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Hospitais: estudo inédito retrata experiência dos utentes

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Os portugueses dizem terem vivido boas experiências nos hospitais, mas criticam o tempo de espera, o ruído e a alimentação. Entrevistámos 1723 cidadãos, que avaliaram a ida mais recente ao hospital, e reunimos informação sobre 42 estabelecimentos públicos e privados.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Inês Lourinho
29 janeiro 2019
  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Inês Lourinho
utentes hospitais

iStock

Os portugueses relataram, em termos globais, experiências positivas na sua relação com o hospital. E esta situação não foi um exclusivo dos estabelecimentos privados. CUF Infante Santo (Lisboa), Instituto Português de Oncologia do Porto, Hospital Curry Cabral (Lisboa), Hospital dos SAMS (Lisboa) e Hospital Dr. José Almeida (Cascais) proporcionaram as experiências mais bem pontuadas globalmente.

EXPERIÊNCIA DOS UTENTES NOS HOSPITAIS
Avaliação global  VER RESULTADOS
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Internamento  VER RESULTADOS
Urgências VER RESULTADOS

A relação com os profissionais de saúde e as condições dos hospitais obtiveram, em regra, melhores pontuações do que o acesso aos cuidados hospitalares. Dos estabelecimentos estudados, os que registaram uma pontuação mais reduzida foram, ainda assim, bem avaliados. Todos os 42 hospitais avaliados alcançaram mais de 74% na apreciação global atribuída pelos utentes.

Ao olharmos para as experiências com os profissionais de saúde, verificamos que estes podem mesmo fazer a diferença – por vezes, os resultados são ainda mais elevados do que os registados pelo respetivo hospital como um todo. Os profissionais do Instituto Português de Oncologia do Porto receberam uma apreciação de 98%, para o que contribuíram, entre outros, o apoio, a empatia e o envolvimento da família nos cuidados de saúde. Pouco atrás, foram classificados os profissionais da CUF Infante Santo e do Hospital de Angra do Heroísmo, com 96%, sendo que outros oito estabelecimentos tiveram pontuações acima de 90% neste critério.

Mas as respostas dos participantes no estudo também apontam aspetos a melhorar. Entre as principais queixas que impendem sobre os serviços de urgência, contam-se a espera pelo atendimento, a ajuda deficiente no controlo da dor ou de outros sintomas, a falta de apoio pós-alta e a falta de envolvimento do doente nas tomadas de decisão relativas ao seu estado de saúde. No âmbito do internamento, foram reportadas experiências menos positivas a propósito do tempo de espera por um internamento programado ou até ser iniciado o atendimento e do controlo da dor ou de outros sintomas. Já internados, os utentes, com frequência, dão avaliações menos boas ao ruído e à alimentação. No que diz respeito às consultas externas, entre os aspetos com pior avaliação, merece referência a espera, tanto até obter consulta, como no próprio dia. São ainda feitas críticas à alimentação e à empatia dos profissionais.

Em síntese, os portugueses dão um voto de confiança aos seus hospitais, mas mantêm uma vigilância exigente. Esperas mais curtas, maior participação na tomada das decisões de saúde, maior controlo do ruído, assim como melhor comunicação com o hospital, são áreas prioritárias.

Mas o estudo não se fica por aqui. Iremos continuar a identificar as boas práticas e os problemas específicos de cada instituição. O nosso objetivo é contribuir para a melhoria. Para que os sistemas de saúde coloquem mesmo o cidadão no centro dos cuidados e sejam capazes de responder eficazmente às suas necessidades e expectativas, é cada vez mais importante conhecer a experiência dos utentes. E é esse diálogo que estamos a abrir em Portugal com o nosso estudo.

 

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