Artigos Tempo de leitura: 5 min.
Publicado em: 23 junho 2026
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Autor: António Ribeiro

Fundo de emergência: quanto guardar e onde aplicar

Saiba quanto deve ter no fundo de emergência, porque convém guardar dinheiro em casa (fundo de catástrofe) e que produtos seguros usar para imprevistos.

Porque deve ter uma reserva financeira

Uma avaria no carro, perda de rendimentos ou uma situação de emergência podem acontecer a qualquer momento. Para enfrentar estes cenários, recomenda-se ter uma reserva financeira. O Banco de Portugal também aconselha a guardar algum dinheiro em casa.

Quando se vive financeiramente no limite, uma simples despesa extra pode transformar o orçamento num caos. Nestas situações, a primeira solução que ocorre é, muitas vezes, utilizar o cartão de crédito, uma solução fácil, mas nem sempre barata, pois os juros são, por regra, de dois dígitos, e a dívida pode transformar-se numa bola de neve. O que fazer? Ter uma reserva financeira em produtos de capital garantido e com elevada liquidez é uma das regras básicas das finanças pessoais.

Quanto dinheiro deve ter em casa

Bem presente na memória dos portugueses está o apagão que ocorreu a 28 de abril de 2025, em Portugal e Espanha. Os meios de pagamento ficaram indisponíveis, deixando milhares de pessoas impossibilitadas de usar cartões ou de levantar dinheiro nas caixas automáticas. Na sequência desse evento, o Banco de Portugal recomendou aos portugueses manterem uma reserva de dinheiro físico em casa.

A este montante, decidimos chamar-lhe fundo de catástrofe. Entre 70 e 100 euros por adulto e cerca de 30 euros por criança, de preferência em notas de pequeno valor e moedas para facilitar os trocos, é a quantia recomendada para cobrir necessidades básicas, como alimentação, combustível e despesas de farmácia, durante alguns dias. O dinheiro vivo garante, assim, que a economia doméstica não é afetada perante contingências como falhas de rede, ciberataques ou catástrofes naturais.

O que é e quanto deve ter no fundo de emergência

Onde guardar o fundo de emergência? Bem diferente do fundo de catástrofe é o fundo de emergência, que visa garantir, face a imprevistos, estabilidade financeira durante aproximadamente meio ano sem trabalhar.

Por regra, recomenda-se cerca de seis salários, mas o valor ideal varia de pessoa para pessoa e deve ter em conta fatores como o nível de rendimentos, as despesas mensais fixas, o número de dependentes ou até a estabilidade profissional. Quem não tem filhos ou um crédito à habitação pode não necessitar de um montante tão elevado. Consoante a situação, quatro salários podem ser suficientes.

É, também, recomendável refletir sobre as despesas de consumo. Imprevisto é qualquer situação inesperada (desemprego, problemas de saúde, entre outros), que escapa à planificação das suas despesas mensais. Por isso, o dinheiro não deve ser utilizado nas compras semanais, na aquisição de algo que anda a namorar há algum tempo, ou para pagar férias. Só depois de ter assegurado esta reserva de curto prazo é que pode começar a investir. Caso contrário, qualquer investimento que faça a médio e longo prazo corre o risco de ser resgatado em caso de aperto.

Onde guardar o fundo de emergência

Ao contrário do fundo para catástrofes, o dinheiro do fundo de emergência não deve permanecer parado num mealheiro em casa. Assim, não terá a tentação de o gastar. É aconselhável criar uma conta exclusiva para esse fim, escolhendo um produto financeiro com elevada liquidez, que permita mobilizar o dinheiro de forma rápida sempre que necessário.

Por exemplo, há produtos financeiros que demoram vários dias a liquidar após dar a ordem de resgate. É o caso dos fundos de investimento que, na sua maioria, não têm garantia de capital e envolvem risco, pois dependem da cotação de títulos (ações e obrigações). Também por essa razão não são bons produtos para constituir o fundo de emergência.

Que produtos são mais adequados

A segunda condição essencial na escolha dos produtos do fundo de emergência é terem baixo risco e capital garantido. A rentabilidade não é o objetivo principal, mas sim ter uma reserva sempre à mão.

Os produtos mais adequados são depósitos a prazo, de preferência por prazos curtos até um ano, e mobilizáveis a qualquer momento. Pode, também, optar por depósitos à ordem, mas, por regra, não têm qualquer rendimento.

São de evitar todos os produtos que tenham períodos de indisponibilidade do capital ou com liquidez elevada, mas cujo resgate está sujeito a variáveis do mercado.

Outra opção a considerar são os Certificados de Aforro. O capital é garantido e o rendimento depende da Euribor a três meses. Têm a vantagem de beneficiarem da garantia do Estado, não cobrarem comissões e serem facilmente convertidos em dinheiro, dado poderem ser mobilizados três meses após a subscrição.

Quer opte por estes títulos do Estado ou depósitos, é aconselhável manter o mínimo necessário no fundo de emergência. Estes produtos com capital garantido, baixo risco e elevada liquidez tendem a oferecer rentabilidades reduzidas, muitas vezes inferiores à inflação. Isto significa que manter demasiado dinheiro durante longos períodos em produtos pouco rentáveis pode resultar em perda de poder de compra.

 
AS DIFERENÇAS ENTRE FUNDO DE EMERGÊNCIA E FUNDO DE CATÁSTROFE
Fundo de emergência Fundo de catástrofe
Montante 4 a 6 salários Cerca de 100 euros por pessoa
Tipo de emergências Despesas não previstas Situações excecionais de catástrofe
Reserva para que período Meio ano sem trabalhar Alguns dias sem acesso ao banco (apagão ou catástrofe natural, por exemplo)
Onde guardar? Banco ou outra instituição Em casa
Produtos financeiros De capital garantido, baixo risco e elevada liquidez: depósitos e Certificados de Aforro Dinheiro físico (notas de pequeno montante e moedas, que facilitem o troco de pequenos montantes)

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