Atualmente, a procura mundial de petróleo ronda os 105 milhões de barris por dia. Embora a grande maioria da oferta que satisfaz esta necessidade não tenha origem no Médio Oriente, há outros fatores em jogo.
EUA, China e o “efeito doméstico”: produção alta, impacto externo limitado
No topo dos produtores mundiais de crude estão os EUA. China ocupa a quinta posição. Contudo, a dimensão absoluta tem um impacto limitado no mercado internacional, porque uma parte muito significativa da produção é absorvida pelo mercado doméstico.
No caso da China, consome cerca de 16,3 milhões de barris por dia, mas produz apenas 4,5 milhões. Quanto aos EUA, tem um excedente agregado, mas o país mantém-se importador líquido para alimentar o seu sistema interno, nomeadamente a refinação.
Golfo Pérsico, Rússia e exportações: onde o mercado global é realmente decidido
Já os países do Golfo Pérsico e a Rússia assumem um papel central nos mercados globais de petróleo, uma vez que a sua produção está maioritariamente orientada para a exportação.
Destaque para a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo bruto, que dispõe de capacidade excedentária de produção, permitindo-lhe ajustar rapidamente o nível de oferta e exercer uma influência significativa sobre os mercados internacionais.
OPEP e OPEP+: como o cartel tenta influenciar preços
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 e tem como objetivo principal “coordenar e unificar as políticas petrolíferas entre os estados-membros (atualmente, 11 países), de modo a garantir preços justos e estáveis para os produtores de petróleo".
No final de 2016, as condições de mercado levaram à criação da Declaração de Cooperação, que reúne os membros da OPEP e dez países produtores de petróleo, entre os quais se destacam Rússia, México e Cazaquistão em termos de produção. Este agrupamento é amplamente conhecido como OPEP+.
Cartel em declínio: shale, Américas e novos produtores a ganhar peso
Apesar dos esforços, a OPEP tem vindo a perder influência para controlar o mercado do petróleo. Estados Unidos, Brasil e Canadá e novos intervenientes, como a Guiana, têm vindo a aumentar rapidamente a sua produção.
As Américas cobrem, atualmente, grande parte das próprias necessidades sem recurso à OPEP, reduzindo o risco de escassez prolongada e subidas acentuadas dos preços. Com a queda de Nicolás Maduro, os EUA querem exercer controlo sobre a produção venezuelana, um membro da OPEP.
Este mês, os Emiratos Árabes Unidos deixaram a organização, para não ficarem limitados às quotas da OPEP. O país tem a ambição de atingir uma capacidade de cerca de 5 milhões de barris por dia nos próximos anos.
O conflito atual no Médio Oriente e o encerramento parcial do estreito de Ormuz dificultam energia mais abundante e, em geral, menos cara.
Ações de petrolíferas e ETF, fazem sentido?
Os próximos meses serão marcados por inflação e juros altos. Um cenário negativo para as bolsas, apesar do relativo otimismo dos investidores.
Conheça os conselhos para as ações das principais petrolíferas, e ETF dedicados ao setor energético serão uma boa opção?
| País | Milhares de barris |
|---|---|
| Estados Unidos | 23,300 |
| Arábia Saudita | 10,073 |
| Rússia | 9,304 |
| Canadá | 6,100 |
| China | 4,500 |
| Iraque | 4,119 |
| Brasil | 4,000 |
| Emirados AU | 3,376 |
| Irão | 3,210 |
| Kuwait | 2,576 |
| Noruega | 2,200 |
| Cazaquistão | 1,575 |
| Nigéria | 1,497 |
| México | 1,444 |
| Líbia | 1,311 |
| Argélia | 970 |
| Venezuela | 917 |
| Fonte: OPEP; valores para finais de 2025 | |