Corretoras versus bancos: como pagar menos para investir em bolsa em Portugal
As plataformas low cost destacam-se claramente como as opções mais económicas.
As plataformas low cost destacam-se claramente como as opções mais económicas.
Analisámos os custos de 20 instituições (bancos e corretoras) e concluímos novamente que, no que toca à negociação em bolsa, é difícil competir com os baixos custos das corretoras.
Tanto os bancos como as corretoras permitem investir em ações, ETF e outros ativos e instrumentos financeiros, mas os modelos de negócio são bastante distintos.
Nesta análise, não iremos debater qual é a melhor opção entre gestão ativa e passiva. No entanto, é importante sublinhar que diversos estudos mostram que, quanto mais ativa é a gestão de uma carteira de ações, maiores tendem a ser os custos de investimento. Entre os principais custos está a comissão de depósito ou de levantamento, uma taxa cobrada pela corretora sempre que existe movimento na conta de investimento.
Convém estar atento a estas comissões, pois pode estar a pagar encargos desnecessários. Atualmente, a maioria das corretoras online e mesmo a maioria dos bancos não cobra taxa de depósito quando este é realizado por transferência bancária SEPA (Single Euro Payments Area). Contudo, se o investidor usar métodos como cartão de crédito ou PayPal, podem ser aplicadas comissões em torno de 1%.
Por exemplo, na Trading 212 é possível fazer um depósito através de transferência bancária gratuita, mas se usar cartão, GooglePay, ou ApplePay, terá de suportar um custo de 0,7 por cento. Há também bancos que exigem um depósito mínimo, como é o caso do Novo Banco, que requer 500 euros.
No que respeita à comissão de transação de ações, o impacto depende da frequência com que investe. Se transaciona de forma ativa, comprando e reforçando a carteira de ações com pequenos montantes, as corretoras sem comissão ou com custos fixos mais baixos são bastante mais vantajosas.
No caso dos bancos, como o Activo Bank, a oferta de uma ordem gratuita por mês em qualquer mercado permite uma estratégia bastante interessante. O ideal é usar essa ordem gratuita para a operação mais cara do mês, que envolva mercados internacionais como Londres, onde as comissões tendem a ser mais elevadas.
A Revolut também oferece uma ordem por mês, todavia as comissões de transação de ações são fixas — 0,25% — quer se negoceie na Bolsa de Londres, de Lisboa ou em qualquer outra.
Convém não esquecer o imposto do selo de 4%, que incide sobre as comissões das operações. No caso do Reino Unido, acresce o UK Stamp de 0,50% e, se o montante for superior a 10 mil libras, há ainda outro imposto local que varia entre 1 e 1,50 libras. Quem investe em Paris terá também de pagar uma taxa estatal ou municipal de 0,3%, chamada FFTT (French Financial Transaction Tax). O mesmo acontece no mercado italiano e espanhol, onde as taxas são, na maior parte dos casos, de 0,20%.
Embora a maioria das 20 instituições analisadas pela DECO PROteste Investe não cobre taxas de corretagem e de liquidação pela execução e compensação das operações, importa estar atento a este custo adicional.
Para quem detém ações de empresas que pagam dividendos, é possível que tenha também de suportar comissões sobre o respetivo recebimento, cobradas, por regra, pelas corretoras ou instituições financeiras responsáveis pela custódia dos ativos. Acresce ainda a retenção do imposto na fonte, que varia conforme o mercado e a legislação vigente, impactando o valor líquido a receber. Quando a bolsa é estrangeira, bem como a corretora, é comum haver dupla retenção.
Algumas plataformas podem ainda cobrar uma taxa de inatividade caso a conta não registe movimentos durante um determinado período. É o caso da XTB, que cobra 10 euros por mês após 12 meses sem atividade. Também podem existir custos por ordens canceladas, como no Millennium bcp, onde a taxa é de 2 euros.
Importa igualmente estar atento à composição ou tipo de ativo adquirido. Há corretoras que não disponibilizam a ação em si, mas um CFD da mesma, o que obriga ao pagamento de uma comissão indireta de spread — ou seja, a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um determinado ativo ou instrumento financeiro. Caso surja na plataforma uma indicação como "x2" ou "x5", significa que a ação está alavancada, podendo o investidor estar a arriscar duas ou cinco vezes mais o valor que pretende investir.
Além do spread, as posições em CFD podem ainda estar sujeitas a encargos de financiamento overnight — as chamadas taxas de overnight swap — sempre que as ordens permaneçam abertas por mais de um dia, o que aumenta o custo total da operação no médio e longo prazo.
Ao abrir conta numa corretora online, tenha atenção aos seguintes erros comuns a evitar.
As plataformas low cost destacam-se claramente como as opções mais económicas, sobretudo por não cobrarem custos de custódia nem de corretagem, e por aplicarem comissões reduzidas por operação.
Para um investidor que apenas negoceia uma dezena de vezes por ano na bolsa de Lisboa, com investimento exclusivo em Portugal, os custos tendem a ser significativamente mais baixos do que em plataformas tradicionais.
Os custos oscilam consideravelmente — entre 0 e 147 euros —, impactando a rentabilidade dos investimentos a médio e longo prazo, sobretudo para quem investe quantias modestas. A poupança, neste cenário, ronda os 65 euros face à média das opções analisadas.
Neste cenário, a Trading 212 é a Escolha Acertada.
Apesar de a israelita eToro também não cobrar qualquer custo, a regulação leva-nos a não elegê-la como Escolha Acertada. Já a XTB cobra 25 euros por ISIN nas transferências para outra instituição.
Quanto aos bancos, a Revolut oferece uma operação por mês e nas seguintes cobra 0,25%, merecendo por isso recomendação. O ActivoBank também oferece uma ordem por mês, mas cobra uma comissão de 5 euros, libras ou dólares, dependendo do mercado, nas transações seguintes.
Para quem investe a nível global, a Trading 212 volta a destacar-se pela diferença de custos, permitindo uma poupança de 164 euros face à média.
No que respeita às instituições bancárias, os custos anuais oscilam entre 21 euros na Revolut e 314 euros no Banco BPI, uma diferença significativa que justifica repensar a corretora utilizada para negociar nos mercados.
Para um investidor intensivo, a Trading 212 permite uma redução de encargos de 533 euros por ano, tornando-se uma solução altamente competitiva para quem procura minimizar comissões e maximizar a rentabilidade.
Em resumo, a Trading 212 é a corretora mais barata em todos os cenários, não só por não ter custos, mas também por não cobrar comissões nas transferências de títulos para outra instituição.
No que diz respeito aos bancos, a Revolut ganha em todos os cenários.
VALOR DA CARTEIRA: 12 000 €
OPERAÇÕES: 10 por ano
MERCADO: Lisboa
POUPANÇA FACE À MÉDIA GERAL 64,69 €
VALOR DA CARTEIRA: 20 000 €
OPERAÇÕES: 20 por ano
MERCADOS: Lisboa (6); Londres (2); Espanha (2); Amesterdão (4); EUA (6)
POUPANÇA FACE MÉDIA GERAL 163,68 €
VALOR DA CARTEIRA 60 000 €
OPERAÇÕES: 60 por ano
MERCADOS: Lisboa (10); Amesterdão (10); Espanha (8); Londres (8); Frankurt (8); EUA (16)
POUPANÇA FACE MÉDIA GERAL 533,41 €
(*) A XTB COBRA 25 EUROS POR ISIN, NAS TRANSFERÊNCIAS PARA OUTRA INSTITUIÇÃO, RAZÃO PELA QUAL NÃO É ESCOLHA ACERTADA.