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Viseu, Leiria e Braga são as cidades com mais qualidade de vida

Habitação, custo de vida e emprego e mercado de trabalho são as áreas que originam habitantes mais insatisfeitos. A pandemia veio piorar a qualidade de vida nas 12 cidades analisadas, mas Leiria foi o município com melhor desempenho durante a crise do coronavírus.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
26 março 2021 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Mulher jovem, no exterior, junto a prédios

iStock

Entre os quase 3500 portugueses que responderam ao nosso inquérito sobre a qualidade de vida nas cidades, os habitantes de Viseu, Leiria e Braga são os que se encontram, em geral, mais satisfeitos com o local onde vivem. Já quem está em Évora, Lisboa, Porto e Setúbal encontra mais razões que desagradam nos respetivos centros urbanos.

Qualidade de vida em 12 cidades

grafico 12 cidades

Das dez vertentes avaliadas, o custo de vida, a segurança e criminalidade e a limpeza e gestão de resíduos são as que têm maior impacto na qualidade de vida nas cidades. Viseu encontra-se acima da média nestes três critérios. No último estudo que publicámos sobre a qualidade de vida nas cidades, em julho de 2012, Viseu tinha já o índice mais elevado.

Para cada área avaliada, perguntámos aos portugueses qual a avaliação que faziam entre o momento em que responderam (final de 2020) e o período imediatamente anterior à crise do coronavírus. Embora na maioria das cidades os inquiridos defendam que está tudo na mesma, há diferenças nalguns critérios. É o caso de um terço dos lisboetas que responderam ao inquérito, os quais consideram que o meio ambiente e a poluição melhoraram. Para esta opinião, deve ter contribuído o confinamento e o menor número de carros a circular em Lisboa.

Mercado da habitação não agrada

A maioria dos inquiridos vive nas cidades que avaliaram há mais de dez anos. Procurámos conhecer o nível de satisfação com dez áreas fundamentais no dia-a-dia, sobretudo quando se vive num grande centro urbano. Revelamos as cidades que se situam acima e abaixo da média em cada uma, e indicamos o índice de satisfação alcançado. As áreas estão ordenadas pelo índice médio obtido, com a segurança e criminalidade, mas também a educação, a revelarem o mais elevado.

grafico segurança

grafico educação

grafico cultura

grafico meio ambiente

grafico limpeza

grafico mobilidade

grafico saúde

grafico emprego

grafico custo de vida

grafico habitação

O mercado da habitação, para o qual pedimos que fosse avaliada a oferta de casas e os respetivos preços, é a área com uma apreciação média mais baixa: 5,1 em 10 pontos. Nas três cidades com um índice mais baixo nesta área, mais de 60% dos inquiridos revelaram-se insatisfeitos com o mercado da habitação. O custo de vida (5,5) e o emprego e mercado de trabalho (5,6) são outras áreas com uma apreciação média baixa.

Não hão de ser indiferentes a estes resultados a crise que afetou o País há dez anos, nem as consequências que a pandemia está a ter para todos os cidadãos, em geral, e determinados setores, em particular. Por exemplo, cerca de metade dos inquiridos de Évora e Faro consideram que o mercado da habitação está pior do que antes da pandemia. Em relação ao emprego e mercado de trabalho, cerca de 60% ou mais dos inquiridos de todas as cidades referiram que piorou. Quanto ao custo de vida, só em Évora, Setúbal e Porto, mais de metade dos habitantes indicaram que a situação estava pior do que antes da crise do coronavírus.

Apesar de tudo, as cidades são consideradas seguras e os habitantes estão satisfeitos com a educação, pois estas duas áreas atingiram o índice de satisfação médio mais elevado: 7 pontos em 10 possíveis. Contudo, mais de um terço dos inquiridos de Braga consideram que a segurança diminuiu com a pandemia. Quanto à educação, perto de um terço dos habitantes de Évora e quase um quarto dos de Lisboa defendem que também piorou com a covid-19.

Pandemia reduz qualidade de vida

Quisemos também conhecer a opinião dos inquiridos sobre a qualidade de vida há cinco anos, há dois anos, imediatamente antes da crise do coronavírus e quando responderam ao inquérito, entre outubro e novembro de 2020. Procurámos, assim, obter a perceção dos portugueses quanto à recuperação da crise económica originada pelo pedido de ajuda externa e os anos da troika até ao momento que a pandemia obrigou a fechar o País.

Foi unânime que a crise do coronavírus diminuiu a qualidade de vida em todas as cidades. Enquanto nos anos anteriores se tinha mantido relativamente estável, só com algumas subidas e descidas ligeiras em certos centros urbanos, o final de 2020 veio piorar o cenário.

Leiria lidou bem com a crise

Mas terão as câmaras lidado bem com os desafios originados pela pandemia? Em geral, desde o início da pandemia que se verifica uma diminuição da satisfação dos portugueses com o desempenho das câmaras municipais das cidades analisadas. Os inquiridos de Leiria revelaram-se os mais satisfeitos com o desempenho municipal, desde o momento em que a crise do coronavírus começou (março de 2020) até à altura em que preencheram o inquérito, no final de 2020, apesar de um decréscimo do nível de satisfação.

Mais do que levar os portugueses a mudar de cidade, esperamos que este estudo ajude os municípios a descobrirem o que têm de melhorar para conseguirem cidadãos mais satisfeitos.

Como fizemos o estudo

Para avaliar o grau de satisfação dos portugueses com vários aspetos da cidade onde vivem, enviámos, em outubro e novembro de 2020, um questionário online aos subscritores das revistas e a uma amostra proporcional da população adulta residente nas cidades selecionadas. O inquérito foi realizado aos habitantes das 12 capitais de distrito com mais população: Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu. No total, os resultados são baseados em 3487 respostas válidas, que espelham as opiniões e as experiências dos inquiridos.

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