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Viseiras são tão eficazes como as máscaras?

A lei determina o uso de máscaras ou de viseiras em locais específicos nesta fase da pandemia de covid-19, mas alguns estudos e a própria Direção-Geral da Saúde indicam que as viseiras, por si só, não são suficientes como proteção.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
06 maio 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
Viseiras

iStock

As viseiras servem como proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas. De acordo com informação divulgada pelo Infarmed “não conferem proteção respiratória contra agentes biológicos.” Devem ser reutilizáveis, de material inquebrável, com fita regulável, envolver a face e garantir bom comportamento face à transpiração. Do ponto de vista dos requisitos, apenas devem cumprir a Diretiva europeia 2001/95/CE, relativa à segurança geral dos produtos.

A lei que regula as medidas excecionais da pandemia por covid-19 (Decreto-Lei nº20/2020) determina que é obrigatório usar máscaras ou viseiras em transportes públicos, escolas, espaços comerciais e serviços: "É obrigatório o uso de máscaras ou viseiras para o acesso ou permanência nos espaços e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, nos serviços e edifícios de atendimento ao público e nos estabelecimentos de ensino e creches pelos funcionários docentes e não docentes e pelos alunos maiores de seis anos." As coimas por não utilização de máscaras ou viseiras nestas situações estão fixadas entre € 120 e 350 euros.

Qual a eficácia das viseiras?

Não existem muitos estudos sobre a utilização de viseiras isoladamente, mas a informação disponibilizada pelo Infarmed de que as viseiras não protegem contra agentes biológicos já dá alguma indicação.

Um artigo científico de revisão, publicado em 2016 no Journal of Occupational and Environmental Higiene, concluiu que as viseiras não devem ser usadas como proteção isolada do rosto/olhos "devido à falta de uma boa vedação facial periférica que impeça a penetração do aerossol" e, por isso, devem ser usadas com outros equipamentos de proteção individual, como máscaras ou óculos de proteção.

Um dos estudos em que se baseou essa revisão utilizou um simulador de tosse para verificar a eficácia das viseiras contra gotas de aerossol. De acordo com o estudo, o uso de viseiras pode reduzir a exposição dos profissionais de saúde a grandes partículas de aerossol, reduzindo as possibilidades de contaminação. No entanto, é menos eficaz contra partículas pequenas que podem permanecer no ar por longos períodos de tempo e que, dessa forma, podem ficar nas viseiras e serem inaladas.

As viseiras podem ser um complemento útil à proteção respiratória dos profissionais que cuidam de pacientes com infeções respiratórias, mas não podem ser usadas em substituição da proteção respiratória (como máscaras), quando necessário.

As incertezas sobre os resultados dos estudos e as diferentes características de cada viseira não permitem chegar a conclusões sólidas.

Numa das conferências de imprensa de atualização dos dados da pandemia de covid-19, a diretora-geral da Saúde deixou o alerta: “a viseira não é um método que dispense a utilização de uma máscara”. Graça Freitas explicou que este tipo de equipamento “protege muito bem os olhos e o nariz, mas já não protege tão bem – porque é aberto em baixo – gotículas expelidas através do espirro, da tosse e até mesmo da fala”. Por isso, deverá ser complementada com um método barreira que tape o nariz e a boca.

Com ou sem viseira, a Direção-Geral da Saúde salienta a importância de respeitar as regras de distanciamento físico, manter a higiene das mãos e a etiqueta respiratória.

Vantagens e desvantagens das viseiras

Uma das vantagens das viseiras em relação às máscaras é poderem ser reutilizadas indefinidamente depois de desinfetadas. São facilmente limpas com sabão e água ou desinfetantes domésticos comuns. São confortáveis de usar e facilitam a comunicação com outras pessoas que estejam próximo.

As viseiras têm várias formas, mas todas são compostas por uma barreira plástica transparente que cobre o rosto. Para uma proteção ideal, o comprimento da viseira deve ser suficiente para tapar o queixo e na largura deve chegar às orelhas, sem folga exposta entre a testa e o capacete da viseira.

A falta de uma boa vedação facial periférica é a principal desvantagem e, por isso, de uso duvidoso sem outro equipamento, como a máscara. 

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