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Cigarros eletrónicos: alternativa ao tabaco tradicional?

Os cigarros eletrónicos ou e-cigarros podem ser menos nefastos do que o tabaco tradicional, mas não são inócuos. Os componentes químicos do aerossol são potencialmente prejudiciais para a saúde.

 

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
11 fevereiro 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
cigarros eletronicos

iStock

O líquido que dá origem ao aerossol dos cigarros eletrónicos não tem só água: há solventes, como a glicerina vegetal e o propilenoglicol, aromas e, na maioria dos casos, a famosa nicotina.

Muitos dos aromas presentes nos e-cigarros são usados, de forma segura, na alimentação. Porém, não se conhecem bem as consequências que podem ter, quando aquecidos e inalados. Já a nicotina está bem estudada: a substância age sobre determinados recetores no cérebro e fora dele, provocando estimulação ou depressão, conforme a intensidade e a frequência com que é inalada. Por exemplo, pode estimular o sistema nervoso central, e a pessoa fica mais ansiosa, ou atuar sobre o sistema cardíaco, acelerando o ritmo do coração (taquicardia). A nicotina pode ainda prejudicar os vasos sanguíneos, o sistema hormonal e o metabolismo, entre outros.

É verdade que há e-cigarros sem nicotina, mas continua a desconhecer-se o impacto do restante cocktail que compõe o aerossol. As diferentes combinações de solventes e aromas resultam numa grande variedade de produtos químicos no aerossol, o que dificulta o estudo dos efeitos toxicológicos dos cigarros eletrónicos.

Entre as substâncias químicas já identificadas, encontram-se compostos de carbonilo (por exemplo, formaldeído, acetaldeído, acetona e acroleína), compostos orgânicos voláteis (benzeno e tolueno, entre outros), nitrosaminas do tabaco e metais pesados, como níquel, cobre, zinco, estanho e chumbo. Estas substâncias são suspeitas de causar danos no DNA e, por consequência, mutações genéticas.

Os e-cigarros não produzem combustão, fenómeno que origina os componentes mais prejudiciais do tabaco tradicional, mas ambos comungam de outras substâncias potencialmente perigosas. E, mesmo que a concentração e a temperatura de aquecimento sejam inferiores nos cigarros eletrónicos, o risco de danos na saúde não pode ser excluído. 

Algumas investigações associam o uso de cigarros eletrónicos a tentativas bem-sucedidas de deixar de fumar, enquanto outras apontam no sentido contrário, sugerindo um potencial efeito negativo no cumprimento desse objetivo.

Por outro lado, é sabido que alguns fumadores usam concomitantemente tabaco tradicional e cigarros eletrónicos, prática que se suspeita ser mais arriscada do que o recurso a apenas uma das versões.

Os novos fumadores são outra preocupação. O cigarro eletrónico pode ser uma rampa de lançamento para a aquisição de hábitos tabágicos, pensando os utilizadores que estão a consumir apenas vapor de água. 

 Face à incerteza e porque ainda não existe evidência científica suficiente que comprove o grau de segurança destes dispositivos, em comparação com o fumo do tabaco tradicional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda prudência no recurso a estes dispositivos. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) desaconselham mesmo a sua utilização, com particular destaque para os que contêm líquidos com canabidiol e outros derivados de canábis, acetato de vitamina E e diacetil.

 

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