COMUNICADO

Material escolar mais barato nas lojas online, mas campanhas promocionais são mais vantajosas nos supermercados

15 setembro 2022
compra de material escolar

Um estudo da DECO PROTESTE avaliou a vantagem de comprar em diferentes lojas material escolar durante as campanhas promocionais de “Regresso às Aulas”.

O início do ano letivo e a necessária aquisição de material escolar traz um investimento acrescido para os encarregados de educação.  Muitos consumidores aproveitam as campanhas promovidas pelos super e hipermercados para efetuar estas compras, até porque são frequentes os anúncios a reduções de preços. Mas as campanhas de “Regresso às aulas” realmente compensam ou é mais vantajoso antecipar a compra?

Para responder a esta e outras questões, a DECO PROTESTE analisou os preços em 67 pontos de venda do País, incluindo grandes superfícies (supermercados, hipermercados e grandes lojas da especialidade), papelarias e lojas online. Foram consideradas listas de material dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, tendo-se realizado duas recolhas de preços em momentos distintos. A primeira fase de recolha de preços ocorreu após o final do ano letivo 2021/2022 e a segunda teve lugar durante as campanhas do “Regresso às aulas 2022/2023”.

As conclusões da pesquisa são claras: existe uma vantagem na compra de material escolar na altura das promoções, mas esta difere consoante o tipo de loja e até entre lojas do mesmo tipo. Além disso, em geral, é online que se conseguem os preços mais competitivos.

No conjunto das 67 lojas físicas e online consideradas na primeira fase do estudo, a lista de material escolar do 1.º ciclo custava, em média, €97,95. Por tipo de ponto de venda, o custo médio desta lista era mais reduzido nas lojas online, com valores na ordem €87,61, seguindo-se os supermercados (€90,83). Em termos globais, as papelarias foram os estabelecimentos onde o material escolar tinha o valor médio mais elevado, custando €118,13. Já relativamente à segunda fase de recolha, o preço médio global deste material desceu para €88,20 (menos cerca de 10%) e foi também nas lojas online que a DECO PROTESTE encontrou o custo médio mais baixo para este material (€77,05, ou seja, menos 12%). Seguiram-se os supermercados e as papelarias, onde os custos do cabaz se situavam, em média, nos €78,04 (menos 14%) e nos €114,47 (menos 3%), respetivamente.

No que respeita às compras para o 2.º ciclo, na primeira fase de estudo a lista de material escolar tinha um custo médio global de €152,43, enquanto na segunda fase desceu para €140,73 (menos quase 8%). Por tipo de loja verificaram-se diferenças dentro da mesma ordem de grandeza das registadas para o material do primeiro ciclo. 

Salienta-se ainda que, na primeira recolha de preços efetuada, os oito primeiros lugares da lista das insígnias com níveis de preços mais baixos para o cabaz de materiais do 1.º ciclo eram todos ocupados por lojas online. Do lado dos supermercados, o primeiro a aparecer no ranking é o Auchan, com o Intermarché na posição seguinte. Já no final agosto, os supermercados Auchan ganham destaque ao subirem para a quarta posição. 

Índices de preços 1.º ciclo, 1.ª fase, por insígnia

tabela 1

 

Índices de preços 1.º ciclo, 2.ª fase, por insígnia

tabela 2

 

No que concerne ao cabaz do 2.º ciclo, tanto na primeira recolha de preços, como na recolha do final de agosto, os quatro pontos de venda mais baratos eram lojas online. Destaca-se o Pingo Doce online, que na primeira visita não tinha produtos suficientes para apresentarmos o respetivo índice de preços, e no final de agosto apresentou o terceiro nível de preços mais baixo, a par da Olmar, para os materiais do 2.º ciclo. 

Índices de preços 2.º ciclo, 1.ª fase, por insígnia

 

Índices de preços 2.º ciclo, 2.ª fase, por insígnia

tabela 4

 

Além desta análise sobre o preço dos materiais escolares, a DECO PROTESTE relembra ainda os consumidores sobre a ação reivindicativa que tem em curso para que todos os serviços educativos e despesas escolares com material obrigatório sejam dedutíveis em IRS. 

A organização explica que as despesas de educação não se resumem a propinas, manuais escolares, refeições nas cantinas e explicações – que são as passíveis de dedução com IVA a 6%.

Tal como consta na carta aberta ao Parlamento, a qual a organização convida os consumidores a assinar, a DECO PROTESTE considera que “esta tecnicalidade não pode continuar a servir de barreira à consagração de uma verdadeira justiça fiscal, pelo que é imperativo que os partidos com assento parlamentar se comprometam a corrigi-la”.

Metodologia: os cabazes englobam material escolar diverso, que geralmente consta das listas entregues pelas escolas para os níveis de ensino em questão. Para alguns itens foram considerados produtos de marcas específicas (para contemplar os consumidores que, na compra do material escolar, dão prioridade à marca, ou esta lhes é exigida) e também produtos sem marca predefinida (em que foi dada preferência ao preço, considerando-se o produto mais barato à venda no estabelecimento). Noutros itens não definimos a marca e foi recolhido apenas o preço do produto mais barato disponível em cada ponto de venda. Privilegiou-se assim o consumidor que dá preferência ao preço, e esta definição genérica também permite a inclusão de marcas exclusivas de algumas insígnias.

Foram apenas registados preços de produtos “disponíveis” nas prateleiras dos estabelecimentos na altura da visita (e não preços anunciados em folhetos ou publicidade). O mesmo aconteceu nas lojas online. Nas lojas online, o preço considerado não engloba eventuais custos de entrega cobrados pelos sites, que podem variar em função de fatores como o valor da compra ou a zona de entrega, entre outros.

Os índices de preços apresentados foram calculados sem considerar qualquer programa de fidelização. Não foram tidos em consta descontos em cartão, em talão, ou outros equiparados.

Sobre a DECO PROTESTE
A DECO PROTESTE é a maior e mais representativa organização portuguesa de defesa dos consumidores. Intervém em cerca de 20 grandes áreas da vida dos consumidores através dos seus estudos, testes, análises de produtos e serviços, pareceres técnicos de especialidade e ações reivindicativas. O seu objetivo é criar consumidores mais informados e, por isso, mais exigentes e proativos na defesa dos seus direitos. Integra o grupo internacional Euroconsumers, que reúne organizações de defesa dos consumidores de Espanha, Itália, Bélgica e Brasil. 

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