Porque deve ter uma reserva financeira
Uma avaria no carro, perda de rendimentos ou uma situação de emergência podem acontecer a qualquer momento. Para enfrentar estes cenários, recomenda-se ter uma reserva financeira. O Banco de Portugal também aconselha a guardar algum dinheiro em casa.
Quando se vive financeiramente no limite, uma simples despesa extra pode transformar o orçamento num caos. Nestas situações, a primeira solução que ocorre é, muitas vezes, utilizar o cartão de crédito, uma solução fácil, mas nem sempre barata, pois os juros são, por regra, de dois dígitos, e a dívida pode transformar-se numa bola de neve. O que fazer? Ter uma reserva financeira em produtos de capital garantido e com elevada liquidez é uma das regras básicas das finanças pessoais.
Quanto dinheiro deve ter em casa
Bem presente na memória dos portugueses está o apagão que ocorreu a 28 de abril de 2025, em Portugal e Espanha. Os meios de pagamento ficaram indisponíveis, deixando milhares de pessoas impossibilitadas de usar cartões ou de levantar dinheiro nas caixas automáticas. Na sequência desse evento, o Banco de Portugal recomendou aos portugueses manterem uma reserva de dinheiro físico em casa.
A este montante, decidimos chamar-lhe fundo de catástrofe. Entre 70 e 100 euros por adulto e cerca de 30 euros por criança, de preferência em notas de pequeno valor e moedas para facilitar os trocos, é a quantia recomendada para cobrir necessidades básicas, como alimentação, combustível e despesas de farmácia, durante alguns dias. O dinheiro vivo garante, assim, que a economia doméstica não é afetada perante contingências como falhas de rede, ciberataques ou catástrofes naturais.
O que é e quanto deve ter no fundo de emergência
Onde guardar o fundo de emergência? Bem diferente do fundo de catástrofe é o fundo de emergência, que visa garantir, face a imprevistos, estabilidade financeira durante aproximadamente meio ano sem trabalhar.
Por regra, recomenda-se cerca de seis salários, mas o valor ideal varia de pessoa para pessoa e deve ter em conta fatores como o nível de rendimentos, as despesas mensais fixas, o número de dependentes ou até a estabilidade profissional. Quem não tem filhos ou um crédito à habitação pode não necessitar de um montante tão elevado. Consoante a situação, quatro salários podem ser suficientes.
É, também, recomendável refletir sobre as despesas de consumo. Imprevisto é qualquer situação inesperada (desemprego, problemas de saúde, entre outros), que escapa à planificação das suas despesas mensais. Por isso, o dinheiro não deve ser utilizado nas compras semanais, na aquisição de algo que anda a namorar há algum tempo, ou para pagar férias. Só depois de ter assegurado esta reserva de curto prazo é que pode começar a investir. Caso contrário, qualquer investimento que faça a médio e longo prazo corre o risco de ser resgatado em caso de aperto.
Onde guardar o fundo de emergência
Ao contrário do fundo para catástrofes, o dinheiro do fundo de emergência não deve permanecer parado num mealheiro em casa. Assim, não terá a tentação de o gastar. É aconselhável criar uma conta exclusiva para esse fim, escolhendo um produto financeiro com elevada liquidez, que permita mobilizar o dinheiro de forma rápida sempre que necessário.
Por exemplo, há produtos financeiros que demoram vários dias a liquidar após dar a ordem de resgate. É o caso dos fundos de investimento que, na sua maioria, não têm garantia de capital e envolvem risco, pois dependem da cotação de títulos (ações e obrigações). Também por essa razão não são bons produtos para constituir o fundo de emergência.
Que produtos são mais adequados
A segunda condição essencial na escolha dos produtos do fundo de emergência é terem baixo risco e capital garantido. A rentabilidade não é o objetivo principal, mas sim ter uma reserva sempre à mão.
Os produtos mais adequados são depósitos a prazo, de preferência por prazos curtos até um ano, e mobilizáveis a qualquer momento. Pode, também, optar por depósitos à ordem, mas, por regra, não têm qualquer rendimento.
São de evitar todos os produtos que tenham períodos de indisponibilidade do capital ou com liquidez elevada, mas cujo resgate está sujeito a variáveis do mercado.
Outra opção a considerar são os Certificados de Aforro. O capital é garantido e o rendimento depende da Euribor a três meses. Têm a vantagem de beneficiarem da garantia do Estado, não cobrarem comissões e serem facilmente convertidos em dinheiro, dado poderem ser mobilizados três meses após a subscrição.
Quer opte por estes títulos do Estado ou depósitos, é aconselhável manter o mínimo necessário no fundo de emergência. Estes produtos com capital garantido, baixo risco e elevada liquidez tendem a oferecer rentabilidades reduzidas, muitas vezes inferiores à inflação. Isto significa que manter demasiado dinheiro durante longos períodos em produtos pouco rentáveis pode resultar em perda de poder de compra.
| Fundo de emergência | Fundo de catástrofe | |
|---|---|---|
| Montante | 4 a 6 salários | Cerca de 100 euros por pessoa |
| Tipo de emergências | Despesas não previstas | Situações excecionais de catástrofe |
| Reserva para que período | Meio ano sem trabalhar | Alguns dias sem acesso ao banco (apagão ou catástrofe natural, por exemplo) |
| Onde guardar? | Banco ou outra instituição | Em casa |
| Produtos financeiros | De capital garantido, baixo risco e elevada liquidez: depósitos e Certificados de Aforro | Dinheiro físico (notas de pequeno montante e moedas, que facilitem o troco de pequenos montantes) |