Cidadãos debatem a chegada dos veículos autónomos à estrada
Os carros que “andam sozinhos” começam a ser uma realidade nas nossas estradas. Mas os cidadãos têm preocupações a que as seguradoras, políticos e forças de segurança devem dar resposta.
No debate “Amanhã, as nossas vidas com veículos autónomos”, 30 cidadãos reuniram-se para partilhar opiniões e preocupações sobre esta tecnologia na Nova School of Business and Economics, em Carcavelos, no final de novembro. Esta sessão faz parte de um projeto que já percorreu cidades em todo o mundo, apoiado pela Comissão Europeia e promovido pela Associação IASA – Institute for Advance Studies and Awareness.
O termo “carros autónomos” designa quaisquer veículos terrestres com capacidade de se deslocarem sem terem os controlos operados por um condutor humano. Funcionam através de um conjunto de tecnologia que agregam sensore e sistemas de controlo para monitorizar o ambiente que rodeia o veículo para manipular os controlos. A programação do software determina as melhores opções e age da forma que considera a mais segura e fiável.
Rosário Macário, professora no Instituto Superior Técnico e presidente da IASA, explica que a iniciativa procura sensibilizar para a presença destes transportes e perceber as dúvidas que podem suscitar nos consumidores. A segurança é, pela sua experiência, o tema mais abordado. “Estamos com uma máquina que não é controlável, fala sozinha, toma decisões sozinha. Dá-nos uma certa insegurança. Estamos habituados a controlar as máquinas, faz parte do prazer de conduzir”. Estes transportes funcionam através do uso de inteligência artificial e sistemas conectados pela Internet das Coisas. A pirataria informática é um risco para o uso dos veículos com más intenções.
Além da questão informática, os estudos da OCDE avisam que a ideia de que 90% dos acidentes podem ser reduzidos com estes transportes é um mito. Os transportes autónomos não terão apenas de conviver com condutores humanos, mas também com estradas a precisar de arranjo, peões com comportamento inseguro, animais que podem entrar nas estradas, entre outros exemplos. “Erros” que vão continuar a existir apesar da automação do carro.
Carros amigos do ambiente
Não se pode falar de futuro sem abordar a luta contra as alterações climáticas. Importa estudar e saber qual será o impacto ambiental desta tecnologia. A professora no Instituto Superior Técnico defende que estes transportes têm um papel “muito positivo”, pois parte da transição passa pelo uso dos modelos elétricos.
Maria Hipólito, outra participante no debate promovido pela IASA recordou as perguntas sobre emissões poluentes como motivo para participar. “Uma das minhas preocupações era a poluição. Será que vamos ter em circulação menos veículos, com menos emissões poluentes? Se assim for, traz imensas melhorias. Deve ser a nossa preocupação atual”. Maria também alerta para a necessidade de legislação preparada. “Que desenvolvessem políticas para facilitar a implementação de todas as infraestruturas que isto vai implicar”.
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