Artigo
André Gouveia

Economista

5 sinais de alerta de fraude financeira

Há 25 dias - terça-feira, 22 de janeiro de 2019
André Gouveia

Economista

Há promessas boas de mais para serem verdade. Considere estes 5 sinais de alerta antes de investir em qualquer produto e lembre-se: não há fórmulas milagrosas para enriquecer. 
pessoa ao computador a ver a bolsa

Em produtos tão arriscados, como o forex, a probabilidade de ganhar dinheiro a investir é pouco maior do que nas burlas.

1- Investimentos em forex, opções binárias e criptomoedas

Para atrair vítimas, os burlões têm de oferecer rendimentos acima do normal. Para parecerem mais credíveis, usam como pretexto produtos financeiros existentes que podem proporcionar rendimentos elevados, mas com risco também elevado.

Há alguns anos, em 2010, o forex era a fachada mais frequente. Mais recentemente, as opções binárias assumiram essa função (produto já de si com características perigosas, ao ponto de ter sido proibida a sua venda a investidores não-profissionais). As criptomoedas também se prestam bem a este papel, com o “bónus adicional” de que, não sendo um produto financeiro legalmente reconhecido, escapam mais à vigilância das autoridades dos mercados financeiros.

A questão é que estes produtos são tão arriscados que a probabilidade de ganhar dinheiro a investir é pouco maior do que nas burlas. Estudos efetuados para o forex e opções binárias, na Europa e Estados Unidos, revelam que a grande maioria dos investidores (nalguns casos, acima de 80%) perdem dinheiro com este investimento.

2- Promessa de rendimentos acima do normal e, ao mesmo tempo, garantidos

Para atrair vítimas, os burlões apelam à ganância, oferecendo sempre como engodo rendimentos elevados e (aparentemente) de baixo risco. Mas, no mundo real, um rendimento elevado implica sempre um risco proporcionalmente elevado (mesmo que este não seja aparente).

Quanto é que é “acima do normal”? Já vimos fraudes que prometiam rendimentos tão elevados que, ao fim de alguns anos, cada um dos participantes teria mais riqueza do que o Produto Interno Bruto nacional. Mas com exceção de casos assim tão óbvios, podemos dizer que depende do contexto. Por exemplo, se os produtos financeiros de capital garantido habituais (depósitos a prazo, dívida pública, seguros de capitalização) estiverem a pagar cerca de 2% ao ano, um investimento que prometa mais de 10% ao ano não será, certamente, de baixo risco.

Mesmo que, por hipótese, uma empresa legítima se comprometa a garantir o capital em investimentos de risco elevado, essa garantia vale pouco ou nada, já que não tem capacidade de absorver tamanhas perdas e conseguir honrar essa garantia. É caso para recorrer à sabedoria popular: quando a “esmola” é muita, o “pobre” desconfia.

3- Recrutamento de novos membros (esquema em pirâmide)

Os esquemas em pirâmide, o tipo de fraude financeira mais frequente, usam o dinheiro dos participantes mais recentes para pagar aos antigos e não podem dispensar a entrada de novos membros como fonte de capital "fresco". 

Obviamente, a generalidade dos negócios não funciona com esta estrutura “piramidal”. Com uma exceção: as chamadas vendas diretas ou marketing multinível. Um exemplo são empresas como a Avon ou a Oriflame. 

Portanto, um grande número de esquemas em pirâmide disfarça-se de empresa de marketing multinível. Há, no entanto, uma grande diferença: verdadeiros negócios de venda direta não prometem rendimentos mirabolantes sem esforço do participante. Só ganham pelo que vendem.

4- Pressão para decidir imediatamente

É uma prática comum em todos os tipos de fraude, não apenas as relacionadas com o mundo financeiro. Um burlão não está interessado em que a sua vítima tenha tempo de pensar calmamente e ter consciência das características duvidosas da sua proposta. Não se deixe pressionar. Não assine, forneça dados pessoais ou entregue dinheiro sem ponderar bem os prós e os contras. Informe-se junto da CMVM ou Banco de Portugal se a empresa está autorizada a operar no nosso país. Na dúvida, contacte-nos.

5- Evitar o sistema bancário

Os movimentos de capital pelo sistema bancário são relativamente rastreáveis e as instituições financeiras têm o dever de comunicar transações anormais ou suspeitas. Portanto, a maioria das burlas tenta recorrer a alternativas. Remessas postais, como a Western Union, ou dinheiro vivo, são tradicionalmente os preferidos pois os fundos podem ser recebidos noutros países de forma quase anónima.

Mais recentemente, as criptomoedas ganharam popularidade para todos os tipos de atividades criminosas, dado ser impossível reverter as operações e ser difícil identificar o recetor do pagamento.

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