Notícias

Maioria dos pais não acredita que filhos recuperem as aprendizagens este ano letivo

Quase dois terços dos pais admitem que os filhos não estavam bem preparados no início do ano escolar, devido à pandemia, e mais de metade temem que estes não consigam recuperar totalmente este ano letivo. Pessimismo é maior nos 2.º e 3.º ciclos.

18 janeiro 2022 Exclusivo
crianças nas aulas com máscara de proteção à covid-19

iStock

A pandemia de covid-19 continua a ter um impacto preocupante no desempenho escolar dos alunos, revela o inquérito que fizemos a perto de um milhar de encarregados de educação de alunos dos ensinos básico e secundário. Quase 90% consideram que a pandemia teve impacto no desempenho escolar dos filhos, no ano letivo anterior, e perto de dois terços admitem que estes não estavam bem preparados no arranque das aulas, em setembro. Essa perceção é ainda mais expressiva entre os pais de alunos dos 2.º e 3.º ciclos: são 73% os que reconhecem a falta de preparação dos filhos quando iniciaram o novo ano. São também estes os que se sentem mais pessimistas em relação à recuperação dos seus educandos: três em cada cinco não acreditam que estes consigam recuperar completamente ao longo deste ano letivo. 

Pais que consideram que os filhos não estavam bem preparados no início deste ano letivo

graficos 1

Pais que não acreditam na total recuperação dos filhos neste ano letivo

graficos 2

Crianças e jovens cuja preparação escolar sofreu impacto da pandemia no ano letivo anterior

graficos 3

Na tentativa de reverterem este quadro, e segundo os pais, à data do nosso inquérito (novembro de 2021), mais de metade dos professores estavam ainda a compensar a matéria que ficara em atraso, devido aos confinamentos do ano anterior. Também por essa altura, já mais de um terço dos alunos tinham estado em isolamento profilático, sobretudo devido a casos positivos entre colegas de turma. Uma realidade que mudou no reinício do ano escolar, em janeiro, com o fim do confinamento de turmas completas.

Escola passa com nota positiva

Apesar das dificuldades, um pouco mais de metade dos pais (52%) consideram que o sistema de ensino tem tido um bom desempenho ao longo da pandemia.

Os pais dos alunos mais novos são os que se mostram mais satisfeitos, sobretudo com a informação prestada sobre o progresso académico dos filhos e o cumprimento do ano escolar, tal como inicialmente previsto. Por sua vez, a implementação e o controlo das medidas sanitárias nas escolas foram particularmente apreciados pelos pais dos alunos do ensino secundário. 

Já em relação ao plano de ação perante casos positivos de covid-19 nas turmas, que vigorava na altura, os pais de alunos dos 2.º e 3.º ciclos foram os que se mostraram mais descontentes.

Apesar de a esmagadora maioria dos pais reconhecerem que houve um importante aumento do uso da tecnologia na aprendizagem e que os professores estão agora mais capacitados para o ensino à distância, este incremento não se repercutiu na comunicação entre as famílias e a escola: apenas 44% consideram que houve melhorias neste campo devido às novas tecnologias. 

Também a menor regularidade de atividades abertas aos pais, como festas e apresentações, beliscou a sua relação com os estabelecimentos de ensino. É essa a opinião de 46% dos inquiridos, que se sentem mais afastados da escola.

Saúde mental dos alunos afetada pela pandemia

Quatro em cada dez pais reconhecem que a pandemia foi um desafio para a saúde mental de crianças e jovens que se viram, de repente, sujeitos a uma alteração drástica dos seus hábitos e rotinas. Dificuldades que, segundo os nossos inquiridos, foram mais sentidas no 1.º ciclo. 

Não é, por isso, de estranhar que 87% dos alunos se tenham mostrado felizes com o regresso à escola. Apesar de terem encontrado um panorama diferente, a adaptação decorreu sem dificuldades. Nove em cada dez cumprem integralmente as regras de segurança dos estabelecimentos de ensino que frequentam, como o uso de máscara e o distanciamento social.

Os períodos de ensino à distância, em que o contacto com plataformas e equipamentos informáticos foi praticamente diário levaram, segundo os pais, a uma melhoria notória dos conhecimentos tecnológicos dos filhos. Por outro lado, em mais de metade dos casos, fizeram também com que as crianças passassem a dedicar mais do seu tempo livre aos ecrãs.

O nosso estudo

Este inquérito foi realizado em conjunto com as associações de consumidores nossas congéneres de Espanha, Itália e Bélgica. Entre o final de outubro e novembro de 2021, foram enviados questionários online a uma amostra de pais de crianças que frequentam o 1.º, o 2.º e o 3.º ciclos e o ensino secundário. No total, obtivemos 3834 respostas válidas (927, em Portugal).

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.