Os receios quanto à inflação a nível mundial condicionaram os investidores, com o S&P 500 a ser o único dos principais índices a subir (+0,1%; +8,2% desde o início do ano). O Nasdaq caiu 0,1% (+12,8% em 2026). Os números dececionantes da inflação nos EUA pressionaram em alta as taxas de juro de longo prazo, com a yield das obrigações americanas a 10 anos a atingir os 4,6%.
Na Europa, a inflação também é uma preocupação. Os bancos centrais poderão aumentar as taxas de juro mais depressa do que o previsto para evitar uma espiral inflacionista, sobretudo porque o preço do petróleo (+8%) continua elevado e o estreito de Ormuz encerrado. O Stoxx Europe 600 caiu 0,9% (+2,5% este ano), com Paris e Frankfurt a caírem 2 e 1,6%, respetivamente.
A distribuição perdeu 2,8%, o transporte aéreo caiu 5,3% e a defesa recuou 3,4%. Ao invés, os semicondutores subiram 0,5%. Os investidores mantêm-se confiantes na tecnologia em geral (+0,04%) e na IA em particular, apesar da Intel ter caído 12,9%. A Ericsson valorizou 7,7% e a Texas 5,2%.
A Nvidia subiu 4,7%, já que os EUA poderão autorizar uma dezena de empresas chinesas a adquirir o H200, o seu segundo chip de IA mais potente. A Cisco (+22,4%, ver pág. 8) divulgou boas perspetivas, com aumento das encomendas de infraestruturas ligadas à IA.
Nos bens de luxo (-4,1%), os resultados da Burberry (-12,3%) saíram como o esperado, mas as perspetivas são penalizadas pela guerra no Médio Oriente. A LVMH (-3,6%) prossegue a venda de ativos (Marc Jacobs) para se centrar nas marcas mais rentáveis.
Lisboa com recuo ligeiro
A bolsa de Lisboa seguiu a toada negativa das suas congéneres mundiais e perdeu 0,4% na semana. Pela positiva, realce para a Galp (+3,5%), que liderou os ganhos após nova subida de 8% do preço do petróleo.
Em alta, estiveram ainda as empresas do setor da pasta e do papel, com a Navigator a valorizar 2,5% e a Altri a ganhar 1,6%.
A NOS (+0,3%) aumentou em 4,7% os lucros trimestrais, acima do esperado, com realce para o bom crescimento nas tecnologias de informação. Na Semapa (-2,7%), não incluindo a mais-valia da venda da Secil, o lucro do primeiro trimestre caiu 21,7%, embora tenha superado as previsões.
Os CTT (+0,2%) finalizaram a joint venture com a DHL, com o objetivo de criar um líder ibérico nas entregas. O acordo envolve trocas de posições, irá gerar boas sinergias e permitirá um encaixe de 64 ME aos CTT.
Notas finais para a REN (-2,5%) e para a Jerónimo Martins (-1,7%), cujas cotações sofreram a correção técnica associada à distribuição de dividendos no dia 12.
Números da semana
109,40 $
O preço do petróleo mantém-se consistentemente acima dos 100 dólares por barril, dada a indefinição em relação à guerra no Irão e à abertura do estreito de Ormuz, que continua no centro das preocupações dos investidores.
+3,8%
A taxa de inflação nos EUA aumentou para 3,8% em abril, depois de já ter subido para 3,3% em março. Este valor saiu um pouco acima do esperado e foi muito influenciado pela subida de 17,9% do índice da energia. As consequências económicas da guerra no Irão sentem-se cada vez mais, colocando pressão sobre a Reserva Federal.
Top subidas
Cisco Systems +22,4%
Vallourec +12,8%
Exxon Mobil +9,2%
Porsche AG VZ +8,4%
Check Point +7,9%
Top descidas
Intel -12,9%
VF Corp -12,1%
MTU Aero Eng. -10,5%
Zoetis -10,4%
BMW -9,1%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 -0,9%
EUA S&P 500 +0,1%
EUA Nasdaq -0,1%
Lisboa PSI -0,4%
Frankfurt DAX -1,6%
Londres FTSE 100 -0,4%
Tóquio NIKKEI 225 -2,1%
Variação das cotações entre 08/5/26 a 15/5/26, em moeda local.