Visão geral do mês
O mês de maio apresentou um quadro misto para as divisas face ao euro, com movimentos relevantes tanto no campo das valorizações como das desvalorizações.
Observou‑se uma dispersão significativa entre moedas emergentes e desenvolvidas, refletindo fatores macroeconómicos distintos: política monetária, fluxos de capitais, expectativas de crescimento e risco geopolítico.
No agregado, o euro manteve-se relativamente estável, mas algumas moedas mostraram movimentos expressivos, revelando tendências regionais importantes.
Maiores Subidas (Top 5)
As moedas com melhor desempenho foram:
IDR/EUR (Rupia Indonésia): +2,52%
A valorização da rupia reflete um conjunto de fatores estruturais que têm reforçado a posição da Indonésia entre os mercados emergentes asiáticos. Destacam‑se:
-entradas líquidas de capital estrangeiro, sobretudo em dívida soberana, impulsionadas por yields reais atrativas num contexto de inflação controlada.
-política monetária credível do Banco da Indonésia, que tem mantido estabilidade cambial através de intervenções seletivas e gestão ativa de reservas.
-benefício indireto da reconfiguração das cadeias de valor globais, com maior investimento em setores como níquel, baterias e processamento industrial.
-apetite global por risco, que favorece moedas emergentes com fundamentos sólidos.
A combinação destes fatores explica uma valorização acima da média do universo emergente.
KRW/EUR (Won Sul‑Coreano): +1,59%
A Coreia do Sul beneficiou de um conjunto de drivers macro e setoriais:
-recuperação do ciclo tecnológico global, com destaque para semicondutores e IA, setores onde a Coreia do Sul é líder mundial.
-melhoria das exportações, que voltaram a crescer a dois dígitos após vários trimestres de contração.
-expectativas de estabilização da política monetária do Banco da Coreia, que tem sido mais conservador do que outros bancos centrais asiáticos. O banco central manteve a taxa diretora em 2,5% pela oitava reunião consecutiva.
-reforço da balança corrente, apoiado por preços favoráveis de componentes eletrónicos.
O won tende a reagir de forma amplificada a ciclos tecnológicos, o que explica a sua performance destacada.
JPY/EUR (Iene Japonês): +1,07%
A valorização do iene ocorre num contexto de transição estrutural da política monetária japonesa:
-expectativas de normalização gradual por parte do Banco do Japão, após décadas de subida das de juro de referência pelo Banco central;
-reposicionamento dos investidores globais, que reduziram posições vendidas históricas no iene, gerando um movimento técnico de apreciação;
-aumento da procura por ativos defensivos em momentos de incerteza geopolítica, dado o estatuto do iene como moeda de refúgio, e;
-melhoria marginal nos indicadores de inflação e salários, que reforça a narrativa de saída do regime deflacionário.
A valorização reflete menos força económica e mais um realinhamento estrutural da política monetária japonesa.
BRL/EUR (Real Brasileiro): +1,05%
O real apresentou uma valorização sustentada por fatores internos e externos:
-o crescimento do PIB do Brasil superou as expectativas no primeiro trimestre (+1,1%).
-fluxos para mercados emergentes ligados a matérias-primas, num contexto de preços resilientes de petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas.
-política monetária ainda restritiva do Banco Central do Brasil, que mantém uma das taxas reais mais elevadas do mundo, atraindo carry trade. O banco central reduziu a taxa diretora de 15% para 14,5%.
-melhoria da perceção de risco fiscal, com avanços na agenda orçamental e maior previsibilidade política.
-superavit comercial robusto, que reforça a posição externa do país.
CAD/EUR (Dólar Canadiano): +0,91%
A valorização do CAD está associada a fatores macroeconómicos consistentes:
-resiliência do setor energético, com preços do petróleo e gás a sustentarem a balança comercial canadiana.
-política monetária relativamente firme do Banco de Canadá, que tem sido mais cauteloso na flexibilização do que outros bancos centrais desenvolvidos.
-melhoria dos indicadores de atividade, incluindo indicadores de emprego e de investimento empresarial.
-correlação positiva com o ciclo económico norte‑americano, que tem surpreendido pela robustez.
Maiores Quedas (Top 5)
As moedas com pior desempenho no mês de maio foram:
NZD/EUR (Dólar Neozelandês): –2,01%
O dólar neozelandês tem sido penalizado por dois fatores principais. Em primeiro lugar, o setor agrícola, especialmente o segmento de lacticínios, enfrenta preços mais fracos nos leilões internacionais, o que reduz receitas externas e pressiona a moeda.
Em segundo lugar, o Banco Central da Nova Zelândia tem sinalizado que a inflação está a convergir para a meta, abrindo espaço para cortes de juros. Esta combinação de deterioração nos termos de troca e expectativas de política monetária mais acomodatícia justifica a desvalorização do NZD face ao euro.
CNY/EUR (Yuan Chinês): –1,56%
A desvalorização do yuan reflete preocupações persistentes com o abrandamento económico da China, evidenciado por dados oficiais que mostram fragilidade no setor imobiliário, consumo moderado e investimento empresarial contido.
Paralelamente, as tensões comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia intensificaram-se, sobretudo nos setores tecnológico e automóvel. O Banco Popular da China tem adotado uma postura monetária mais flexível para apoiar a economia, o que também contribui para a fraqueza do CNY.
MXN/EUR (Peso Mexicano): –1,21%
O peso mexicano, que vinha de um período prolongado de apreciação sustentado por taxas de juro reais elevadas e forte procura por carry trade, registou recentemente uma correção.
O Banco do México manteve durante meses uma política monetária restritiva, mas a acumulação de posições especulativas longas tornou o MXN vulnerável a movimentos de realização de lucros. A redução do apetite global por risco e a normalização parcial do posicionamento explicam a saída de capitais e a consequente desvalorização.
CHF/EUR (Franco Suíço): –0,69%
O franco suíço, tradicionalmente uma moeda defensiva, apresentou um comportamento invulgar ao desvalorizar face ao euro. O SNB tem também um histórico de intervenções cambiais destinadas a evitar uma apreciação excessiva do CHF.
A política monetária suíça divergiu da zona euro, mas no sentido inverso ao habitual: enquanto o BCE mantinha taxas elevadas por mais tempo, o SNB iniciou um ciclo de cortes mais cedo. Esta divergência reduz o diferencial de juros a favor da Suíça, diminuindo a procura por CHF.
USD/EUR (Dólar Americano): –0,63%
A fraqueza recente do dólar resulta da combinação de expectativas de flexibilização monetária por parte da Reserva Federal, sinais de abrandamento económico e uma redução temporária da procura por ativos de refúgio.
Trata‑se de um movimento consistente com a dinâmica macroeconómica atual e com a forma como o mercado cambial reage a alterações nas perspetivas de política monetária e no apetite global por risco.
Conclusão Estratégica
O mês de maio foi marcado por um apetite por risco moderado, favorecendo emergentes asiáticos e moedas ligadas a matérias-primas. Existiu uma pressão sobre moedas associadas a economias em desaceleração (China, Nova Zelândia).
Também ocorreram ajustamentos técnicos em moedas que vinham de fortes ciclos de valorização como o peso mexicano e movimentos inesperados em moedas defensivas como CHF e USD, sugerindo reposicionamento global.
Em suma, o euro manteve-se como âncora, enquanto as divisas refletiram narrativas macroeconómicas distintas, com destaque para a força asiática e a fraqueza chinesa.
Performance das divisas em maio face ao euro:
TOP 5 SUBIDAS
DIVISA € PERFORMANCE
IDR (rupia indonésia) 2.52%
KRW (won sul-coreano) 1.59%
JPY (iene japonês) 1.07%
BRL (real brasileiro) 1.05%
CAD (dólar canadense) 0.91%
TOP 5 DESCIDAS
DIVISA € PERFORMANCE
NZD (dólar neozelandês) -2.01%
CNY (iuan chinês) -1.56%
MXN (peso mexicano) -1.21%
CHF (franco suíço) -0.69%
USD (dólar americano) -0.63%