Dicas

Como reduzir o consumo de sulfitos nos alimentos

11 junho 2020
Casal num supermercado a ler o rótulo de uma garrafa

A lei estabelece limites, mas há alimentos que os ultrapassam e alguns rótulos nem sequer os anunciam. O ideal é ler a lista de ingredientes e optar pelos que não contêm este tipo de conservantes.

Os sulfitos são substâncias que evitam o desenvolvimento de microrganismos e ajudam a manter a cor original dos alimentos. Mas em doses exageradas podem ter efeitos indesejáveis.

Efeitos dos sulfitos na saúde

 Quando ingeridos em doses elevadas, os sulfitos podem ser tóxicos. A ingestão de quantidades acima de 0,7 miligramas por quilo diários pode provocar, entre outros, dores de cabeça e abdominais, náuseas, vómitos e diarreia, bem como reações asmáticas graves e, em casos extremos, a morte. É fundamental que os limites legais não sejam ultrapassados e se faça referência à presença destas substâncias nos produtos embalados e a granel, para que pessoas sensíveis consigam evitar a sua ingestão em doses exageradas.

O IARC (International Agency for Research on Cancer) qualificou os sulfitos como “não classificados quanto à sua carcinogenicidade em humanos”, o que levanta suspeições quanto ao seu potencial cancerígeno.

Como identificar aditivos no rótulo

Na União Europeia, os sulfitos são representados pelo código E220-E228, excluindo o E225, e considerados, a partir de 2005, como alergénicos se a sua quantidade exceder 10 miligramas por quilo ou litro. Uma vez ultrapassado este valor, é obrigatória a menção no rótulo. É essencial que os rótulos mencionem estes aditivos.

Os sulfitos, ou dióxido de enxofre, são ingredientes que devem ser indicados no rótulo, na respetiva lista, pelo nome da categoria: conservante e o nome ou número do aditivo (de E220 a E228, com exceção do E225).

Nos vinhos sem lista de ingredientes deve constar a expressão “contém…”, seguida dos termos sulfitos, anidrido sulfuroso ou dióxido de enxofre. Alguns produtos anunciam conter sulfitos sem os ter, prática a evitar por colocar em alerta os consumidores de forma desnecessária.

Lei muito permissiva com utilização de sulfitos

 Há um número alargado de géneros alimentícios que podem conter derivados de enxofre (dióxido de enxofre e sulfitos), dentro de determinados limites. O problema é que a dose diária admissível (DDA) de sulfitos pode ser ultrapassada se combinarmos alguns alimentos ou consumirmos em demasia um deles. Pode não representar um risco direto para o consumidor, mas é um fator a considerar.

A utilização dos sulfitos é questionável e nem sempre a sua aplicação é correta ou necessária. Na maioria dos casos, podem ser dispensáveis se boas práticas de produção, fabrico e conservação forem seguidas e se estabelecerem prazos de validade adequados.

O uso de sulfitos na carne e derivados também se prende com razões estéticas, para conferir um ar de frescura a produtos que podem não estar frescos. A baixas temperaturas de conservação, os sulfitos têm mostrado ser eficazes contra o desenvolvimento de microrganismos. Mas não é preciso recorrer a estes aditivos. Por exemplo, nada justifica o seu uso em produtos de carne congelados. Manter uma cor atraente não é um argumento válido.

Em frutos e outros alimentos de origem vegetal, os fabricantes recorrem aos sulfitos também para evitar a oxidação. Este fenómeno natural não é perigoso, mas o aspeto do produto fica comprometido. O teor autorizado por lei, por exemplo, em frutos secos, é elevado para permitir uma cor mais atraente. É possível não utilizar sulfitos ou recorrer a quantidades menores. Alguns limites legais são demasiado elevados face ao necessário.

Crustáceos sempre bem lavados

Em camarões e outros crustáceos, os sulfitos evitam a melanose, que se caracteriza pelo aparecimento de tons escuros na cabeça e na parte superior do abdómen. Embora também não seja perigoso para o consumidor, este fenómeno não joga a favor da aparência dos camarões.

Os teores em sulfitos podem variar bastante, até no mesmo lote. Isso acontece pelo facto de, nos navios, serem espalhados por cima daqueles crustáceos e, por vezes, os que estão no topo ficam com maiores concentrações. Seria mais prudente recorrer a soluções aquosas para a distribuição ser mais equitativa e assegurar a presença de quantidades mínimas.

É importante não esquecer lavar bem os camarões antes de os confecionar.

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