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As instituições e empresas em que os portugueses confiam mais

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Medimos o grau de confiança que os portugueses depositam no SNS e no sistema judiciário, entre várias outras instituições nacionais e internacionais. Saiba ainda que imagem têm de 25 empresas.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Nuno César
04 outubro 2021 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Nuno César
deusa da justiça: confiança nas instituições

Hélder Oliveira

A confiança que os portugueses depositam na grande maioria das instituições nacionais e internacionais melhorou desde o inquérito que realizámos em 2016. Mas não ao ponto de se poder afirmar que essa confiança é cega. Pelo contrário. Os resultados estão ainda longe do ideal. Um elevado número de inquiridos está convicto de que estas organizações carecem de independência e são permeáveis a interesses de governos ou grupos económicos.

O mais flagrante, contudo,  é o défice estrutural de informação. Quanto mais baixo é o nível de conhecimentos sobre as organizações, mais diminuta é a confiança atribuída. Melhorar o acesso dos cidadãos à informação pode ajudar a mitigar essa desconfiança.

Pandemia faz aumentar confiança na SNS e na OMS

A forma como as autoridades de saúde pública geriram e atuaram durante a pandemia contribuiu para melhorar de forma significativa a perceção dos inquiridos sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Quando comparado a 2016, o índice de confiança passou de 5,1 para 6,3. Ainda assim, nem tudo é uma panaceia e há um longo caminho a percorrer na melhoria do sistema.

É notório que o grau de conhecimento e de confiança no SNS oscila consoante as perguntas. Por exemplo, um terço dos inquiridos desconhece o valor das taxas moderadoras em vigor no SNS, e 40% não sabem como apresentar uma reclamação dos serviços prestados, seja por ineficiência ou negligência médica. Com as listas de espera a engrossarem por causa da pandemia, metade dos portugueses revela baixa confiança no SNS para dar uma resposta atempada às suas necessidades.

No panorama internacional, a forma titubeante como a OMS geriu, no início, a pandemia não afetou a confiança dos cidadãos na instituição. Desde 2016, passou de 5 para 5,8, numa escala de 1 a 10, mas menos de um terço deposita uma elevada confiança neste organismo das Nações Unidas, para erradicar doenças contagiosas, como a covid-19.

Uma percentagem relevante dos inquiridos (41%) não acredita na independência da OMS perante os interesses da indústria farmacêutica ou dos governos. Os belgas são, contudo, ainda mais críticos e desconfiados do que os portugueses: 72% revelam descrença quanto à isenção desta instituição.

Portugueses confiam pouco nos eurodeputados

O mesmo sentimento de desconfiança emerge em relação ao Parlamento Europeu: 43% acreditam que privilegia certos países e grupos económicos. É também flagrante a baixíssima confiança que os portugueses depositam nos eurodeputados que elegeram (21 de um total de 705) por cinco anos.

Quanto à instituição em si, apenas um quinto revela elevada confiança, sendo as gerações mais novas as que atribuem maior pontuação. Ainda assim, dos quatro países analisados no estudo, Portugal é o que regista o índice mais elevado (5,4 em 10, contra 5, na Itália, 4,6, em Espanha, e 4,1, na Bélgica).

Pelas respostas dadas, é nítido, no nosso país, o baixo nível de conhecimento sobre a atividade do Parlamento Europeu. Segundo o estudo, apenas metade das perguntas foram respondidas corretamente pelos inquiridos. Aliás, 52% não faziam ideia do que faz este orgão (tem o poder legislativo na União Europeia). À pergunta “o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia são apenas uma e a mesma”, 8% responderam sim, e 12% admitiram não saber.

Justiça não trata cidadãos de forma igual

O sistema judiciário não granjeia grande reputação e, nos últimos anos, a confiança dos portugueses nele depositada passou apenas de 3,4 para 4 (de 1 a 10). Os processos mediáticos trouxeram protagonismo, mas o arrastamento por longos anos nas várias instâncias e a ausência de decisões parecem ter retirado credibilidade à justiça portuguesa. Aliás, 82% dos inquiridos não têm confiança no sistema judicial para resolver processos legais dentro de um prazo razoável. E, embora a justiça deva ser cega e não usar dois pesos e duas medidas na aplicação da lei, 58% estão convictos de que os cidadãos não são tratados de forma igual.

Apenas 9% partilham uma elevada confiança na equidade do sistema. Sentimento comum partilhado, aliás, por todos os países envolvidos neste estudo. De salientar que o nível de conhecimentos dos portugueses que participaram no inquérito é muito reduzido: apenas 8% responderam corretamente a quatro das cinco questões, e, ao contrário do que aconteceu com as outras instituições já analisadas, não há diferenças, nas respostas, entre género, nível de ensino ou orientação política. Por exemplo, uma larga maioria (83%) acredita que qualquer pessoa que cometeu um crime tem direito a um advogado oficioso, pago pelo Estado, o que é falso. Apenas as pessoas ou entidades com insuficiência económica, impossibilitadas de pagar os custos de um processo e de um advogado, podem solicitar apoio judiciário.

Mais de metade também não conhece a estrutura do sistema, isto é, como estão organizadas, por exemplo, as várias jurisdições (tribunais), e 41% ignoram os seus direitos.

Como foi realizado o nosso inquérito

É a segunda vez, em cinco anos, que lançamos um inquérito em simultâneo em quatro países: Portugal, Espanha, Itália e Bélgica, para aferir a confiança que os cidadãos depositam em certas instituições, nacionais e internacionais. Neste estudo, mereceram, todavia, especial atenção o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o sistema judiciário português, o Parlamento Europeu e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Desta vez, as empresas também foram alvo de escrutínio no que diz respeito à imagem que projetam.

Assim, entre abril e maio, foi enviado um questionário a uma amostra da população entre os 18 e os 74 anos, tendo sido elaborado um conjunto de cinco questões específicas para aferir o grau de conhecimentos dos cidadãos sobre missão, atividade e estrutura destas organizações. De forma a medir a confiança, foi ainda pedido aos inquiridos que atribuíssem uma classificação de 1 a 10. No total, obtivemos, 5314 respostas válidas (1516, em Portugal), que foram ponderadas por género, idade, região e habilitações literárias, de forma a refletirem a realidade de cada país.

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