A esperança de um acordo entre os EUA e o Irão devolveu algum otimismo aos mercados. A proximidade de um acordo fez recuar o preço do petróleo (-2,9%) e as yields das obrigações, cuja subida tem vindo a causar nervosismo aos investidores. Ainda assim, no dia a dia, as bolsas continuam a evoluir ao sabor das declarações, mais ou menos agressivas, dos diferentes intervenientes.
A Europa, mais sensível aos preços da energia, fechou a última semana em alta, com o Stoxx Europe 600 a ganhar 0,7%. Frankfurt subiu 0,6% e Amesterdão 1,3%.
Ao invés, os mercados americanos perderam terreno, penalizados no início da semana pela subida das taxas de juro de longo prazo, que pressionam as tecnológicas (-1,6%). O S&P 500 recuou 0,7% e o Nasdaq caiu 1,3%.
Os resultados da Nvidia (-6,9%, ver página 7) superaram as expectativas, mas foram insuficientes para entusiasmar os mercados.
A greve nas fábricas da Samsung Electronics parece ter sido evitada e, segundo a ASML (-1,6%), a procura de semicondutores para a IA continua forte, o que deverá a sustentar os preços e o investimento no aumento da capacidade de produção. A Intel subiu 2,2% e a NXP Semiconductors valorizou 1,8%, mas o setor de semicondutores corrigiu 3,7%.
A maioria dos setores europeus beneficiou da redução das tensões, com ganhos de 2% na distribuição e de 0,9% na tecnologia. O setor da defesa avançou 2,6%, com a Thales (+1,7%) e BAE Systems (+1,6%) em alta.
Lisboa entre as melhores
A bolsa nacional voltou a ser uma das que teve melhor desempenho na última semana, ao valorizar 1,1%. Desde o início do ano, o índice PSI acumula um ganho de 11,7%.
A semana foi novamente marcada pela divulgação de alguns resultados trimestrais, com destaque para a Sonae (-0,7%), que obteve uma subida de 11% dos lucros, em linha com o esperado, com as vendas do período (+7%) a atingirem um novo máximo.
Por sua vez, a Mota-Engil (-2,3%), que liderou as perdas devido ao ajuste técnico da cotação à distribuição de dividendos, anunciou lucros de 35 milhões de euros, mais 31% face ao período homólogo, mas abaixo das nossas expectativas.
De resto, realce para a Jerónimo Martins (+2,7%), que recuperou um pouco da correção recente, para o BCP, que após ter obtido bons resultados no trimestre voltou a atingir um novo máximo desde julho de 2015, e para o grupo EDP, que continua a ser indiretamente beneficiado pelo elevado preço do petróleo, o que aumenta a atratividade das energias renováveis. A EDP Renováveis ganhou 2,1% e a EDP 1,5%.
Números da semana
+34,7%
Sem grande surpresa, a Galp Energia é a ação nacional seguida pela DECO PROteste Investe que mais sobe em 2026. Apesar da correção da última semana, o elevado preço do petróleo tem estimulado todo o setor energético, que valoriza 23,8% este ano (em euros).
75 mil MD
Valor que a SpaceX de Elon Musk poderá angariar com a sua entrada em bolsa, prevista para o próximo mês de junho. A concretizar-se, será o maior IPO da história da bolsa, a uma distância muito significativa do segundo lugar da petrolífera saudita Saudi Aramco (25,6 mil MD) em 2019.
Top subidas
Sonova +16,9%
Ralph Lauren +12,2%
Check Poin +9,5%
Accenture +8,5%
Zoetis +6,1%
Top descidas
Vallourec -11,8%
Harley Davidson -9,6%
ACS -9,4%
Walmart -8,4%
Corning -7,9%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +0,7%
EUA S&P 500 -0,7%
EUA Nasdaq -1,3%
Lisboa PSI +1,1%
Frankfurt DAX +0,6%
Londres FTSE 100 +0,7%
Tóquio NIKKEI 225 -1,6%
Variação das cotações entre 14/5/26 a 21/5/26, em moeda local.