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Tem mesmo de ir aos festivais de verão? Saiba o que há à volta

Estamos em época alta de festivais de música. Se está com pouca vontade de se meter em confusões, mas tem mesmo de ir, não desperdice a viagem.

  • Texto
  • Alda Mota
11 julho 2019
  • Texto
  • Alda Mota
Rapariga em festival de música

iStock

Dezenas de festivais de rock, pop, reggae, eletrónica, jazz e blues levam milhares de pessoas a percorrer o País em julho e agosto. Se não gosta do cartaz ou está só a fazer de motorista, não desperdice a viagem. Deixe a tenda montada e bons conselhos para evitar imprevistos e fuja para um sítio que o faça mais feliz.

GUIAS COM PERCURSOS PARA VIAJAR

Um pouco por todo o País há pontos de chegada para os amantes de música e artes, com muita festa à mistura. Os cartazes prometem, mas não convencem todos os que para lá vão. Caso queira fugir de mansinho, aproveite as nossas sugestões.

Onde é o festival?

Alentejo

Consta que no verão de 1998 um grupo de amigos terá passado a madrugada a procurar uma rapariga entre as tendas instaladas na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar. Decorria o segundo ano daquele que viria a tornar-se uma das mais importantes festas de música do nosso país, e o chamamento rapidamente contagiou os restantes campistas. Desde então, o grito “ó Elsa!” é sinónimo de festival do Sudoeste. Mais de 20 anos passados, a questão impõe-se: onde teria ido a miúda? O nosso palpite é de que se fartou da confusão e foi dar uma volta pelo Alentejo: Milfontes, São Teotónio e Odemira estão a três passos do recinto e são pontos privilegiados de acesso a praias e falésias, com direito a uma autêntica “cura de Natureza”. Este ano a enchente da Costa Vicentina está marcada para 6 a 10 de agosto.

De 18 a 27 de julho, o Festival Músicas do Mundo faz eco em Sines. A cidade conseguiu preservar um núcleo antigo que vale a pena visitar a pé. A menos de meia hora de carro está Porto Covo, localidade hoje muito virada para o turismo, com uma praia abrigada de onde pode piscar o olho à ilha do Pessegueiro, imortalizada nos anos de 1980 pelo sucesso da canção de Rui Veloso.

De 26 a 28 de julho, é no concelho de Montemor-o-Novo que decorre o Festival do Lavre. Este evento assume como palco o coreto da vila. Nos últimos dias de agosto, o Festival do Crato enche as ruas. Se lhe apetecer, aproveite e vá conhecer o Alentejo profundo.

Grande Lisboa e Vale do Tejo

Os Bons Sons tiveram grande eco na comunicação social em 2018, e não por causa da acústica. Apostados em manter a aliança entre a música e as boas práticas ambientais, a festa que anima a aldeia de Cem Soldos, a 10 minutos de Tomar, foi notícia por promover o uso de loiça biodegradável e comestível, garrafas reutilizáveis e a substituição de toda a iluminação por lâmpadas led. Este ano, a aposta mantém-se e promete reduzir a pegada ecológica do festival marcado para 8 a 11 de agosto. Caso lhe sobre tempo, aproveite para conhecer a cidade templária.

Organizado pela primeira vez em 1995, na Gare Marítima de Alcântara, o Super Bock Super Rock é um dos maiores chamarizes de amantes de boa música à Grande Lisboa. Este ano, o festival celebra um quarto de século e decorre no Meco, em Sesimbra, entre 18 e 20 de julho. Mas não é o único evento musical de verão nas praias da Margem Sul. Cerca de um mês depois, de 15 a 18 de agosto, pode dizer “aqui vou eu cheio de pica” para O Sol da Caparica. Se estiver calor e a música não fizer o seu género, não lhe faltarão desculpas para dar um salto à praia.

O NOS Alive, inicialmente chamado Oeiras Alive!, arranca a 11 de julho com os The Cure no Passeio Marítimo de Algés e traz à Linha milhares de pessoas. Já que está perto do comboio, porque não ir a Cascais? Entre 9 e 31 de julho, decorre o EDP Cool Jazz, com vários dias que farão as delícias dos fãs deste género musical no município que em 2007 foi distinguido pelas práticas inovadoras nos eixos da acessibilidade e do turismo. Fazendo jus ao prémio, este ano a autarquia começou a testar um veículo de transporte de passageiros autónomo (elétrico e sem condutor) para cumprir carreiras regulares entre o Campus Universitário de Carcavelos e a estação de caminhos-de-ferro.

Caso planeie visitar Lisboa, não deixe escapar a Gulbenkian, com os seus magníficos jardins, o museu e o Centro de Arte Moderna. Se a viagem for em agosto e quiser aproveitar o festival de jazz que decorre na fundação, programe a estada para os primeiros onze dias do mês e desfrute da combinação harmoniosa das várias artes (música, pintura, escultura) com a natureza. De resto, vale sempre a pena fazer-se de turista e passear por Lisboa. Se tiver pouco tempo, uma boa forma de começar é comprar bilhete para o elétrico 28, que percorre alguns dos mais emblemáticos lugares do centro. Apanhe o “amarelinho” da Carris na Praça do Martim Moniz, na Baixa, e deixe-se misturar com os estrangeiros, apreciando algumas das mais movimentadas vias da cidade. Salte fora quando vir algo que lhe agrade e desfrute da capital.

Minho e Grande Porto

Desde os anos 1960 que Vilar de Mouros não deixa dormir os minhotos no verão. Obviamente que os contornos do evento de 2019 diferem muito dos que animavam as gentes no século passado, mas, este ano, a celebração do 50.º aniversário manda caprichar: os Manic Street Preachers fazem parte do chamariz, e a festa entre 22 e 24 de agosto promete. Se não for a sua onda, não desperdice a viagem. Dê um salto à foz do rio Minho e, caso o tempo o permita, desfrute do mar do Norte. Se a meteorologia lhe trocar as voltas, vá a Caminha e, de lá, siga as indicações do Miradouro da Fraga. Chegará ao ponto de observação por excelência deste canto de Portugal: com céu limpo, a paisagem estende-se por todo o estuário e pela costa espanhola adjacente; uma visão vertiginosa, que fará valer os quilómetros percorridos. 

Se lá em casa andam a contar os dias para ver os norte-americanos The National, o mais provável é que já tenha reservado os dias 14 a 17 de agosto para estar em Paredes de Coura. O festival decorre junto à praia fluvial do Tabuão, mas nada obsta a que vá a banhos num sítio mais calmo, e neste aspeto a região não desilude: há muitos espaços por onde escolher. Aliás, se estiver por lá uns dias mais cedo, ainda vai a tempo de apanhar o SonicBlast em Moledo, de 8 a 10 de agosto. As bandas tocam em dois palcos, e os participantes podem desfrutar não só do campismo habitual neste tipo de eventos, como também de uma piscina e de uma praia a uns cinco minutos a pé do recinto. Para fugir à confusão, lembre-se de que está a menos de meia hora de Viana do Castelo, onde poderá ter algum descanso, pelo menos, até 7 de agosto, altura em que começam os quatro dias do eletrónico Neopop. Beba um copo numa das esplanadas à beira-rio, enquanto pensa no que fará a seguir, e aproveite para apreciar a ponte perto da marina, projetada por Gustave Eiffel em 1878.

Caso tenha a rota traçada para o Ecos do Lima, em Ponte da Barca, o Gerês Rock Fest, em Terras de Bouro, o Rodellus ou o Dance Floor, em Braga, o MIMO Portugal, em Amarante, ou o Elétrico Festival, no Porto, terá de rumar ao Norte logo em julho (os festivais decorrem entre os dias 12 e 28). Farto de barulho? Fuja para o Alto Douro Vinhateiro e visite Foz Coa. Claro que o cartaz recheado do MEO Marés Vivas, que decorre em Gaia de 19 a 21 desse mês, lhe pode pôr um travão. Nesse caso, dê um salto à Invicta e deixe-se perder em Serralves.

Região Centro

Como qualquer fortaleza que se preze, também a de Montemor-o-Velho tem a sua lenda. Diz-se que lá estão enterradas duas arcas iguais, ambas fechadas. Uma conterá ouro suficiente para tornar o País rico; a outra, qual caixa de Pandora, ao ser aberta libertará todos os males e pestes. É pouco provável que, se for ao Festival Forte 2019, entre 22 e 25 de agosto, se veja confrontado com estes objetos, pois dificilmente irá lá para escavar. Contudo, consta que, mesmo de entre os que encontraram as arcas, e ainda que isso ocorresse em épocas de necessidade, nem os mais destemidos se atreveram a abrir qualquer uma delas, já que corriam o risco de libertar o que não queriam.

Os festivaleiros com viagem marcada para o Vagos Metal Fest, entre 8 e 11 de agosto, não viverão seguramente esse dilema, mas poderão ter outras escolhas a fazer. Sobretudo se não for fã de heavy metal, gostará de saber que há alternativas ao ambiente metaleiro. A praia da Vagueira oferece aos visitantes um bom areal com restaurantes simpáticos. Lá, os pescadores continuam a praticar a arte xávega (um tipo de rede utilizada na pesca de arrasto). Apesar de tanto a deslocação dos barcos na praia como a recolha das redes já não serem feitas recorrendo a juntas de bois, como outrora, é sempre interessante assistir à faina. Caso decida sorrateiramente sair da vila, ponha-se a caminho da Costa Nova, onde poderá apreciar as casas com riscas garridas características da região, tradição que advém dos antigos palheiros, que eram pintados desse modo.

Em Ílhavo, o Museu Marítimo expõe um extraordinário número de peças que dão uma boa perspetiva da relação da população desta zona do País com o mar, com destaque para a maior exposição de algas e de conchas do País. Note que o museu abre de terça a sábado, das 10h às 17h15, mas aos domingos só de tarde.

Açores

O lugar dos Anjos, em Santa Maria, acolhe entre 18 e 20 de julho o Santa Maria Blues 2019. Este festival, direcionado para os amantes dos blues, pode ser um bom pretexto para uma viagem aos Açores.

Aliás, muitas são as razões para estender a visita a todo o arquipélago. São Miguel e Santa Maria, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, Flores e Corvo são autênticas “ilhas encantadas”, pequenos paraísos no meio do oceano. Não deixe escapar a hipótese de lhes fazer uma visita. E não se espante se, em muitos lugares, cobertos de pastos verdes e repletos de pachorrentas vacas e moinhos, lhe parecer que está algures na Holanda. 

Os passeios pelas Ilhas são dominados por espaços de lazer e contacto com a natureza. Mas conte também com tempo para apreciar alguns tesouros arquitetónicos, sobretudo nas cidades maiores, como Ponta Delgada, em São Miguel, ou Angra do Heroísmo, na Terceira.

 

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