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Portugueses podem cortar 29% da fatura energética residencial

Ajudámos 24 famílias com 300 conselhos personalizados. A poupança pode chegar aos 2226 euros por ano.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Miguel
  • Texto
  • Nuno César
11 fevereiro 2020 Exclusivo
  • Dossiê técnico
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regular esquentador para poupar

José Pedro Tomaz

Ajudámos 24 famílias a obter um potencial de poupança anual de 18 MWh, evitando 5882 kg de emissões de CO2, o equivalente a 37 viagens de carro a gasóleo (ida e volta Lisboa - Madrid). O potencial de poupança mais elevado mora no aquecimento central. Quem já usava fontes de energias renováveis revelou um potencial menor. A poupança anual varia entre 19 e 503 euros. No total, pouparam 2226 euros com medidas simples e sem perder conforto.

Combinando os dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, Instituto Nacional de Estatística e Direção-Geral de Energia e Geologia, fizemos a extrapolação para Portugal. Considerámos quase 4 milhões de habitações permanentes. O perfil das famílias sem fonte de energia renovável representa 77% da população, enquanto o segundo perfil com fonte de energias renováveis corresponde a 23 por cento. Se todas as famílias aplicarem os nossos conselhos, poderão ser poupados 5,5 TWh de energia produzida correspondente a 29% do consumo residencial de energia de Portugal. Esperamos que mais portugueses abracem a mudança. A compra de sistemas de energia renováveis nem sempre é fácil. Caso precise de ajuda para ter soluções à medida das necessidades, partilhe na Comunidade Energias Renováveis.

Famílias cortam na fatura da energia

Assis, Costa, Neto, Lemos, Pereira, Fonseca, Campos, Miguel, Gomes, Azevedo e Albergaria. O que têm em comum estes nomes? Pertencem a famílias que beneficiaram do acompanhamento dos especialistas do projeto de Energias Renováveis da DECO PROTESTE. Este agitou a rotina das famílias e com o apoio de factos e medições em tempo real mudou o comportamento, orientando para a escolha de energias renováveis e aumentando a eficiência energética.

As famílias cresceram e as despesas aumentaram, mas no final da maratona de novos hábitos, as 24 famílias que abraçaram este projeto ganharam o desafio. Estivemos ao seu lado com visitas a casa e telefonemas para acertos e partilha de informação. As famílias mostram hoje como se faz para poupar em três áreas críticas: consumo de eletricidade, águas quentes sanitárias e aquecimento ambiente.

Famílias poupam com medidas simples

Pobreza energética em Portugal

Há soluções para mudar um país de pobreza energética. Portugal é o quinto país europeu onde os consumidores têm mais dificuldades para aquecer a casa. Quem o diz é o Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia. Um quinto dos portugueses (19%) têm dificuldades financeiras para manter a habitação com temperaturas adequadas no inverno. Pior do que Portugal? Só a Bulgária, a Lituânia, a Grécia e o Chipre. A percentagem desceu nos últimos anos, mas o cenário nacional continua inquietante.

João Oliveira, do Porto, é um exemplo de determinação. Já tinha em casa uma salamandra a lenha e equipamentos de ar condicionado, mas decidiu ir mais longe. Acabou por adquirir um sistema fotovoltaico, reforçando a poupança nos consumos elétricos constantes, como os frigoríficos. Consegue poupar 107 euros por ano.

Usar fontes renováveis pode ser a melhor solução para poupar energia. Entrámos na casa de 24 famílias, acertámos hábitos e respondemos a dúvidas. Lançámos o desafio na comunidade das energias renováveis a todas as famílias: as que já usam equipamentos com fontes de energias renováveis e as que ainda não conhecem o seu potencial. Começámos por fazer o retrato energético por regiões, tendo em conta as fontes de energia e os equipamentos utilizados para produção de águas quentes sanitárias e aquecimento ambiente. Selecionadas as famílias, fizemos uma visita para conhecermos os equipamentos consumíveis de energia de que dispõem e os hábitos de consumo. Nessa visita, instalámos um dispositivo de monitorização dos consumos elétricos no quadro. Este aparelho permite recolher, em tempo real, o histórico dos consumos de eletricidade durante as 24 horas do dia.

Duas das famílias que mudaram de rotinas partilharam a experiência. João Assis e Carina Matias receberam-nos em casa, em Mafra. Neste grupo, eram a única família que utilizava um termoacumulador para aquecer água do banho. Bastou regular o termoacumulador, usar uma cabeça de chuveiro eficiente e certificada, e prestar atenção ao tempo de banho para pouparem 47 euros por ano. Além disso, cortaram 25% no consumo em stand-by. O que pedimos? Desligar da tomada os equipamentos que não estivessem a ser utilizados, bem como o uso de extensões elétricas com corte de corrente. Para aquecer a casa, sugerimos instalar um recuperador de calor na lareira. Também recomendámos investir num novo frigorífico mais eficiente e instalar um painel solar térmico.

A família Oliveira mudou de casa e já utiliza equipamentos com fonte de energia renovável. “Decidimos instalar o ar condicionado. Durante a noite, o conforto aumentou.” Por vezes, a energia renovável está mais acessível do que os consumidores acreditam. É o caso do ar condicionado que, apesar de ser alimentado a eletricidade, vai buscar ao ar ambiente a energia necessária para aquecer ou arrefecer uma divisão. Por vezes, utilizam uma salamandra a lenha na sala. Aquecem a água para os banhos com um esquentador a gás. Para reforçar a poupança, também já instalaram um kit fotovoltaico de autoconsumo de 250 W, onde o total produzido é consumido.

Bruno Miguel, o nosso especialista, visitou a família Albergaria, do Porto, e recomendou a melhor forma de usar o recuperador de calor e a instalação de ar condicionado 
Bruno Miguel, o nosso especialista, visitou a família Albergaria, do Porto, e recomendou a melhor forma de usar o recuperador de calor e a instalação de ar condicionado.
Mónica Barreira, de Guimarães, adotou o ar condicionado como sistema preferencial para aquecer a casa 
Mónica Barreira, de Guimarães, adotou o ar condicionado como sistema preferencial para aquecer a casa.

As melhores dicas para poupar

Contas feitas ao consumo elétrico, custo de produção das águas quentes sanitárias e aquecimento ambiente, revelamos a poupança para as famílias que acompanhámos. Os perfis sem fontes de energias renováveis são menos eficientes, podendo maximizar a poupança. Eficiência e ecologia rimam com economia. No total, para as 24 famílias, recomendámos 300 medidas personalizadas. Destacamos os principais conselhos para todos os perfis que identificámos. A maioria das dicas do primeiro perfil tem impacto nos restantes. Por isso, apenas revelamos os conselhos onde cada perfil se diferencia.

Sem aquecimento ambiente (apenas esquentador ou termoacumulador)

Desligue os equipamentos da corrente. Não os deixe em stand-by. Pondere sobre a utilização de extensões elétricas com corte de corrente. Estas medidas simples valem 55 euros de poupança por ano.

Substitua os eletrodomésticos antigos e energeticamente ineficientes. 

Verifique se o perfil de consumo elétrico (no período diurno) é compatível com o perfil de produção de um sistema fotovoltaico para autoconsumo. Por exemplo, na zona centro, dois painéis fotovoltaicos podem proporcionar uma poupança de 184 euros.

Certifique-se de que as tubagens de distribuição de água quente continuam a ter um bom isolamento.

Para águas quentes sanitárias, mantenha o regulador de temperatura do aparelho na posição “Eco” ou na temperatura mais próxima possível da usada na torneira. Com este gesto obtém uma poupança média de 41 euros por ano.

Instale redutores de caudal nas torneiras e cabeças de chuveiro certificadas pela ANQIP (Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais).

Evite ao máximo fugas e torneiras a pingar. Prefira o uso de duche, em vez do banho de imersão.

Pondere instalar sistemas de produção de água quente sanitária baseados em energias renováveis (solar térmico, bomba de calor ou caldeira a biomassa, por exemplo).

No inverno, aproveite o sol, abrindo as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite feche-os. No verão, feche as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite abra as janelas para arrefecer a casa.

Reforce o isolamento das paredes e dos pavimentos.

Se for necessário, instale sistemas de climatização baseados em energias renováveis (ar condicionado e salamandra a pellets, por exemplo).

Considere utilizar transportes públicos, em vez da viatura privada. Pondere sobre outras formas de mobilidade partilhada (carsharing, trotinetes e bicicletas...). Considere a adoção de uma viatura híbrida ou com combustíveis alternativos (GPL). Verifique se o carro elétrico é compatível com os percursos normalmente efetuados.

Promova a renovação do ar da casa todos os dias.

Faça uma descongelação regular do frigorífico e congelador.

Lave a roupa a baixas temperaturas.

Utilize o programa ECO da máquina da loiça e a baixa temperatura.

Seque a roupa no estendal. Caso utilize um secador, escolha um modelo com bomba de calor e dobre-a assim que o programa acaba.

Aquecem o ar com aparelhos portáteis elétricos

Regule o termóstato dos equipamentos para o mínimo. Evite utilizações prolongadas e desligue-os quando sair da divisão.

Instale portas e janelas energeticamente eficientes. No inverno, aproveite o sol, abrindo as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite feche-os. No verão, feche as cortinas e/ou estores das janelas durante o dia e à noite abra as janelas para arrefecer a casa.

Reforce o isolamento das paredes e dos pavimentos.

Instale sistemas de climatização baseados em energias renováveis (ar condicionado, salamandra a pellets, por exemplo).

Lareira aberta

Guarde a lenha em local seco.

Deixe de alimentar a lareira uma hora antes de se deitar.

Instale um recuperador de calor.

Assegure uma ventilação eficaz e correta e efetue as devidas manutenções à chaminé.

Aquecimento central

Verifique se o termóstato está no modo de inverno e regule-o à medida das necessidades, mantendo a temperatura da caldeira o mais baixa possível. 

Feche os radiadores nas divisões que não usa.

Avalie a eficiência da caldeira. Se for necessário, instale sistemas baseados em energias renováveis (caldeira a pellets, por exemplo). No nosso estudo, calculámos uma poupança máxima de 464 euros por ano.

Purgue o circuito dos radiadores anualmente.

Este equipamento requer uma manutenção eficaz e correta.

Lareira com recuperador de calor

Guarde a lenha em local seco.

Deixe de alimentar o equipamento uma hora antes de se deitar e não o deixe ligado durante a noite.

Assegure uma ventilação eficaz e correta e efetue as devidas manutenções à chaminé.

Ar condicionado

Escolha a temperatura certa no inverno: 20 ou 21ºC. No verão, regule para 24 ou 25ºC.

Evite o stand-by, desligando o equipamento da corrente nos períodos longos de não utilização.

Certifique-se de que são feitas manutenções regulares. Adotar estes cuidados resulta em 36 euros de poupança por ano.

Fotovoltaico ou solar térmico

Caso não tenha instalado um sistema fotovoltaico para autoconsumo, verifique se o perfil de consumo (no período diurno) é compatível com o perfil de produção deste sistema.

O sistema solar térmico requer manutenções regulares. Se tiver uma resistência elétrica como sistema de apoio, limite o seu funcionamento com um temporizador.

Fotovoltaico e automóvel elétrico

Considere o reaproveitamento das baterias em fim de vida do carro elétrico para consumo doméstico.

O sistema solar térmico requer manutenções regulares. Se tiver uma resistência elétrica como sistema de apoio, limite o seu funcionamento com um temporizador.

Fotovoltaico, acumulação com baterias e carro elétrico

Considere o reaproveitamento das baterias em fim de vida do carro elétrico para consumo doméstico.

O sistema solar térmico requer manutenções regulares. Se tiver uma resistência elétrica como sistema de apoio, limite o seu funcionamento com um temporizador.

O projeto que deu origem a esta comunidade recebeu financiamento através do programa de investigação e desenvolvimento “Horizon 2020”, sob o contrato de subvenção nº749402. Nem a EASME nem a Comissão Europeia são responsáveis pela informação veiculada nem pela utilização das informações contidas na mesma.

 

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