última atualização: 28/01/2021

Volta a Portugal de carro 100% elétrico

É possível percorrer o país de lés a lés num carro 100% elétrico? O que acontece quando a viagem é longa e dependemos exclusivamente da rede pública de carregamento? Para responder, percorremos 800 quilómetros de Caminha a Vila Real de Santo António, em duas etapas, de Caminha até ao Alto Alentejo, e de Elvas até Vila Real de Santo António. Do litoral norte ao alentejo interior, das autoestradas às estradas nacionais e municipais: que soluções de carregamento existem dentro e fora das cidades portuguesas? 

Percorremos o País ao volante de um automóvel 100% elétrico, o Kia e-Niro, com uma bateria de 64 kWh e uma autonomia de 400 quilómetros. Cortámos a meta, mas descobrimos um país a duas velocidades.

Postos indisponíveis e em fase de instalação, postos ocupados, inexistentes ou avariados ou um único posto de carregamentos são todos cenários possíveis, mesmo na principal autoestrada do país. 

Na estação de serviço de Antuã, distrito de Aveiro, o único posto existente estava ocupado. Na Mealhada, só existia carregador no sentido contrário. Chegados ao distrito de Leiria, o cenário piorou. Com 26% de bateria, encontramos o posto de carregamento de Alvaiázere fora de serviço e tivemos de inverter para fazer um supercarregamento no lado oposto.

Às portas de Portalegre e apesar de existir um elevado número de carregadores, não tivemos sucesso em nenhum deles. Num supermercado, encontrámos quatro lugares exclusivos para elétricos...mas ainda não tinham sido inaugurados. 

Felizmente, tínhamos autonomia para continuar e seguimos para Elvas, onde encontrámos um hotel com tomada disponível.

Na manhã seguinte, a viagem continuou, desta vez por estradas nacionais e municipais. Aqui, os carregadores têm potências mais baixas, de 3,6 kW a 11 kW, e é difícil encontrar carregadores de 22 kW. Ou seja, com metade da capacidade dos postos de autoestrada, demoramos o dobro do tempo para atingir a mesma autonomia. 

Quase 800 quilómetros e 24 horas de condução depois, cortámos a meta e chegámos ao Algarve. O País acusa desigualdades e há pontos a melhorar:

- Rede de carregamento rápido das autoestradas não abrange a totalidade das áreas de serviço; 
- Número insuficiente de postos: um posto único cria dificuldades na disponibilidade e tempo de espera, comprometendo a utilização prática do carro elétrico;
- Oferta de carregadores no Interior continua desigual e escassa;
- Em várias zonas, existe um único carregador a mais de 50 quilómetros entre cada localidade com carregador (no nosso percurso, fizemos mais de 120 quilómetros sem um único carregador). 

Leia a reportagem na íntegra e veja o vídeo.

Equipa DECO PROTESTE

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3 Comentários

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18/01/2021

Boa tarde. Bom tema para debater em comunidade. Juntámo-nos à mobilidade eláctrica em Agosto2020. Ainda sentimos algumas dificuldades. Vou acompanhar esta conversa.

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18/01/2021
, Respondeu:

Olá Ana, 
Boa tarde. 

Agradecemos apartilha e participação na nossa comunidade. Quais as principais dificuldades que sente? Em trajetos longos ou mesmo nos mais curtos? 

Obrigada, 
Equipa DECO PROTESTE

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28/01/2021
, Respondeu:

Boa tarde. Sentimos dificuldade dos postos de carregamento. Torna-se essencial planear qualquer trajeto e verificar se os postos públicos de carregamento estão a funcionar ou se, infelizmente, estão ineoperacionais. A segunda hipótese é a mais comum e quando se contacta com o gestor do posto a resposta tarda ou nunca existe. Penso que Portugal já deveria estar um pouco mais à frente na temática dos veiculos eléctricos.