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Como escolhemos os melhores fundos de investimento

Há 13 dias - quarta-feira, 8 de maio de 2019
Para identificar os melhores fundos de investimento não recorremos à sorte. O método é científico e permite-nos fazer recomendações isentas. 
pessoa ao computador a ver a bolsa

Os ativos devem ter comportamentos diferenciados, para que as subidas de uns compensem as descidas de outros

1 Identificamos os melhores fundos de investimento

Começamos por avaliar e medir o potencial dos principais mercados, ou seja, países, regiões, divisas, setores económicos, etc. Aqui, os fatores que temos em conta para a seleção dos melhores fundos de investimento são sobretudo macroeconómicos, como as previsões de crescimento, a evolução da taxa de inflação e as perspetivas de valorização cambial face ao euro. 

Nesta etapa, também é preciso ter em conta o nível das cotações das bolsas. Sabemos que uma praça em que o otimismo impere e que tenha subido em demasia tem mais hipóteses de vir a desiludir a médio prazo. Por isso, não fazemos recomendações de fundos com base em históricos recentes de grandes valorizações. 

Ainda que não ignoremos esses fatores, estão longe de ser decisivos para a nossa seleção dos melhores fundos de investimento. A volatilidade do mercado também tem de ser incluída na equação: o rendimento tem de compensar o risco. Para mantê-lo sob controlo, os fundos devem ser incluídos numa carteira diversificada. É aqui que passamos à fase seguinte da nossa análise.

2 Fazemos uma carteira

Podemos chamar a esta fase “a arte da diversificação”. Para alcançarmos uma relação ótima entre o potencial de valorização de um fundo e o risco que lhe está associado, temos de identificar a melhor combinação de ativos (ações e obrigações de vários mercados e moedas). 

Diversificar uma carteira implica ter em conta, além das perspetivas de evolução de cada mercado ou ativo, as chamadas correlações. Em que consistem? Dizemos que determinados ativos são altamente correlacionados quando habitualmente evoluem no mesmo sentido e na mesma proporção. Não é o que procuramos quando fazemos uma carteira de fundos. 

Os ativos devem ter comportamentos diferenciados, para que as subidas  de uns compensem as descidas de outros. É o caso das obrigações, que tendem a ganhar terreno quando os mercados acionistas tremem. 

As três carteiras (defensiva, base e agressiva) são um exemplo prático deste processo de otimização, chamado modelo de Markowitz. Assim, a carteira defensiva está construída para maximizar o rendimento com uma elevada probabilidade de a perda máxima anual não exceder 5 por cento. Daí que privilegie os fundos de obrigações. 

Já na carteira agressiva, predominam os fundos de ações, para potenciar a valorização.  Mas, para tal, é preciso aceitar uma perda máxima que pode ir até 15% ao ano.

3 Avaliamos o desempenho e atribuímos uma nota ao fundo

Chegados à terceira e última etapa, escolhemos os melhores fundos de investimento para investir em cada uma das categorias eleitas (bolsas, moedas, economias, etc.) e atribuímos-lhe uma nota. Acompanhamos mais de 1600 fundos em permanência. A análise é feita com base em vários parâmetros. 

Primeiro, comparamos os resultados obtidos por um determinado fundo com os gerados pelo mercado onde investe. Para tal, usamos um modelo de regressão linear aplicado aos últimos 60 meses (cinco anos), que calcula a capacidade de o fundo gerar rendimento (alfa) e a sua distância face ao desempenho do mercado, o chamado tracking error, uma medida de risco.

Quanto menor o tracking error, mais próximo está das flutuações do benchmark (o índice de referência da categoria a que o fundo pertence, ou seja, do mercado em que investe). Ou seja, para a avaliação conta não apenas a rentabilidade do fundo, mas também o risco associado. 

Um fundo com os rendimentos mais elevados numa categoria não significa, necessariamente, que é a melhor opção para investir. Se esse rendimento for atingido com demasiado risco, isso traduzir-se-á num indicador de desempenho mais reduzido. O nosso indicador de desempenho é apresentado de duas maneiras: numérica e sob a forma de estrela. 

Um resultado igual a 100 (representado por três estrelas) significa que o fundo se comportou exatamente como o benchmark. Uma avaliação inferior a 100 quer dizer que o fundo registou um desempenho inferior ao da bolsa, enquanto uma apreciação acima de 100 é sinónimo de uma performance superior. 

As estrelas simplificam a consulta, já que agregam num mesmo intervalo fundos com desempenhos idênticos: indicadores inferiores a 75 são representados por uma estrela apenas, enquanto a indicadores superiores a 130 é atribuído o número máximo de estrelas – cinco. 

É natural que se questione: porque recomendamos, então, fundos com apenas uma estrela? Ou aconselhamos o resgate de fundos com várias estrelas? A razão é simples: se a categoria (isto é, o mercado) tem um bom potencial de valorização, um fundo com um desempenho inferior pode ser, apesar disso, um bom investimento. 

É o caso dos mercados emergentes, como a Indonésia ou o México, que têm uma oferta de fundos e de ETF muito reduzida, mas são bons ativos para se investir. Pelo contrário, em categorias pouco atrativas, o nível de desempenho dos respetivos fundos deixa de ser relevante. 

Por outras palavras, mais vale um fundo mediano de uma boa categoria, do que um fundo bem gerido que pertença a um mau mercado. 

É importante deixar claro que esta avaliação do desempenho, que nos permite identificar os fundos mais bem geridos, tem base estatística e, por isso, assenta em probabilidades. Fundos com um bom indicador de desempenho manterão, provavelmente, uma boa gestão no futuro. 

Mas não é um dado adquirido. Basta que os gestores mudem ou percam qualidades numa conjuntura diferente para que baixem a nota. Ou que o benchmark não capte bem os movimentos dos respetivos fundos, produzindo indicadores menos fiáveis. É por isso que, nas nossas recomendações, incorporamos toda a informação possível, sem nos cingirmos apenas a um único indicador.

Texto de: Sílvia Nogal Dias & Filipa Rendo
Dossiê técnico: Jorge Duarte

 

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