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Lagarta do pinheiro: quem está em risco e como tratar

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O efeito tóxico do contacto com a lagarta do pinheiro causa inchaço, irritação e, por vezes, dificuldades respiratórias. Saiba o que fazer em caso de reação alérgica.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
27 fevereiro 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
lagarta pinheiro

iStock

Também conhecida como processionária, a lagarta do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa Schiff) é um inseto desfolhador dos pinheiros e cedros em Portugal. O nome deriva do facto de se deslocar em fila, formando longas procissões de lagartas quando passam das árvores para o solo, para se enterrarem e crisalidar (passar de lagarta a borboleta).

O ciclo de vida da lagarta do pinheiro tem duas fases: a fase adulta, que é aérea, formada pelos ovos e lagartas e a fase de pupa, que é subterrânea.

Dependendo de vários fatores, como as condições climáticas, é geralmente entre janeiro e abril que as lagartas descem dos pinheiros. Nesta deslocação, vão libertando pelos urticantes que, em contacto com a pele, mucosas e olhos são responsáveis por alergias em pessoas e animais.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento desta praga, sobretudo devido às condições climáticas. Em ambiente urbano, a lagarta do pinheiro exige vigilância constante e um combate urgente e atempado para evitar riscos para a saúde pública.

A presença da lagarta do pinheiro é fácil de ver nas árvores. Entre julho e novembro, observam-se tufos de agulhas avermelhadas, ligadas por fios sedosos, nos ramos expostos ao sol. Os ninhos grandes, em forma de bolsões, constituídos por fios brancos e sedosos, na ponta dos ramos expostos ao sol, aparecem a partir do outono.

Sintomas e formas de tratamento

O contacto com os pelos urticantes da lagarta pode originar uma reação alérgica que varia consoante a sensibilidade da pessoa e a intensidade da exposição aos pelos.

As irritações cutâneas são um dos tipos de reações (reação urticariforme), em que há irritação cutânea com comichão, ardor, pele vermelha e inchaço. As lesões cutâneas têm características maculopapulares (manchas bem circunscritas) e podem ser acompanhadas de vesículas.

A irritação ocular é muito semelhante a uma conjuntivite, com os olhos avermelhados, comichão e inchaço.

inalação dos pelos pode desencadear tosse e dificuldades respiratórias de gravidade variável.
 
Os sintomas podem surgir alguns minutos ou horas depois do contacto e persistir por várias horas ou dias.

O tratamento depende da intensidade dos sintomas, mas pode incluir:

  • lavar a pele ou os olhos com água corrente;
  • remover pelos urticantes que possam ter ficado na pele (pode usar um adesivo, por exemplo);
  • mudar de roupa e lavá-la a altas temperaturas (maior ou igual a 60ºC);
  • aplicar, no local da reação alérgica, uma pomada à base de corticoides;
  • tomar um anti-histamínico.

No caso de contacto por via ocular, recomenda-se a observação por um oftalmologista. Se a reação alérgica for mais intensa, deve dirigir-se ao serviço de urgência de um hospital para observação.

Se necessário, ligue 112. Pode, ainda, contactar o Centro de Informação Antivenenos – 808 250 143. 

Os animais também são sensíveis ao contacto com as lagartas. Recorra a um veterinário, sobretudo no caso de cães e gatos.


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