Ainda que não seja em plena tempestade que se redesenha a carteira, a verdade é que muitos investidores acabam por ceder à pressão e ao alarme, e tomam decisões precipitadas.
Vende-se em queda, procuram-se soluções rápidas para gerir o medo e a incerteza. A volatilidade ainda é vista como um desvio inesperado, quando faz parte dos ciclos financeiros.
Mais: a história tem demonstrado que, quando a instabilidade é motivada por fatores exógenos, como a atual crise geopolítica, ou como foi a pandemia, a reabilitação dos mercados é mais rápida, por não resultar de desequilíbrios estruturais da economia. Tanto assim é que as bolsas já recuperaram parte das perdas sofridas com o rebentar do conflito.
Em períodos de incerteza, o objetivo não é maximizar ganhos, mas proteger capital, sem abdicar totalmente do potencial de valorização ou de eventuais correções para se fazerem boas compras.
O ouro continua a ser um ativo importante, mas não pelas razões habitualmente atribuídas. A ideia de ser um “refúgio” perdeu alguma linearidade, já que o desempenho do ouro tem sido mais influenciado por variáveis como as taxas de juro e a força do dólar do que pela simples aversão ao risco.
Os analistas da DECO PROteste Investe não recomendam um peso superior a 10% no portefólio dos investidores.
Nas ações, há sempre setores menos expostos à evolução da atividade económica e que podem dar algum conforto aos mais avessos ao risco. São o caso de empresas ligadas a bens essenciais de consumo, saúde ou serviços públicos.
Mas, neste contexto, a melhor estratégia passa pela diversificação, incluindo obrigações para reduzir o risco global, e ter alguma liquidez para aproveitar boas oportunidades.
Finalmente, dispor de um fundo de emergência é uma vantagem adicional para enfrentar turbulências com nervos de aço.