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Máscaras cirúrgicas, respiratórias e sociais: o que são e a quem se destinam

O uso de máscaras é obrigatório em espaços fechados. Mas o risco de infeção não desaparece, sobretudo, se as outras medidas de prevenção forem esquecidas.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
22 outubro 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
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iStock

O princípio da precaução acabou por prevalecer. Alinhada com o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), e após analisar vários estudos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) avançou, primeiro, com a recomendação e, depois, com a obrigatoriedade do uso generalizado de máscaras pela população em espaços fechados com elevada concentração de pessoas. Recentemente, o Governo entregou na Assembleia da República, com caráter de urgência, uma proposta de lei que visa torna obrigatória a utilização de máscara também "na via pública, sempre que for impraticável a manutenção do distanciamento físico recomendável".

As máscaras sociais ou comunitárias, classificadas como artigo têxtil, fomentam uma relação de proteção e de benefício mútuos entre o cidadão e a comunidade. A DGS nomeou o seu uso como "um ato de altruísmo". Em colaboração com outras entidades, definiu as linhas mestras do fabrico. Para o consumidor saber o que está a comprar, a etiqueta ou o rótulo das máscaras sociais deveriam indicar as normas seguidas ou mostrar que  o produto foi testado e aprovado por uma entidade com competência técnica reconhecida. 

O que está em causa? Usar uma máscara, à partida, é uma mais-valia, nas situações descritas pelo governo português, em consonância com as autoridades de saúde. Porém, e há estudos a comprovar, pode revelar-se uma falsa amizade, quando, por exemplo, tocamos com as mãos nos olhos e na própria máscara. Alguém saudável pode ficar infetado se for imprudente. Por isso, o uso de máscara é sobretudo um benefício superior para a comunidade, pois previne que alguém infetado, mesmo sem sintomas de covid-19, seja um veículo de transmissão do novo coronavírus. 

As máscaras comunitárias vêm aliviar a procura pelas cirúrgicas e respiratórias, prioritárias para os profissionais de saúde, devido à falta de equipamento de proteção enfrentada nos países europeus, e um pouco por todo o mundo. 

Autoridades de saúde recomendam usar máscara, mas não só

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) defende que o uso massificado de máscaras pode ser particularmente relevante em situações epidémicas, quando se considera ser elevado o número de indivíduos assintomáticos, mas infecciosos, na comunidade. O ECDC recomenda-as sobretudo em locais fechados, com grande concentração de pessoas, como centros comerciais e transportes públicos, ou por indivíduos com profissões que envolvem proximidade física com aglomerações, como polícias e operadores de caixas em supermercados. Ou seja, a máscara é relevante quando não é possível cumprir as outras medidas de mitigação, como o distanciamento social. Ao ar livre pode não ser necessário, uma vez respeitada a regra dos dois metros de distância.

A utilização de máscaras é uma medida complementar, avisa o ECDC. Não pode ser encarada como a substituição das medidas preventivas cruciais para reduzir a transmissão: distanciamento social, ficar em casa em caso de doença, teletrabalho, etiqueta respiratória, higiene meticulosa das mãos e não tocar na cara, nos olhos e na boca.   

Três tipos de máscara

Chegados a este ponto, é cada vez mais consensual que pessoas com sintomas leves, ou ainda não manifestos, contribuem para a disseminação da covid-19. A máscara pode ajudar a reduzir a propagação da infeção na comunidade, minimizando a expulsão de gotículas de saliva produzidas pela tosse ou espirro, por indivíduos infetados, que podem não ter disso conhecimento. Quem já apresenta sintomas deve recorrer à máscara cirúrgica. A etiqueta respiratória – a cobertura da boca e do nariz com um lenço de papel ao tossir, ou fazê-lo para o antebraço - também visa limitar a disseminação do vírus. 

Cirúrgica

 

Cobrem a boca e o nariz do profissional de saúde. Funcionam como uma barreira para minimizar a transmissão direta de agentes infecciosos entre o profissional e o doente. A principal finalidade é proteger a saúde do doente, embora também salvaguarde o profissional. Estas máscaras devem cumprir os requisitos essenciais da Diretiva Europeia n.º 93/42/CEE, de 14 de junho de 1993, sobre dispositivos médicos, e a norma EN 14683:2019, bem como apresentar marcação CE.

Respiratória


máscara respiratória

Protegem o profissional de saúde de potenciais riscos para a sua saúde e segurança. Define-se como equipamento de proteção individual e deve obedecer ao Regulamento (UE) 2016/425, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2016, que consta do Decreto-Lei n.º 118/2019, de 21 de agosto. A Norma EN 149:2001+A1:2019 refere-se a Equipamentos de Proteção Individual, aplicável aos aparelhos de proteção respiratória filtrantes (APR), nomeadamente aos “respiradores” ou “máscaras autofiltrantes”, e, consoante a eficiência de filtração, classifica-os em equipamentos FFP1, FFP2 e FFP3.

Neste tipo de máscaras, deve ser dada preferência às que não têm válvula. Os respiradores com válvulas facilitam a expiração do ar e, por isso, são mais confortáveis de usar. No entanto, não filtram o ar expirado pelo utilizador, apenas o inspirado. Essa proteção unidirecional coloca os outros em risco, se o utilizador estiver infetado com covid-19.

Social ou comunitária

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Classificada como artigo têxtil de uso único ou reutilizável, a máscara social deve permitir quatro horas de uso ininterrupto, sem degradação da capacidade de retenção de partículas, nem da respirabilidade. As máscaras de nível 2 devem assegurar, no mínimo, a filtração de 90% das gotículas, e as de nível 3, 70 por cento. As primeiras são indicadas para profissionais com contacto frequente com o público, como empregados de lojas ou repartições, e as segundas, para a população em geral.

A informação sobre a reutilização (lavagem, secagem, conservação e manutenção) e o número de utilizações devem ser dadas pelo fabricante. Na etiqueta, o utilizador deve, também, ser informado sobre as características de desempenho, sobre o facto de o produto não ser um dispositivo médico ou um equipamento de proteção individual e sobre a composição. O fabrico está sujeito ao cumprimento das normas EN 14683:2019 (Anexo C) ou EN ISO 9237:1995, EN 14683:2019 (Anexo B) ou EN 13274-7:2019. 

Os fabricantes deverão notificar a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica acerca da sua atividade, bem como manter à disposição das autoridades um breve dossiê técnico, com as características da matéria-prima, a descrição do processo de produção, a informação a constar com o produto e os relatórios dos ensaios realizados e da conformidade do produto, emitidos por um laboratório reconhecido.

Viseiras são eficazes?

As viseiras servem como proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas. Podem ser um complemento útil, mas não podem ser usadas em substituição da proteção respiratória (como máscaras), quando necessário. A sua utilização deverá ser complementada com um método barreira que tape o nariz e a boca.

Regras de etiqueta em tempos de pandemia

As relações sociais estão condicionadas pela pandemia da covid-19. Ainda que momentaneamente, as regras de convívio mudaram. Primeiro, o distanciamento social é a nova etiqueta. Segundo, lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou desinfetá-las com gel à base de álcool. Terceiro, a usar adequadamente uma máscara na rotina diária das relações com os outros.

A colocação correta da máscara obedece a preceitos rigorosos. Para que a sua função seja cumprida, a máscara deve cobrir por completo o nariz e o queixo. Antes e depois de a pôr, deve lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com um gel à base de álcool. Quando remover a máscara, faça-o por detrás, evitando tocar na parte da frente. Há o risco de a transmissão aumentar se a máscara for retirada de modo inapropriado, se se manusear uma máscara contaminada ou caso uma pessoa saudável toque na cara durante a utilização.

Enquanto a máscara estiver no rosto, puxá-la para o queixo, para falar ao telemóvel, ou simplesmente tocá-la, é altamente desaconselhado.

Deponha as máscaras não reutilizáveis num contentor de resíduos. Lave as reutilizáveis logo a seguir à utilização, de acordo com as instruções da etiqueta. Siga as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

 

 

 

 

 

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