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Índia: banco central sob pressão

Há 12 dias - terça-feira, 6 de novembro de 2018
As autoridades políticas têm tentado influenciar a política do banco central. Como este último não cedeu, Deli acabou por recorrer a poderes especiais para ditar a sua vontade ao banco central.

Tal como o yuan chinês, a rupia indiana também está próxima dos mínimos históricos em relação ao dólar americano.

Duas razões fundamentais explicam este fenómeno. Primeiro, o défice da balança corrente está a piorar e deve chegar a 2,8% do PIB este ano, o maior desde 2012. Segundo, uma dívida pública que, embora estável em cerca de 68% do PIB, está entre as mais altas dos países emergentes. Com estes défices, as necessidades de financiamento externo da Índia são significativas. A taxa de juro a 10 anos está em torno de 8%.

Além dessas tendências subjacentes, dois novos fenómenos recentes explicam o declínio da rupia.

Em primeiro lugar, a fim de limitar as importações, a Índia não hesitou em adotar medidas protecionistas que não tranquilizem os investidores estrangeiros.

Em segundo lugar, as autoridades políticas têm tentado influenciar a política do banco central. Como este último não cedeu, Deli acabou por recorrer a poderes especiais (até agora nunca usados) para ditar a sua vontade ao banco central.

De momento, o principal ponto de fricção está relacionado com a gestão das dívidas incobráveis que pesam nos bancos do país. A política de taxas de juro não é (ainda?) afetada, mas ao remover a independência do banco central, numa altura em que os investidores procuram fraqueza nos mercados emergentes, Deli está a correr mais riscos. 

Apesar da recente depreciação, a rupia indiana continua sobreavaliada em relação ao euro. A bolsa de Bombaim está mais atrativa, mas não o suficiente para compensar o elevado risco. 

Não recomendamos o investimento em fundos de ações indianas. 

 

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