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Alimentos ricos em proteína são desnecessários

Sem evidência nutricional que a sustente, a proteína acrescentada aos alimentos é puro argumento de venda. Além de os produtos serem mais caros. Num menu diário apropriado, encontra a proteína necessária, retirando até o excesso habitualmente ingerido.

  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
10 agosto 2021
  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo e Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
Duas garrafas pequenas de leite com uma palhinhas azuis em cada uma

João Ribeiro

Águas, cereais de pequeno-almoço, gelatinas, massas, pudins e salsichas juntam-se aos iogurtes, leites e barras energéticas, mais direcionados para desportistas, a anunciar um reforço da proteína nas embalagens. A verdade, porém, corroborada por muitos estudos científicos, é que esta suplementação é dispensável. Está ao alcance de qualquer um atingir, com alimentos comuns, a dose diária recomendada. 

A carne e os seus sucedâneos são as principais fontes de proteína na alimentação dos europeus. Seguem-se as leguminosas, o leite e os laticínios. Estes três grupos contribuem com cerca de 75 por cento. O primeiro conjunto, de origem animal, ao qual se acrescenta o peixe e os ovos, corresponde a proteínas de elevado valor nutricional, enquanto as de origem vegetal são, em regra, de menor valor. O peso algo desregrado da proteína no menu justifica algumas contas, para se ter a noção das hipóteses de redução, ou em quantidade, ou em presença simultânea no prato. A necessidade média diária de proteína para um adulto calcula-se multiplicando cada quilo de peso corporal por 0,83 gramas. No homem, resulta entre 67 e 114 gramas, e, na mulher, entre 59 e 102 gramas.

 

O consumo acrescido de proteína e a perda de peso têm sido postos lado a lado, pelo facto de aos alimentos ricos em proteína estar associado um efeito saciante. Come-se menos, logo perde-se peso. Mas a relação não é linear. Em linha de conta entram, por exemplo, a composição dos alimentos, a velocidade a que comemos, a ingestão de líquidos, o tipo de mastigação e a atividade física.

Reservam-se doses adicionais, por exemplo, para acamados, com lesões de pele por manterem a mesma posição durante muito tempo, para idosos e para atletas de alta competição. O exercício físico causa danos nos tecidos musculares, reparados através de uma alimentação com teores adequados de proteína. Recomenda-se a supervisão de um médico ou de um nutricionista.

Preços enriquecidos com proteína custam o dobro ou mais

Nos bebés, doses elevadas de proteína podem desequilibrar a percentagem de água corporal. Nos adultos, benefício algum ficou provado e os supostos efeitos adversos não reúnem consenso na comunidade científica. Como tal, a EFSA não fixou uma dose máxima diária.

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