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Jorge Duarte

Economista

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Euroconsumers

Petróleo marca a atualidade

Há um mês - quinta-feira, 18 de abril de 2019
Jorge Duarte

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Em Portugal, petróleo foi sinónimo de uma corrida aos postos de abastecimento. Um fenómeno que fez esquecer o disparo do valor do barril nos últimos meses. Este último tem importantes efeitos à escala global, mas cada país e mercado é impactado de forma diferente.

Produção travada

Os problemas de abastecimento fizeram esquecer o aumento dos combustíveis nos últimos meses. Contudo, desde o final de 2018, o barril do Brent subiu mais de 40%.

Um fenómeno provocado por um conjunto de fatores que limitaram a produção. Além dos limites acordados entre a OPEP e a Rússia, há as sanções contra o Irão, a crise na Venezuela e o ressurgimento do conflito militar na Líbia. Por seu turno, a procura continua a crescer. Há uma desaceleração nos países industrializados, mas a China e a Índia estão a consumir mais, devido aos estímulos económicos aprovados por Pequim e Deli.

Uma divergência perigosa. A Agência Internacional da Energia alerta que a economia mundial e a procura de ouro negro estão fragilizadas. Acima dos 70 dólares, o petróleo pesa sobre o poder de compra das famílias e traz ainda mais preocupações para a economia global.

Quem ganha?

No passado, os Estados Unidos receavam o impacto do ouro negro no consumo. Mas graças ao petróleo de xisto tornaram-se autossuficientes e um exportador líquido, pela primeira vez em 75 anos. Aos preços atuais, o petróleo impulsiona a atividade num setor que se tornou um dos mais dinâmicos da economia americana. Mas o mercado de ações americanas está a níveis pouco atrativos, pelo que a sua presença se limita à nossa carteira agressiva.

No México a preocupação passa por atrair investimento estrangeiro e reavivar a produção de petróleo. A retórica do presidente AMLO e os custos de produção relativamente altos significam que o país tem de importar cada vez mais hidrocarbonetos. Um barril mais caro poderá ajudar a encontrar novos parceiros e promover uma renovação do setor.

Para a Rússia, o setor de energia é vital, tanto em termos de exportações, como da receita do Estado e, portanto, da capacidade de Moscovo em estimular a economia. O país ainda sofre com as sanções do Ocidente, mas o petróleo caro é uma ajuda. A bolsa de Moscovo, onde o setor da energia é predominante, será beneficiada.

O Canadá é agora menos dependente do setor energético do que foi no passado mas sofre de custos de produção relativamente elevados. Contudo, o preço atual do barril irá provavelmente dar um pequeno impulso a este setor e à economia canadiana.

Por fim, mas na linha da frente dos beneficiados estão as petrolíferas. Para o investimento direto em ações recomendamos a compra de 4 empresas.

Quem sai a perder?

A nível dos perdedores, encontramos os países que dependem das importações para o fornecimento de petróleo.

Na zona euro, a subida do crude é mais um fator a contribuir para a desaceleração da economia, uma vez que pesa sobre o poder de compra das famílias.

No Japão, o petróleo caro é uma má notícia para os consumidores, mas ajuda a impulsionar um pouco a inflação e, portanto, oferece uma ajuda ao Banco do Japão.

Problemas maiores têm a Turquia e a Índia, onde o petróleo caro agrava mais o défice da balança corrente e gera receios entre os investidores.

Os fundos de ações da zona euro estão presentes nas nossas carteiras. Não investimos nos mercados acionistas do Japão, Turquia e Índia.

Obrigações atingidas

A recuperação nos preços do petróleo afeta negativamente também os mercados obrigacionistas. No mundo industrializado, a desaceleração da procura deveria significar menores pressões inflacionistas, mas devido ao aumento da cotação do petróleo, a inflação caiu menos do que era esperado. Agora, os rendimentos das obrigações estão muito baixos, em termos reais, nos Estados Unidos e bastante negativos na zona euro.

E o recente aumento do petróleo levará tempo para se refletir nos preços ao consumidor, pelo que o efeito ainda não acabou. Contrariar essa realidade não é simples.

Apostar demasiado em ações acarreta um risco significativo, sobretudo aos níveis atuais de muitas bolsas e o momento do ciclo económico. Por isso, deve diversificar também a sua aposta em obrigações para as incluir nas carteiras. Consulte as nossas recomendações sobre os mercados e os fundos de obrigações que deverá incluir na sua carteira de investimentos.

 

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