COMUNICADO

CEO das empresas cotadas recebem, em média, 32 vezes mais do que os seus trabalhadores, revela DECO PROTESTE

23 maio 2022
Mudança local trabalho

Em 2021, a remuneração média dos presidentes das principais empresas cotadas em bolsa foi 32 vezes superior às dos restantes colaboradores. Jerónimo Martins lidera o pódio com rendimentos 262,6 vezes superior à média dos colaboradores.

A DECO PROTESTE, organização de defesa do consumidor, analisou a diferença entre as remunerações anuais dos CEO e dos colaboradores nas principais empresas portuguesas. Segundo os dados obtidos, o Presidente da Comissão Executiva da Jerónimo Martins auferiu, em 2021, 3 075 milhões de euros, um aumento de 19,3% face a 2020. Este valor é 262,6 vezes superior à média dos salários dos restantes trabalhadores da empresa, a qual detém a maior disparidade salarial entre as 17 organizações analisadas.

João Sousa, Coordenador da PROTESTE INVESTE salienta que estes dados “ajudam a perceber as grandes diferenças em matérias de remuneração dos CEO em Portugal. Em teoria, a política de remunerações necessita do voto vinculativo dos acionistas. No entanto, a declaração sobre a política de remunerações é, na prática e na maioria dos casos, muito vaga e não permite que seja votada, de forma individualizada, a remuneração dos membros do conselho de administração, ao contrário do que defendemos.”

No ranking da disparidade, seguem-se, ainda que a larga distância, a Sonae, em que a CEO Cláudia Azevedo aufere uma remuneração 77,4 vezes superior à dos colaboradores da empresa. Na terceira posição, está a Mota-Engil, dirigida por Gonçalo Moura Martins, cujo rendimento anual é 73,3 vezes mais elevado que a média dos salários praticados na empresa.

As áreas geográficas de atuação de algumas das empresas analisadas ajudam a explicar estas diferenças, tendo em conta o contexto social e económico de alguns países pouco desenvolvidos em África ou na América Latina. Porém, a disparidade é bastante elevada.

Entre as 14 de 15 empresas no índice PSI (excluindo-se a GreenVolt por ser muito recente e não ter dados consistentes para a análise), e outras três seguidas pela PROTESTE INVESTE, nomeadamente Cofina, Impresa e Novabase, as diferenças são significativas: o rácio é superior a 20 em 11 das 17 empresas analisadas. Para o conjunto das 17 empresas, o rácio passou, entre 2020 e 2021, de 29,6 para 32,2. Na base desta subida está, sobretudo, o aumento da remuneração variável dos CEO (+27,8%), nomeadamente na Mota-Engil, Navigator, BCP, Impresa, EDP, Sonae e Semapa, que pode ser parcialmente explicado pela melhoria dos resultados das empresas, mas não na sua totalidade. Em comparação, o vencimento médio dos restantes trabalhadores aumentou, no mesmo período, apenas 2,7 por cento.

A disparidade salarial tem aumentado, o que, para a DECO PROTESTE, reforça a necessidade de alterar a legislação. A primeira mudança que se impõe, num âmbito mais global, relaciona-se com a obrigatoriedade (pelo menos, parte delas) das recomendações do Código de Governo das Sociedades, do Instituto Português de Corporate Governance, nomeadamente: .Existência de uma comissão de vencimentos, com total independência; Definição de limites máximos para a remuneração individual e agregada dos órgãos sociais; Remuneração dos administradores parcialmente variável e baseada no desempenho sustentado da sociedade, com objetivos claros de criação de valor a longo prazo para os acionistas, e sem estimular a assunção de riscos excessivos; Diferimento, por um período não inferior a três anos, de uma parte significativa da remuneração variável.

João Sousa salienta ainda que “é desejável que a remuneração de cada administrador seja objeto de votação anual em assembleia geral de acionistas. Outro aspeto importante é fixar um máximo para o rácio entre a remuneração do presidente da comissão executiva e a média dos restantes trabalhadores. Ainda que possa variar em função do setor de atividade, é necessário haver limites.”

Sobre a DECO PROTESTE
A DECO PROTESTE é a maior e mais representativa organização portuguesa de defesa dos consumidores. Intervém em cerca de 20 grandes áreas da vida dos consumidores através dos seus estudos, testes, análises de produtos e serviços, pareceres técnicos de especialidade e ações reivindicativas. O seu objetivo é criar consumidores mais informados e, por isso, mais exigentes e proativos na defesa dos seus direitos. Integra o grupo internacional Euroconsumers, que reúne organizações de defesa dos consumidores de Espanha, Itália, Bélgica e Brasil. 

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