Notícias

Máscaras cirúrgicas, respiratórias e sociais: o que são e a quem se destinam

A Direção-Geral da Saúde já recomendou o uso generalizado de máscaras em espaços fechados e definiu as regras de fabrico. Mas o risco de infeção é real se as outras medidas de prevenção forem esquecidas.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
28 abril 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
Novo_thumb_mascaras

iStock

O princípio da precaução acabou por prevalecer. Alinhada com o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), e após analisar vários estudos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) avançou com a recomendação do uso generalizado de máscaras pela população em espaços fechados com elevada concentração de pessoas. As máscaras sociais (não cirúrgicas), classificadas pela DGS como artigo têxtil, fomentam uma relação de proteção e de benefício mútuos entre o cidadão e a comunidade. Este organismo nomeou o seu uso como "um ato de altruísmo". Em colaboração com outras entidades, a DGS já definiu as linhas mestras do fabrico. Para o consumidor saber o que está a comprar, a etiqueta ou o rótulo das máscaras sociais deveriam indicar as normas seguidas pelo produto. 

O que está em causa? Usar uma máscara, à partida, é uma mais-valia, nas situações descritas pelo governo português, em consonância com as autoridades de saúde: em locais fechados, com grande afluência de pessoas, como supermercados e transportes públicos. Porém, e há estudos a comprovar, pode revelar-se uma falsa amizade, quando, por exemplo, tocamos com as mãos nos olhos e na própria máscara. Alguém saudável pode ficar infetado se for imprudente. Por isso, o uso de máscara é sobretudo um benefício superior para a comunidade, pois previne que alguém infetado, mesmo sem sintomas de covid-19, seja um veículo de transmissão do novo coronavírus. 

As máscaras comunitárias vêm aliviar a procura pelas cirúrgicas e respiratórias, prioritárias para os profissionais de saúde, devido à falta de equipamento de proteção enfrentada nos países europeus, e um pouco por todo o mundo. 

Autoridades de saúde: usar, sim, mas não só

Do ponto de vista científico, não está provado que a utilização generalizada de máscaras pela comunidade seja eficaz a prevenir a infeção. É nessa premissa que a Organização Mundial de Saúde (OMS) se apoia quando tem afirmado que "“Não há evidência de que usar uma máscara (médica ou de outro tipo) por pessoas saudáveis, na comunidade alargada, incluindo o uso universal, possa preveni-las de uma infeção por vírus respiratórios, incluindo a covid-19." Aos profissionais de saúde que trabalham com pessoas com covid-19, ou com suspeitas de a terem contraído, a OMS recomenda máscaras auto filtrantes ou respiratórias (N95/FFP2 ou equivalente), além de outras proteções.

Mas a mesma OMS recomenda condicionalmente o uso de máscaras na comunidade para indivíduos sem sintomas em epidemias ou pandemias graves, para reduzir a transmissão. No entanto, as evidências baseiam-se em estudos sobre gripe sazonal (influenza) e outros coronavírus, ficando a dúvida sobre a aplicabilidade à covid-19.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) defende que o uso massificado de máscaras pode ser particularmente relevante em situações epidémicas, quando se considera ser elevado o número de indivíduos assintomáticos, mas infecciosos, na comunidade. O ECDC recomenda-as sobretudo em locais fechados, com grande concentração de pessoas, como centros comerciais e transportes públicos, ou por indivíduos com profissões que envolvem proximidade física com aglomerações, como polícias e operadores de caixas em supermercados. Ou seja, a máscara é relevante quando não é possível cumprir as outras medidas de mitigação, como o distanciamento social. Ao ar livre pode não ser necessário, uma vez respeitada a regra dos dois metros de distância.

A utilização de máscaras  é uma medida complementar, avisa o ECDC. Não pode ser encarada como a substituição das medidas preventivas cruciais para reduzir a transmissão: distanciamento social, ficar em casa em caso de doença, teletrabalho, etiqueta respiratória, higiene meticulosa das mãos e não tocar na cara, nos olhos e na boca.   

Três tipos de máscara

Chegados a este ponto, é cada vez mais consensual que pessoas com sintomas leves, ou ainda não manifestos, contribuem para a disseminação da covid-19. A máscara pode ajudar a reduzir a propagação da infeção na comunidade, minimizando a expulsão de gotículas de saliva produzidas pela tosse ou espirro, tanto de indivíduos infetados, que podem não ter disso conhecimento. Quem já apresenta sintomas deve recorrer à máscara cirúrgica. A etiqueta respiratória – a cobertura da boca e do nariz com um lenço de papel ao tossir, ou fazê-lo para o antebraço - também visa limitar a disseminação do vírus. 

Cirúrgica

 

Cobrem a boca e o nariz do profissional de saúde. Funcionam como uma barreira para minimizar a transmissão direta de agentes infecciosos entre o profissional e o doente. A principal finalidade é proteger a saúde do doente, embora também salvaguarde o profissional. Estas máscaras devem cumprir os requisitos essenciais da Diretiva Europeia n.º 93/42/CEE, de 14 de junho de 1993, sobre dispositivos médicos, e a norma EN 14683:2019, bem como apresentar marcação CE.

 

Respiratória

 

Protegem o profissional de saúde de potenciais riscos para a sua saúde e segurança. Define-se como equipamento de proteção individual e deve obedecer ao Regulamento (UE) 2016/425, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2016, que consta do Decreto-Lei n.º 118/2019, de 21 de agosto. A Norma EN 149:2001+A1:2019 refere-se a Equipamentos de Proteção Individual, aplicável aos aparelhos de proteção respiratória filtrantes (APR), nomeadamente aos “respiradores” ou “máscaras autofiltrantes”, e, consoante a eficiência de filtração, classifica-os em equipamentos FFP1, FFP2 e FFP3.

 

Social ou comunitária

 

Classificada como artigo têxtil de uso único ou reutilizável, a máscara social destina-se à população em geral para as saídas autorizadas, enquanto o confinamento vigorar, e a profissionais sem regime de teletrabalho. Deve permitir quatro horas de uso ininterrupto, sem degradação da capacidade de retenção de partículas, nem da respirabilidade. Assegurar, no mínimo, 70% de filtração, é um requisito obrigatório. A informação sobre a reutilização (lavagem, secagem, conservação e manutenção) e o número de utilizações devem ser dadas pelo fabricante. Na etiqueta, o utilizador deve, também, ser informado sobre as características de desempenho, sobre o facto de o produto não ser um dispositivo médico ou um equipamento de proteção individual e sobre a composição. O fabrico está sujeito ao cumprimento das normas EN 14683:2019 (Anexo C) ou EN ISO 9237:1995, EN 14683:2019 (Anexo B) ou EN 13274-7:2019. 

Os fabricantes deverão notificar a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica acerca da sua atividade, bem como manter à disposição das autoridades um breve dossier técnico, com as características da matéria-prima, a descrição do processo de produção, a informação a constar com o produto e os relatórios dos ensaios realizados e da conformidade do produto, emitidos por um laboratório reconhecido.

Viseiras são eficazes?

As viseiras servem como proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas. Podem ser um complemento útil, mas não podem ser usadas em substituição da proteção respiratória (como máscaras), quando necessário. A sua utilização deverá ser complementada com um método barreira que tape o nariz e a boca.

Regras de etiqueta em tempos de pandemia

As relações sociais estão condicionadas pela pandemia da covid-19. Ainda que momentaneamente, as regras de convívio mudaram. Primeiro, o distanciamento social é a nova etiqueta. Segundo, lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou com gel à base de álcool. Terceiro, ao tossir, fazê-lo na direção do antebraço ou tapando a boca e o nariz, para um lenço de papel, que deve ser de imediato deitado no lixo. Aprender a usar adequadamente uma máscara poderá entrar agora também na rotina diária das relações com os outros.

A colocação correta da máscara obedece a preceitos rigorosos. Para que a sua função seja cumprida, a máscara deve cobrir por completo o nariz e o queixo. Antes e depois de a pôr, deve lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com um gel à base de álcool. Quando remover a máscara, faça-o por detrás, evitando tocar na parte da frente. Há o risco de a transmissão aumentar se a máscara for retirada de modo inapropriado, se se manusear uma máscara contaminada ou caso uma pessoa saudável toque na cara durante a utilização.

Enquanto a máscara estiver no rosto, puxá-la para o queixo, para falar ao telemóvel, ou simplesmente tocá-la, é altamente desaconselhado.

Deponha as máscaras não reutilizáveis num contentor de resíduos. Lave as reutilizáveis logo a seguir à utilização, com detergente, a 60ºC. Siga as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

 

 

 

 

 

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

Num Mundo complexo e com informação por vezes contraditória, a DECO PROTESTE é o sítio certo para refletir e agir.

  • A nossa missão exige independência face aos poderes políticos e económicos. 
  • Testamos e analisamos uma grande variedade de produtos para garantir que a escolha dos consumidores se baseia em informação rigorosa. 
  • Tornamos o dia-a-dia dos consumidores mais fácil e seguro. Desde uma simples viagem de elevador ou um desconto que usamos todos os dias até decisões tão importantes como a compra de casa.
  • Lutamos por práticas de mercado mais justas. Muitas vezes, o País muda com o trabalho que fazemos junto das autoridades e das empresas. 
  • Queremos consumidores mais informados, participativos e exigentes, através da informação que publicamos ou de um contacto personalizado com o nosso serviço de apoio.

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Faça parte desta comunidade.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.