Artigos Tempo de leitura: 5 min.
Publicado em: 12 maio 2026
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Autor: Jorge Duarte

Maiores produtores de petróleo e OPEP+: o que muda no preço, na inflação e nos mercados

Conheça o ranking dos grandes produtores e os principais exportadores e perceba porque a geopolítica no Médio Oriente pode elevar o crude, manter juros altos e mexer com os mercados. 
O mundo prepara-se para um novo choque energético, quatro anos após a invasão da Ucrânia. O aumento do preço dos combustíveis irá provocar o ressurgimento da inflação e uma subida das taxas de juro. Os consumidores a nível global serão, de novo, penalizados. 

Atualmente, a procura mundial de petróleo ronda os 105 milhões de barris por dia. Embora a grande maioria da oferta que satisfaz esta necessidade não tenha origem no Médio Oriente, há outros fatores em jogo.

EUA, China e o “efeito doméstico”: produção alta, impacto externo limitado 

No topo dos produtores mundiais de crude estão os EUA. China ocupa a quinta posição. Contudo, a dimensão absoluta tem um impacto limitado no mercado internacional, porque uma parte muito significativa da produção é absorvida pelo mercado doméstico. 

No caso da China, consome cerca de 16,3 milhões de barris por dia, mas produz apenas 4,5 milhões. Quanto aos EUA, tem um excedente agregado, mas o país mantém-se importador líquido para alimentar o seu sistema interno, nomeadamente a refinação.

Golfo Pérsico, Rússia e exportações: onde o mercado global é realmente decidido

Já os países do Golfo Pérsico e a Rússia assumem um papel central nos mercados globais de petróleo, uma vez que a sua produção está maioritariamente orientada para a exportação. 

Destaque para a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo bruto, que dispõe de capacidade excedentária de produção, permitindo-lhe ajustar rapidamente o nível de oferta e exercer uma influência significativa sobre os mercados internacionais.

OPEP e OPEP+: como o cartel tenta influenciar preços 

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 e tem como objetivo principal “coordenar e unificar as políticas petrolíferas entre os estados-membros (atualmente, 11 países), de modo a garantir preços justos e estáveis para os produtores de petróleo". 

No final de 2016, as condições de mercado levaram à criação da Declaração de Cooperação, que reúne os membros da OPEP e dez países produtores de petróleo, entre os quais se destacam Rússia, México e Cazaquistão em termos de produção. Este agrupamento é amplamente conhecido como OPEP+.

Cartel em declínio: shale, Américas e novos produtores a ganhar peso 

Apesar dos esforços, a OPEP tem vindo a perder influência para controlar o mercado do petróleo. Estados Unidos, Brasil e Canadá e novos intervenientes, como a Guiana, têm vindo a aumentar rapidamente a sua produção. 

As Américas cobrem, atualmente, grande parte das próprias necessidades sem recurso à OPEP, reduzindo o risco de escassez prolongada e subidas acentuadas dos preços. Com a queda de Nicolás Maduro, os EUA querem exercer controlo sobre a produção venezuelana, um membro da OPEP. 

Este mês, os Emiratos Árabes Unidos deixaram a organização, para não ficarem limitados às quotas da OPEP. O país tem a ambição de atingir uma capacidade de cerca de 5 milhões de barris por dia nos próximos anos. 

O conflito atual no Médio Oriente e o encerramento parcial do estreito de Ormuz dificultam energia mais abundante e, em geral, menos cara.

Ações de petrolíferas e ETF, fazem sentido?

Os próximos meses serão marcados por inflação e juros altos. Um cenário negativo para as bolsas, apesar do relativo otimismo dos investidores. 

Conheça os conselhos para as ações das principais petrolíferas, e ETF dedicados ao setor energético serão uma boa opção?

Produção diária de petróleo
País Milhares de barris
Estados Unidos 23,300
Arábia Saudita 10,073
Rússia 9,304
Canadá 6,100
China 4,500
Iraque 4,119
Brasil 4,000
Emirados AU 3,376
Irão 3,210
Kuwait 2,576
Noruega 2,200
Cazaquistão 1,575
Nigéria 1,497
México 1,444
Líbia 1,311
Argélia 970
Venezuela 917
Fonte: OPEP; valores para finais de 2025

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