasiado seco. Se a humidade relativa do ar estiver acima dos 60%, considera-se que o ar está húmido em excesso. O ideal é que a humidade relativa do ar esteja entre os 40% e os 60 por cento. Para a calcular com precisão, e evitar as consequências do excesso ou do baixo nível de humidade na sua casa, poderá ser útil adquirir um higrómetro para medir e manter a humidade dentro de níveis confortáveis.

Consequências do excesso de humidade

Bolor e deterioração de bens

O bolor, mofo e a sua decomposição (putrefação) são uma das principais consequências do excesso de humidade no interior de uma casa e desenvolvem-se em ambientes húmidos e com elevada humidade relativa, levando ao aparecimento de danos nos edifícios e nos materiais orgânicos (papel, tecidos, quadros, madeiras, couros, etc.).

O mobiliário e os objetos feitos de madeira, em particular, são muito sensíveis à humidade relativa do ambiente onde se encontram. A madeira é um material higroscópio com a capacidade de absorver água. Logo, as elevadas percentagens de humidade relativa do ar levam ao aumento do teor de água na madeira, que por sua vez pode levar à sua deterioração.

Existe também o risco para a saúde das pessoas que frequentam ambientes afetados pelo bolor. Se a humidade relativa exceder os 70% de forma muito continuada, o risco de aparecimento e crescimento de fungos é significativo. Este risco é maior se estivermos a falar das superfícies frias ou superfícies em contacto com o exterior. Como o ar frio tem uma menor capacidade de retenção de água, à medida que a temperatura baixa, o vapor de água presente no ar condensa-se nas superfícies mais frias – em superfícies frias, com uma temperatura abaixo dos 12,6° C, o risco de formação de bolor é muito significativo.

Condensação

O aparecimento e formação de condensação é outra das consequências. Este fenómeno regista-se quando o ar húmido é arrefecido a uma temperatura inferior ao ponto de orvalho. A humidade contida no ar (vapor de água) condensa-se (passa ao estado líquido) sobre a superfície fria (que se encontra abaixo da temperatura do ponto de orvalho).

O resultado prático é o aparecimento de água a escorrer pelas janelas, paredes, canos, entre outros. Isto contribui de forma significativa para a degradação da qualidade do ar interior e também na degradação dos materiais e objetos (desde oxidação de metais até ao crescimento de fungos) – em superfícies frias com uma temperatura abaixo dos 9,6° C, o risco de condensação é muito significativo.

Problemas de saúde

Por outro lado, a exposição continuada e prolongada a fungos e bolores está na origem de problemas respiratórios, tosse, asma ou doenças do foro alérgico. Estes problemas podem atingir pessoas saudáveis, mas representam um risco acrescido para aqueles que já possuem este tipo de patologias. A humidade nas paredes, por exemplo, é o habitat perfeito para ácaros, fungos e bactérias responsáveis por provocar doenças e alergias.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a humidade está estreitamente relacionada com a falta de saúde no contexto respiratório. Há até uma definição criada pela própria OMS para categorizar os ambiente e estruturas não salutares – “Síndrome do Edifício Doente” (SED). Esta definição teve origem na década de 80 e discrimina como principais causas da má qualidade do ar no interior de determinados edifícios a falta de ventilação e níveis de temperatura e humidade incorretos.

Colocar um travão na humidade

  • Quando cozinhar, tape as panelas e ligue o exaustor.
  • Evite secar a roupa dentro de casa. Não conseguindo evitá-lo, ventile ou areje a divisão, para impedir vidros embaciados, gotas de água nas paredes e a consequente formação de fungos.
  • Abra as janelas e deixe entrar e circular o ar fresco em casa. E, já agora, faça-o todos os dias. Além de combater o excesso de humidade, ajuda a reduzir os poluentes no ar interior.
  • Se estas medidas forem insuficientes, não se dê por vencido. Um desumidificador pode dar uma ajuda.

Quando usar um desumidificador

Um desumidificador de ar é um equipamento cuja principal função é a redução da humidade relativa do ar de um espaço fechado. Com um funcionamento igual ao dos aparelhos de ar condicionado, que se baseia nos princípios das mudanças de estados físicos, em particular no da condensação, o desumidificador é constituído por uma ventoinha que puxa ar húmido do exterior para o aparelho. Uma vez no seu interior, o ar ainda húmido cruza-se com uma superfície fria e parte da água nele contida condensa.

A água extraída é recolhida num recipiente dentro do desumidificador que a armazena para ser posteriormente removida. O ar agora seco passa então por uma espiral semiaquecida para voltar ao exterior através da uma saída de ar do equipamento.

Este tipo de equipamento deve ser utilizado em ambientes fechados, sem janelas ou portas abertas, de forma a maximizar a eficiência do ciclo que ocorre durante o seu funcionamento. A temperatura e a humidade relativa do ar interior influenciam também a capacidade de o desumidificador em extrair a água do ar. Assim, quanto mais frio estiver, menor será esta capacidade.

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Quando arejar a casa

Abrir as portas e janelas e deixar o ar entrar é um passo importante para uma ventilação adequada em casa. Esta ventilação pode ser natural (através de portas e janelas) ou forçada (ventiladores, extratores e exaustores). Nos espaços onde existe uma maior libertação de vapor de água para o ar, como a casa de banho e cozinha, a ventilação deve ser reforçada para se poder extrair a maior parte do vapor de água produzido. Saiba que rotinas deve implementar para garantir uma maior qualidade do ar no interior da sua casa.

Idealmente, a correta ventilação das habitações deve ser efetuada através de um VMC (sistema de ventilação mecânica cruzada), com recuperação de energia. Estes sistemas promovem uma adequada renovação do ar interior, removendo o ar de zonas de utilização intensiva (cozinha e casa de banho) e insuflando ar novo do exterior em zonas úteis como os quartos e as zonas sociais. Assim, consegue-se um equilíbrio entre o ar novo insuflado do exterior e aquele que é retirado do interior da habitação, ao mesmo tempo que existe a recuperação da energia (calor ou frio) do ar extraído para o ar insuflado. Estes sistemas assumem maior importância quando as habitações apresentam níveis de estanquidade ao ar superiores.

Algumas recomendações para a ventilação de espaços, no inverno e no verão, com a integração dos sistemas de climatização e do desumidificador do ar. Estes procedimentos de ventilação e renovação do ar podem não garantir a necessária qualidade do ar interior, mas trazem melhorias significativas.

No inverno e numa casa pequena com 2 pessoas

  • Das 8 às 11 horas: abertura das janelas da casa (de preferência, opostas e bastando apenas uma pequena frincha);
  • das 11 às 16 horas: fecho das janelas e ativação do desumidificador para ajustar a humidade relativa da habitação e promover um suave aquecimento da mesma. Neste período, aproveitar ao máximo os ganhos solares das janelas;
  • das 16 às 22 horas: desligar o desumidificador caso ele atinja a humidade relativa adequada e promover uma correção da temperatura interior com outro sistema de climatização (ar condicionado, salamandra a pellets). 

No inverno e numa casa grande com 4 ou mais pessoas

  • Das 8 às 11 horas: abertura das janelas da casa (de preferência opostas e bastando apenas uma pequena frincha);
  • das 11 às 14 horas: fecho das janelas e ativação do desumidificador para ajustar a humidade relativa da habitação e promover um suave aquecimento da mesma. Neste período, aproveitar ao máximo os ganhos solares das janelas;
  • das 14 às 17 horas: abertura das janelas da casa (de preferência opostas e bastando apenas uma pequena frincha);
  • das 17 às 22 horas: fecho das janelas e ativação do desumidificador para ajustar a humidade relativa da habitação e promover um suave aquecimento. Pode ainda utilizar o desumidificador em paralelo com outros sistemas de climatização, como o ar condicionado ou salamandras a pellets cujo aquecimento das divisões conduz a uma redução da humidade relativa. 

Em ambos os casos, deve ligar sempre os exaustores da casa de banho quando toma banho (ou abrir janelas) e os exaustores de cozinha quando cozinha (ou abrir janelas). Não use aquecedores catalíticos (os de garrafa de gás) ou outro aquecedor sem chaminé (por exemplo, de parafina ou bio-álcool). A queima destes combustíveis emite para a divisão, entre outros gases mais nocivos, quantidades significativas de vapor de água, aumentando assim os níveis de humidade relativa da divisão. Um adulto pode emitir cerca de 15kg de vapor de água por dia, por isso, se estiverem muitas pessoas numa divisão por períodos alargados, o aconselhado é ventilar sempre a divisão.

No verão e numa casa pequena ou grande com 2 ou 4 pessoas

  • Das 8 às 11 horas: manter as janelas ligeiramente abertas mas começar a controlar os ganhos solares através da regulação de estores, persianas e portadas, caso sejam fachadas com exposição solar;
  • das 11 às 20 horas: em fachadas com grande exposição solar, fechar as janelas e todos os sistemas de sombreamento passivo (estores, persianas e portadas). Em dias de muito calor, reduzir as janelas abertas em fachadas sem exposição solar: mesmo que não sejam expostas ao sol, o ar encontra-se muito quente no exterior e irá aquecer a habitação;
  • das 20 às 8 horas: abrir as janelas de modo a aproveitar o ar fresco da noite: promove-se a renovação do ar interior ao mesmo tempo que se baixa a temperatura da habitação. 

Tipos de humidade em paredes e como atenuar

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