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Televisores OLED sem problemas de burn-in

Quando uma imagem fica estática por um período prolongado no ecrã pode deixar uma marca. É o fenómeno de burn-in ou retenção definitiva de imagens. Os televisores de tecnologia OLED são afetados apenas por retenções temporárias.

30 outubro 2017
burn in

A tecnologia OLED (Organic Led Emitting Diode) teve o seu ano de viragem em 2017, com quatro dos cinco principais fabricantes (LG, Sony, Philips e Panasonic) a adotarem este tipo de ecrãs para os seus modelos de gama superior, o que permite encontrar no mercado mais oferta e preços mais acessíveis, apesar de ainda elevados.

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Além das conhecidas vantagens da tecnologia OLED, como os excelentes níveis de contraste e a precisão das cores, o nível de iluminação máximo deste tipo de ecrãs é limitado e estes televisores podem ser afetados por retenção de imagens no ecrã. Ou seja, quando uma imagem se mantém estática por um período prolongado no ecrã, pode deixar uma marca visível no painel (como se ficasse fixa). Fomos investigar para perceber como aparece e como se resolve o problema.

Comparámos 4 televisores OLED

Ligámos 4 televisores OLED (LG OLED55B7V; LG OLED55C7V; Sony KD-55A1 e Panasonic TX-55EZW954), a um leitor Blu-ray através de uma rede de distribuição HDMI.

O vídeo de teste era reproduzido em loop contínuo. Neste vídeo ficava sempre visível e estática uma barra e caixa de informação do leitor de Blu-ray. Num outro vídeo, ficava visível e estático o logótipo de um canal de TV.

Foi definido o nível máximo de brilho nos televisores em teste e desligado o sensor de luz para não haver uma atenuação automática do brilho.

Foram feitos ciclos de reprodução do vídeo com diferentes durações temporais (1 hora; 2h30; 5 horas e 21 horas) para ver quando (e se) surgia o problema.

Depois de cada um dos ciclos verificou-se se existia retenção de imagem visível. Após 2h30 nenhum dos 4 OLED mostrava qualquer tipo de retenção de imagem e só após 5h apenas o Sony mostrava uma pequena “sombra” que, na realidade, era muito difícil de visualizar. Ao fim de 21h todos os OLED mostravam alguma retenção visível, embora pouco notória.

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O ecrã do centro, o Sony, exibe o problema de retenção da imagem.
 

Como eliminar a retenção de imagem

Inicialmente deixámos os quatro aparelhos a reproduzir emissões de TV (sem partes estáticas), para ver se a retenção desaparecia de forma natural. Mas tal não aconteceu, embora as “sombras” tenham atenuado. A presença de sombra foi mais visível no televisor Sony.

De seguida, colocámos em stand-by os quatro televisores durante, apenas, 10 minutos. Três deles ficaram livres da retenção de imagem. Apenas o Sony mantinha alguma retenção visível, mas era também o aparelho com a retenção mais severa.

Deixámos o televisor Sony em stand-by durante 2 horas, sem que isso tenha resolvido o problema. Depois disso, mais uma verificação com 3 horas e o resultado foi idêntico.

Como último recurso, recorremos a uma função específica que todos estes OLED possuem e que, por isso, esperávamos que resolvesse o problema: “Panel refresh”, no Sony; “Pixel refresher”, nos LG e “Panel maintenance”, no Panasonic.

O “Panel refresh” do Sony (ir a Display settings – Expert panel settings) faz com que se inicie um ciclo de, aproximadamente, 1 hora de duração em que não vai conseguir utilizar o televisor. Durante esse período, o ecrã está negro e surgem periodicamente linhas brancas. Mas não há um indicador de que o processo está a decorrer e se está próximo do final.

Finalmente, feito o processo, a retenção de imagem no televisor Sony desapareceu por completo.

As funções similares noutros aparelhos têm a duração de 1h na LG e 80 minutos na Panasonic.

As nossas conclusões

Os OLED não sofrem de burn-in (ou seja, de retenção definitiva de imagem), mas não estão imunes ao surgimento de uma retenção de imagem que, pelo menos nas amostras que testámos, foi sempre possível reverter.

A grande questão é se numa utilização “real” isto pode suceder. Se mostrar fotos no televisor, os OLED ativam automaticamente uma proteção de ecrã passados alguns minutos. Nessas circunstâncias, o problema nunca vai surgir.

Já nas emissões de TV ou serviços de streaming vimos que, com a exceção do Sony, a retenção de imagem só se tornou percetível no ciclo de 21 horas com a presença de uma imagem em permanência num local do ecrã.

Numa emissão de TV, o logo do canal deixa de estar presente nos blocos comerciais, o que faz com que as hipóteses de haver sequências de muitas horas com uma secção completamente fixa no ecrã sejam muito reduzidas.


No entanto, embora improvável, nalgumas situações específicas, o problema pode surgir. Imagine que deixa o televisor ligado durante várias horas num canal que mostre um logo em permanência. Ou que liga um PC onde tem um vídeo a ser reproduzido apenas numa janela (com o restante conteúdo estático). Não é impossível, mas numa utilização regular não é expectável que seja problemático.

Se acontecer, em três dos quatro OLED verificamos que bastou colocar o TV em stand-by por 10 minutos para que a sombra desaparecesse. E no Sony, onde tal não resultou, o recurso à função específica para o efeito resolveu o problema.


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