Para começar a investir, não tem de ser milionário. É certo que, se já tiver algum capital acumulado, terá mais opções onde investir. E estando bem informado terá mais hipóteses de sucesso.
Mas mesmo com pequenas quantias mensais e pouco conhecimento é possível aplicar em produtos financeiros rentáveis. Até um simples depósito a prazo gera rendimento, embora não seja a melhor solução para ganhar dinheiro na maioria dos casos.
Seja para pagar os estudos universitários dos filhos, preparar a reforma ou aumentar o património para deixar em herança, as regras que deve seguir para saber onde investir não mudam.
- A meta é acumular capital e o que muda é o prazo. Quanto menos anos faltarem até ao objetivo, menos riscos deve correr e menor é a rentabilidade que pode alcançar.
- Quanto mais cedo começar a poupar (e a investir bem), mais capital conseguirá acumular no futuro. Os juros compostos farão o “milagre”
Já tem um fundo de emergência?
O primeiro passo é sempre criar uma rede de segurança financeira. A vida é repleta de imprevistos. Para não ter de mexer nos investimentos ou recorrer a empréstimos, crie um fundo de emergência.
Para que serve um fundo de emergência?
Trata-se de um montante disponível para fazer face a eventualidades: problemas de saúde, desemprego, reparações no seu imóvel ou automóvel, entre outros.
Qual o valor a colocar no fundo de emergência?
Esse pé-de-meia deve ter um montante aproximado de seis vezes os gastos mensais habituais, o suficiente para se manter durante um semestre sem trabalhar.
Mas há outras variáveis a ter em conta. Quem não tenha filhos nem crédito à habitação não necessitará de um montante tão elevado.
Onde aplicar o dinheiro para o fundo de emergência?
O dinheiro para enfrentar imprevistos deve estar “guardado” num produto financeiro com garantia de capital, que possa ser facilmente levantado e sem custos. O foco não é rentabilidade, mas a segurança e a liquidez.
Os depósitos a prazo são uma solução possível. O capital está garantido e pode, na maioria dos casos, levantar o dinheiro em qualquer altura.
Onde investir sem risco?
A perceção de segurança e de risco é subjetiva, mas há uma regra universal: quanto mais seguras forem as aplicações, menor será o seu potencial de rendimento.
Correr riscos calculados nas decisões de investimento permite esperar uma rentabilidade maior, mas não está garantida. Por isso, há “risco”
Que produtos financeiros oferecem garantias?
Para manter uma estratégia mais conservadora tem os depósitos a prazo e produtos do Estado como os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro Poupança Valor.
Estes são vendidos aos balcões dos CTT e através do serviço Aforro Net da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP. Em 2026, e depois das últimas alterações às respetivas fórmulas de cálculo do rendimento, os produtos do Estado ficaram pouco interessantes.
Dispõe também dos seguros de capitalização com capital garantido. São produtos financeiros geridos por seguradoras e normalmente vendidos pelos bancos. Em regra, estes seguros têm o prazo de oito anos e uma remuneração mínima. Com a descida das taxas de juro, os rendimentos destes seguros são, cada vez, menos atrativos.
Qual a melhor solução para aplicar com garantia de capital?
No início do primeiro semestre de 2026, a melhor solução passa pelos depósitos a prazo se procurar as melhores ofertas. Encontra ainda taxas de juro líquidas próximas de 2%. O problema é que alguns desses depósitos podem exigir condições especiais ou montantes elevados. Em média, a maioria dos bancos não oferece sequer 1%.
Os Certificados de Aforro exigem apenas um mínimo de 100 euros. Supondo que a taxa que vigora no início de 2026 se mantém durante os próximos cinco anos, obtém um rendimento anual líquido de 1,5%, já considerando os prémios de permanência.
Investir com algum risco: qual o melhor produto?
Agora que colocou de parte o dinheiro necessário para acautelar imprevistos, o restante capital deve ser aplicado numa ótica de longo prazo, para potenciar o rendimento.
Qual a melhor solução para investir nos mercados financeiros?
Não há dois investidores iguais, mas a solução mais simples e adequada para a maioria será a compra de ETF (fundos negociados em bolsa).
O rendimento é incerto (depende da carteira do ETF) e não há garantias de reaver o capital aplicado no momento em que decide vender. Mas a maioria dos ETF são bastante diversificados e permitem aceder aos principais mercados financeiros mundiais mesmo com pequenas quantias. Se bem escolhidos, podem fazer crescer as suas poupanças de forma sustentada.
Como funcionam os ETF?
- Os ETF são negociados em bolsa através das apps ou dos sites de bancos e corretoras
- Os ETF têm uma carteira diversificada por dezenas ou centenas de ativos diferentes
- Precisa apenas de algumas dezenas de euros para começar, mas dependerá das comissões exigidas pelo banco ou corretora. Veja a nossa análise e descubra os mais baratos.
- Pode manter o ETF fundo durante o tempo que desejar, mas aconselha-se vários anos para se proteger das oscilações das bolsas e não perder parte do que investiu.
- Para vender basta transmitir uma ordem de bolsa.
Como selecionar bem os ETF?
- Comece com uma estratégia bastante simples. Pode iniciar a carteira apenas adquirindo 2 ETF que investem a nível global.
- Depois, indo um pouco mais além, selecione outros ETF mais especializados em mercados (países, regiões, divisas, setores) com melhores perspetivas de valorização tendo em conta o risco. Consulte as nossas estratégias de carteira para fundos/ETF.
Onde investir de forma mais ativa e potencialmente mais rentável?
Para atingir um rendimento potencialmente ainda mais elevado, a solução passa por complementar a carteira com o investimento direto em ações de empresas:
- A compra de ações pode propiciar elevadas rentabilidades
- As ações são negociadas em bolsas como a Euronext Lisboa, Nova Iorque, Londres, Frankfurt…
- Tem de ter conta num banco ou numa corretora que disponibilize o acesso à bolsa onde a empresa está cotada
- Negociar implica suportar comissões e que variam consoante o banco/corretora e a bolsa onde os títulos são negociados.
- Poderá ter de dispor de vários milhares de euros para diluir as comissões e diversificar adequadamente a carteira
- É uma tarefa mais exigente em termos de conhecimentos e de tempo
Em que ações deve investir?
O investidor tem de analisar as perspetivas das empresas e manter um acompanhamento permanente da sua evolução. Consulte as análises e os conselhos da DECO PROteste Investe baseados em metodologias comprovadas.
No primeiro semestre de 2026, entre uma centena e meia de ações nacionais e estrangeiras, cerca de um terço merecem a recomendação de compra.
Para ter uma seleção mais reduzida de ações, e para começar a investir, pode consultar as empresas que destacamos para 2026.
Por fim, há ainda a solução “chave na mão”: consulte a nossa parceria com o Banco Carregosa que replica a carteira de ações da DECO PROteste Investe.
Como acompanhar os investimentos?
A necessidade de investir a longo prazo não significa que deve aplicar o dinheiro e depois esquecê-lo. É essencial fazer um acompanhamento regular dos investimentos e ajustá-los sempre que for necessário.
Até mesmo quando se vence um depósito a prazo é importante não cair no comodismo da renovação automática do banco e procurar novas alternativas. Nas ações, cujos resultados são mais voláteis, a proatividade é ainda mais importante.
Como reagir à volatilidade das bolsas?
Há momentos em que os mercados sobem bastante. Se estiver satisfeito com o rendimento obtido, aproveite para vender as ações, colher os ganhos e procurar outros investimentos.
Em alturas de queda também há oportunidades, pois as cotações podem ter sido excessivamente penalizadas. Ao invés, pode acontecer as quedas serem justificadas por uma deterioração das expectativas, sendo preferível vender, assumir as perdas e partir para outra.
Para aumentar a disciplina, pode estabelecer limites. Por exemplo, se um mercado subir ou descer mais de 10%, pode resgatar parcialmente os fundos para encaixar ganhos ou minimizar as perdas. Esta abordagem é imprescindível quando investe diretamente em ações.
Quais as implicações fiscais do investimento?
Investir implica normalmente obrigações declarativas quando preenche a declaração anual de IRS.
Ao obter ganhos (mais-valias, dividendos, juros) com os seus investimentos, não escapa à fatura do Fisco. Em regra, os ganhos são alvo de tributação à taxa de 28 por cento.
Quando detidos por períodos mais longos, os ganhos com ações, fundos, obrigações e ETF beneficiam de taxas de imposto mais reduzidas.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Onde posso investir o meu dinheiro em 2026?
Pode investir em depósitos, certificados de aforro, fundos, ações ou ETFs, conforme o seu perfil e objetivos.
2. Onde o dinheiro rende mais atualmente?
Os produtos de maior risco, como ações e fundos de investimento, tendem a render mais, mas exigem acompanhamento.
3. Qual é o investimento mais seguro?
Os certificados de aforro e depósitos a prazo são as opções mais seguras para investidores conservadores.
4. É preciso muito dinheiro para começar a investir?
Não. Pode começar com valores reduzidos, alguns produtos permitem investir a partir de 100 euros ou até menos.
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